100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Abertura da fábrica impactou significativamente a região graças à criação de emprego direto e indireto na zona do Vale da Rosa
O arranque da produção automóvel da Renault em Setúbal, em 1980, foi um dos acontecimentos económicos mais relevantes da história da região. Instalada no Vale da Rosa, a unidade industrial surgiu no âmbito do chamado “Projeto Renault”, um investimento que resultou de vários anos de negociações entre o Estado português e a construtora francesa e que foi então considerado uma das maiores apostas industriais realizadas em Portugal.
A fábrica começou por produzir o modelo Renault 5 (R5) e, em 1981, teve início a produção de componentes automóveis na unidade da Renault em Cacia, Aveiro, com a possibilidade para a produção de 80 mil caixas de velocidade e 220 mil motores por ano. Através de métodos de trabalho e equipamentos inovadores para a época, a fábrica da marca francesa em Setúbal representou a criação de um complexo automóvel dinâmico, essencial à modernização da indústria da região e do País.
Segundo o guia “Setúbal Uma Baía Aberta”, da Câmara Municipal de Setúbal, a fábrica chegou a produzir 350 carros por dia, ultrapassando as 600 mil unidades nos 18 anos em que se manteve a laborar. O impacto económico foi grande, não só pela criação de emprego direto, mas também na criação de empresas fornecedoras e de serviços associados à indústria automóvel.
A Renault Setúbal produziu até atingir a maioridade. Assim que completou 18 anos, a 31 de julho de 1998, fechavam-se as portas da unidade, mais nos dois anos seguintes mais de 600 trabalhadores mantiveram-se nos seus postos de trabalho a produzir automóveis. Seguiu-se depois a criação de um gabinete de apoio aos desempregados, para apoiar todos aqueles que tiveram dificuldades depois do desemprego.
O espaço da antiga fábrica é, aos dias de hoje, o parque empresarial BlueBiz, gerido pela aicep Global Parques, no Vale da Rosa. Em 2017 os antigos trabalhadores da fábrica juntaram-se num almoço convívio, onde recordaram os tempos em que trabalhavam na fábrica.
No evento, que contou com a cobertura do Diário da Região, contou com a presença de cerca de 160 ex-trabalhadores daquela que foi uma unidade modelo da marca de automóveis franceses na Europa. Nesta altura foi entrevistado José Carlos Gomes, último diretor-geral português em funções na Renault, que ocupou o cargo em 1996.
“Isto tinha uma atividade brutal. Nós estávamos aqui uma média de 12 horas por dia e chegávamos a fazer 350 carros por dia. Mais de 600 mil carros em 18 anos”, garante João Serôdio, antigo diretor de produção, que também esteve presente.
Os presentes referiram ao jornal que o que pode ter ditado o encerramento da fábrica foi a suposta incapacidade de produção do modelo Clio numa escala maior e, ainda, a abertura de uma nova fábrica na antiga Jugoslávia, “com mão de obra mais barata e com pessoas mais novas”, relatou o antigo diretor-geral.