51. Central termoelétrica chegou a ser o maior centro produtor de energia do País

51. Central termoelétrica chegou a ser o maior centro produtor de energia do País

51. Central termoelétrica chegou a ser o maior centro produtor de energia do País

100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Infraestrutura contribuiu durante décadas para a produção elétrica nacional, mas fechou portas em 2021

Integrada no ambicioso plano de desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário de Sines, a Central Termoelétrica de Sines foi estrategicamente pensada para reforçar a capacidade de produção elétrica nacional, algo que conseguiu cumprir durante muito tempo. Depois de fechar, em 2021, as chaminés da infraestrutura foram derrubadas no ano passado.

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A construção da infraestrutura começou em 1979. A necessidade de diversificar as fontes de produção elétrica e de criar capacidade instalada fora dos tradicionais centros produtores do Norte e Centro do País levou à escolha de Sines como localização privilegiada para uma das maiores infraestruturas energéticas nacionais.

A proximidade do Porto de Sines ajudava, já que era aqui que atracavam navios carregados de carvão importado, garantindo o abastecimento da futura central.

O primeiro grupo gerador entrou em funcionamento no final de 1985, começando assim o arranque operacional. A central foi concebida para integrar quatro grupos geradores independentes, cada um com uma potência unitária de 314 megawatts. A conclusão do conjunto decorreu apenas em 1989, com a entrada em serviço do quarto grupo, elevando a potência instalada para 1.256 megawatts e transformando Sines na maior central termoelétrica do País. Este serviu para colocar a cidade no mapa do desenvolvimento regional.

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Os números iam depois confirmar a dimensão dessa aposta. Nos primeiros anos de operação, a produção da central cresceu de forma significativa e, no início da década de 90, chegou a assegurar cerca de um terço da eletricidade consumida em Portugal. Em 1985, ano da sua estreia, produziu aproximadamente 0,8 terawatts-hora de eletricidade, representando cerca de 4% do consumo nacional, como referia a agência Lusa numa peça publicada em 2021. Anos mais tarde acabou mesmo por tornar-se decisiva para a estabilidade da rede elétrica portuguesa.

A imponência da infraestrutura era visível através das chaminés de 225 metros de altura, que acabaram por ser derrubadas em 2025, naquela que foi uma das etapas previstas na empreitada de desmantelamento e demolição em curso.

Mas antes disso, há uma data ainda mais importante. A 15 de janeiro de 2021 a central viria a ser desativada, no âmbito das metas de descarbonização e da transição energética. A ação foi contestada na altura por Nuno Mascarenhas, o então presidente da Câmara Municipal de Sines.

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A ‘impugnação’ foi até ao último momento pois, em novembro de 2020, Mascarenhas esteve reunido com o Governo numa sessão em que “foram abordados diversos temas relativos ao encerramento da central e ouvidas algumas propostas por parte dos sindicatos”.

Por resolver estava ainda o desemprego dos milhares de trabalhadores da infraestrutura, mais de metade residentes no concelho de Santiago do Cacém. Álvaro Beijinha, na altura presidente da Câmara de Santiago do Cacém e agora edil em Sines, referiu que a preocupação eram os trabalhadores.

“Desde a primeira hora que manifestámos essa preocupação porque esta questão deve ser vista a dois níveis: a primeira são os trabalhadores com vínculo direto à EDP que, à partida, terão os seus direitos assegurados, e a segunda são os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, com vínculo precário”.

O autarca referiu ainda que o “projeto da nova fábrica do hidrogénio poderia de alguma forma absorver estes trabalhadores”.

A central produziu ao longo da sua vida útil cerca de 294 terawatts-hora de energia elétrica e foi, durante décadas, o maior centro produtor de energia do País. A região e o concelho ficaram marcados, na época da grande produção, no mapa da indústria portuguesa.

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