49. Nova administração lançou as bases de um porto estratégico

49. Nova administração lançou as bases de um porto estratégico

49. Nova administração lançou as bases de um porto estratégico

100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Entidade assumiu a gestão e exploração da infraestrutura e afirmou-se como um dos principais polos logísticos da Europa

A construção do Porto de Sines, iniciada em 1973, representou um dos mais ambiciosos projetos de infraestrutura do país. À medida que as obras avançavam, tornou-se óbvia a necessidade de criar uma entidade dedicada apenas à gestão e exploração daquela infraestrutura, garantindo uma resposta precisa aos desafios colocados pelo seu crescimento e pela importância que o porto adquiria para a economia nacional.

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Foi neste contexto que, a 14 de dezembro de 1977, o Governo criou a Administração do Porto de Sines (APS), através do Decreto-Lei n.º 508/77. A nova entidade pública, dotada de autonomia administrativa e financeira, passou a assumir a responsabilidade pela exploração, conservação e desenvolvimento do porto, funções que eram, até então, asseguradas pelo Gabinete da Área de Sines (GAS), organismo responsável pela construção do complexo portuário e industrial. No Decreto-Lei é possível ler que “pelas suas próprias finalidades, não tem o GAS vocação para administrar e explorar os empreendimentos cuja realização lhe vem competindo. A gestão e exploração do porto de Sines escapa, pois, ao seu âmbito de actuação”.

Desta forma, foi criada esta administração que devia seguir o “pensamento do Governo”. “A exploração do porto de Sines, sobretudo na fase inicial, em que se exige flexibilidade organizativa, adaptabilidade constante e rapidez de decisão, dificilmente poderia ser assegurada pelos mecanismos correntes da gestão estadual directa. Não obstante, pensa o Governo que a administração do porto deverá representar o pensamento governativo, sem prejuízo da independência necessária ao eficaz desempenho das respectivas atribuições, e entende, por outro lado, que, sendo estas de extraordinária magnitude e de tamanha influência para o desenvolvimento da actividade económica programada para a área de Sines, se deve garantir uma íntima colaboração entre os seus dirigentes e os organismos administrativos e económicos mais directamente interessados no seu progresso”, é relatado no documento.

A criação da APS marcou o início de uma nova fase para o Porto de Sines. Com uma entidade exclusivamente dedicada à sua gestão, tornou-se então possível planear o desenvolvimento da infraestrutura a longo prazo, acompanhar o crescimento do tráfego marítimo e adaptar o porto às exigências do comércio internacional.

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Ao longo dos anos seguintes, o porto conheceu uma expansão contínua, impulsionada pela construção de novos terminais especializados e pelo reforço das ligações ferroviárias e rodoviárias. A instalação do Terminal Petroquímico, do Terminal de Gás Natural Liquefeito, inaugurado em 2004, e do Terminal XXI, dedicado ao movimento de contentores, foram obras que consolidaram Sines como uma infraestrutura multifuncional e competitiva.

A APS alargou ainda a sua área de atuação ao Porto de Vila Real de Santo António, passando a designar-se Administração dos Portos de Sines e do Algarve. Mais tarde, assumiu igualmente a gestão dos portos de Faro e Portimão.

Atualmente, o Porto de Sines é o maior porto nacional em volume de mercadorias movimentadas e um dos principais polos logísticos da Europa. A sua localização, que junta as principais rotas marítimas entre a Europa, África, o continente americano e o Canal do Suez, tornou esta infraestrutura numa porta de entrada estratégica para o comércio internacional.

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