100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Entidade assumiu a gestão e exploração da infraestrutura e afirmou-se como um dos principais polos logísticos da Europa
A construção do Porto de Sines, iniciada em 1973, representou um dos mais ambiciosos projetos de infraestrutura do país. À medida que as obras avançavam, tornou-se óbvia a necessidade de criar uma entidade dedicada apenas à gestão e exploração daquela infraestrutura, garantindo uma resposta precisa aos desafios colocados pelo seu crescimento e pela importância que o porto adquiria para a economia nacional.
Foi neste contexto que, a 14 de dezembro de 1977, o Governo criou a Administração do Porto de Sines (APS), através do Decreto-Lei n.º 508/77. A nova entidade pública, dotada de autonomia administrativa e financeira, passou a assumir a responsabilidade pela exploração, conservação e desenvolvimento do porto, funções que eram, até então, asseguradas pelo Gabinete da Área de Sines (GAS), organismo responsável pela construção do complexo portuário e industrial. No Decreto-Lei é possível ler que “pelas suas próprias finalidades, não tem o GAS vocação para administrar e explorar os empreendimentos cuja realização lhe vem competindo. A gestão e exploração do porto de Sines escapa, pois, ao seu âmbito de actuação”.
Desta forma, foi criada esta administração que devia seguir o “pensamento do Governo”. “A exploração do porto de Sines, sobretudo na fase inicial, em que se exige flexibilidade organizativa, adaptabilidade constante e rapidez de decisão, dificilmente poderia ser assegurada pelos mecanismos correntes da gestão estadual directa. Não obstante, pensa o Governo que a administração do porto deverá representar o pensamento governativo, sem prejuízo da independência necessária ao eficaz desempenho das respectivas atribuições, e entende, por outro lado, que, sendo estas de extraordinária magnitude e de tamanha influência para o desenvolvimento da actividade económica programada para a área de Sines, se deve garantir uma íntima colaboração entre os seus dirigentes e os organismos administrativos e económicos mais directamente interessados no seu progresso”, é relatado no documento.
A criação da APS marcou o início de uma nova fase para o Porto de Sines. Com uma entidade exclusivamente dedicada à sua gestão, tornou-se então possível planear o desenvolvimento da infraestrutura a longo prazo, acompanhar o crescimento do tráfego marítimo e adaptar o porto às exigências do comércio internacional.
Ao longo dos anos seguintes, o porto conheceu uma expansão contínua, impulsionada pela construção de novos terminais especializados e pelo reforço das ligações ferroviárias e rodoviárias. A instalação do Terminal Petroquímico, do Terminal de Gás Natural Liquefeito, inaugurado em 2004, e do Terminal XXI, dedicado ao movimento de contentores, foram obras que consolidaram Sines como uma infraestrutura multifuncional e competitiva.
A APS alargou ainda a sua área de atuação ao Porto de Vila Real de Santo António, passando a designar-se Administração dos Portos de Sines e do Algarve. Mais tarde, assumiu igualmente a gestão dos portos de Faro e Portimão.
Atualmente, o Porto de Sines é o maior porto nacional em volume de mercadorias movimentadas e um dos principais polos logísticos da Europa. A sua localização, que junta as principais rotas marítimas entre a Europa, África, o continente americano e o Canal do Suez, tornou esta infraestrutura numa porta de entrada estratégica para o comércio internacional.