54. Comporta começa a desenhar o seu futuro turístico

54. Comporta começa a desenhar o seu futuro turístico

54. Comporta começa a desenhar o seu futuro turístico

100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Nova estratégia criada nos anos 80 afirmou o local como um dos destinos turísticos mais exclusivos do país

A Comporta era, até ao final da década de 1980, um território marcado sobretudo pela atividade agrícola, em particular pela produção de arroz, pela exploração florestal e pela riqueza do seu património natural. Neste contexto, começou a ser delineada uma nova estratégia para a Herdade da Comporta, que procurava conciliar a valorização do território com uma aposta gradual no turismo de qualidade, preservando a paisagem e a identidade local.

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Esta visão consolidou-se na sequência do processo de devolução da Herdade à The Atlantic Company, entre 1989 e 1991, empresa detida pela família Espírito Santo. O objetivo passava por complementar a atividade agrícola com um modelo turístico que fosse capaz de proteger a paisagem, os recursos naturais e a identidade da região. A estratégia viria depois a concretizar-se através da constituição da Herdade da Comporta – Actividades Agro Silvícolas e Turísticas e do desenvolvimento de um plano integrado para toda a propriedade.

Ao contrário de outros destinos turísticos nacionais, a Comporta começou a afirmar-se através de um conceito baseado na sustentabilidade. A proximidade ao mar, os arrozais, os pinhais, as dunas e toda a área envolvente passaram a ser vistos como os principais pontos fortes de um território que pretendia crescer sem perder autenticidade. O turismo surgia, assim, como complemento da atividade agrícola e não como um substituto.

O ano de 2004 marcou um novo passo neste percurso, com o arranque da implementação do Projeto Global de Desenvolvimento da Herdade da Comporta, um programa que era assente na valorização do património natural, agrícola e urbanístico e na criação de um destino turístico integrado no litoral alentejano. A estratégia previa assim uma oferta que fosse centrada no turismo residencial, no desporto, na saúde e no bem-estar, complementada pela dinamização das sete aldeias da herdade e por iniciativas ligadas ao ecoturismo e à cultura.

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Já em 2008, o Governo reconheceu o interesse público dos primeiros grandes projetos turísticos da Herdade da Comporta, enquadrados nas Áreas de Desenvolvimento Turístico da Comporta e do Carvalhal. O propósito passava pela criação de hotéis, aldeamentos turísticos, equipamentos de lazer e outras infraestruturas, mantendo como princípio a salvaguarda dos valores ambientais e paisagísticos do território. O projeto foi então considerado um investimento estratégico para a economia regional e para a afirmação do litoral alentejano como destino turístico de excelência.

Apesar dos atrasos provocados pela crise financeira e pelo colapso do Grupo Espírito Santo, em 2014, o modelo de desenvolvimento inicialmente definido manteve-se. Nos anos seguintes, novos investidores deram continuidade aos projetos previstos e consolidaram a imagem da Comporta como um dos destinos turísticos mais exclusivos de Portugal.

Atualmente, a região distingue-se pela aposta num turismo de natureza e de luxo discreto, assente na preservação da paisagem e na valorização das comunidades locais.

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