100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Fundação da empresa ocorreu um ano após a revolução de abril para melhorar serviço dos transportes
Em 1975, o país ultrapassava ainda algumas das ‘ondulações’ provocadas pela Revolução dos Cravos de 74. Portugal sofrera mudanças nunca outrora vistas e isso fez com que, um ano depois, ainda houvesse muito por onde ‘pegar’ e resolver.
A 17 de dezembro, através do Decreto-Lei n.º 701-D/75 e por “situação económica muito degradada e insuficiência operacional dos transportes §uviais do Tejo integrados no serviço suburbano de Lisboa”, o governo aconselhou a rápida nacionalização das empresas Sociedade Marítima de Transportes, Lda; Empresa de Transportes Tejo, Lda; Sociedade Nacional Motonaves, Lda; Sociedade Jerónimo Rodrigues Durão, Herd, Lda e Sociedade Damásio, Vasques e Santos, Lda, “de molde a permitir a reestruturação e a coordenação das suas actividades, tendo em vista sanear a sua economia e assegurar o seu regular funcionamento”. Até então, estas sociedades exploravam as cinco carreiras §uviais do rio Tejo. No entanto, por esta altura, foi criada uma empresa pública denominada Transportes Tejo, a qual ficou “dotada de personalidade jurídica e de autonomia administrativa e financeira” e passou a usar a abreviatura Transtejo.
Com a nova identidade escolhida, o foco passou a ser a modernização da frota que se iniciou em 1977 com a encomenda da construção de doze cacilheiros aos Estaleiros Navais de São Jacinto, em Aveiro; ao Estaleiro da Foznave, na Figueira da Foz e aos Estaleiros da Argibay, em Alverca. O melhoramento das infra-estruturas dos portos e terminais foi também uma prioridade da empresa. Procedeu-se à construção de um terminal no Terreiro do Paço para as ligações ao Montijo e ao Seixal, melhorou-se a estação para cacilheiros e ferries do Cais do Sodré e construiu-se ainda o novo terminal de Cacilhas, para passageiros.
A Transtejo viria a sofrer uma nova reforma cerca de quinze anos depois. No início dos anos 90, a empresa assina um contrato para a construção de dois novos navios com capacidade para mil passageiros. Tal como se pode ficar a saber através da página oficial da Transtejo, “estes dois navios, com os nomes de São Jorge e Martim Moniz viriam a ser fretados à CP, para operar na ligação entre Barreiro – Terreiro do Paço”. Em 1994, “iniciou-se o processo de renovação da frota fluvial da Transtejo através da aquisição de modernos catamarãs”, que viriam a fazer parte da frota a partir de 1998.
Viragem do século abriu espaço à administração da Soflusa
Em 2001, a Transtejo adquiriu a totalidade do capital social da Soflusa, que fazia a travessia fluvial entre o Barreiro e o Terreiro do Paço. Desta forma, os membros do Conselho de Administração da Transtejo foram também nomeados administradores da Soflusa. Iniciaria-se, depois, em 2002, um concurso para a renovação total da frota da Soflusa, com a construção de sete catamarãs de 600 passageiros. Estes entraram ao serviço dois anos depois, em 2004, altura em que também foi implementada a bilhética sem contacto, através da instalação de novos validadores e torniquetes.
Desde então que a história da Transtejo/Soflusa se fez com base em remodelações e melhoramentos nos terminais §uviais e também no transporte de passageiros. Em 2007, por exemplo, foi inaugurado um serviço de apoio ao cliente personalizado, num espaço focado na resolução de problemas e informação generalizada. Atualmente, este serviço funciona no Terminal Fluvial do Cais do Sodré, de 2ª a 6ª feira, das 8h00 às 19h45. Já em 2009 foi inaugurado o pontão de ferry no Terminal Fluvial do Cais do Sodré e em 2011 entraram ao serviço os ferrys Lisbonense e Almadense.
Navios elétricos conduzem modernização da frota
A transição energética da empresa ganhou nova dimensão em 2023, com a inauguração do primeiro navio 100% elétrico da Transtejo/Soflusa. A operação elétrica consolidou-se nos últimos anos, com a entrada gradual destes navios nas ligações §uviais do Tejo. A viagem inaugural do “Cegonha Branca” decorreu entre o Seixal e Lisboa e foi um marco para esta nova era da empresa.
À época, o então primeiro-ministro António Costa referiu que estes eram “navios mais cómodos”, que iam “transportar mais pessoas, com um ganho efetivo na capacidade de transporte com menor custo para a operação e menor custo ambiental». No entanto, a operação comercial regular só arrancou no mês de março do ano passado, quando três navios elétricos começaram a fazer a travessia em viagens experimentais, sempre com um outro navio a diesel pronto para qualquer imprevisto.
Atualmente, essa ligação já é feita exclusivamente com navios elétricos. Aliás, no último mês de maio, assinalou-se o marco dos dois milhões de passageiros transportados em navios elétricos da Transtejo/Soflusa, tanto na ligação entre Seixal e Cais do Sodré, como também na ligação entre Cacilhas e Lisboa que, entretanto, está também já consolidada.