42. Criação da Diocese de Setúbal marca nova etapa da Igreja na região

42. Criação da Diocese de Setúbal marca nova etapa da Igreja na região

42. Criação da Diocese de Setúbal marca nova etapa da Igreja na região

100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Com mais de meio século, episcopado é celebrado num local “com sabor a povo e cheiro a mar”

As palavras de D. Américo Aguiar, atual bispo da Diocese de Setúbal, fizeram-se ecoar na Sé Catedral aquando da celebração do meio século da entidade, no ano passado.. “Hoje o coração de Setúbal pulsa mais forte, São Paulo VI quis que aqui, junto ao Tejo e ao Sado, nascesse uma Igreja com sabor a povo e cheiro a mar, uma Igreja que aprendesse a servir, a escutar, a cuidar”, referiu o também cardeal. A Diocese de Setúbal foi criada em 1975 pela Bula «Studentes Nos», do Papa S. Paulo VI. Tal como conta a história descrita no site da Diocese, a Igreja de Santa Maria da Graça foi tornada Catedral e foi nomeado o seu primeiro Bispo, D. Manuel da Silva Martins. Este, também nascido em Leça do Balio, à semelhança de D. Américo Aguiar, era, até à época, Vigário-Geral da Diocese do Porto e acabou por tomar posse em Setúbal a 26 de outubro de 1975.

A Diocese de Setúbal foi assim criada a partir da reorganização de territórios que pertenciam a três dioceses diferentes. A maior parte desta nova diocese resultou do Patriarcado de Lisboa, que incluiu quase toda a Península de Setúbal. Para a nova estrutura passaram ainda as zonas de Canha e Pegões, bem como a paróquia da Comporta, que pertenciam à Arquidiocese de Évora, e a Península de Tróia, que estava até então integrada na Diocese de Beja. Inicialmente, o Santuário de Cristo Rei e o Seminário de Almada permaneceram ligados a Lisboa, mas acabaram por ser incorporados na Diocese de Setúbal em 1999, completando aquela que é a definição do seu território.

Nesta perspetiva, a Diocese de Setúbal cobre assim a totalidade de nove dos 13 concelhos do distrito (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal) e ainda partes de outros dois (Alcácer do Sal e Grândola).

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Um desejo antigo da Península de Setúbal

A criação da Diocese de Setúbal foi preparada alguns anos antes, quando o então Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira, criou, em 1966, a Região Pastoral de Setúbal, nomeando como responsável o cónego João Alves, mais tarde bispo de Coimbra. Em paralelo, foram feitas conversações com as dioceses vizinhas para definir um território mais coerente para a futura nova diocese.

No entanto, a ideia de criar uma diocese na região já era antiga e tinha sido defendida por vários setores da sociedade desde a criação do Distrito de Setúbal, em 1926. Apesar da proposta não ter avançado na altura, considerava-se que a criação do distrito justificava também a criação de uma estrutura eclesiástica própria com o mesmo território. Na Península de Setúbal, essa aspiração tinha ainda raízes mais profundas, já que a região tinha sido historicamente administrada durante séculos pela Ordem de Santiago, mantendo uma identidade própria em relação ao Patriarcado de Lisboa. Sentimento este que se reforçou com o crescimento industrial e populacional do século XX, marcado pela chegada de pessoas de outras regiões.

Nas décadas seguintes, a diocese passou por diferentes fases de consolidação e desenvolvimento. Entre 1998 e 2015, sob o episcopado de D. tante passo na organização interna da estrutura diocesana, bem como na sua capacidade de resposta aos desafios sociais. Tal como é referido na sua página oficial, neste período, pode ser destacada a reorganização de serviços e equipamentos eclesiásticos, a transferência do Seminário de Setúbal para Almada e a instalação da nova Cúria Diocesana no espaço do antigo Paço e Seminário, em Setúbal. Foi também restaurado o monumento do Cristo Rei e incentivou-se a construção de novas igrejas em comunidades em crescimento.

Já em 2015, D. José Ornelas assumiu a liderança da Diocese, tendo sido ordenado na Sé de Setúbal a 25 de outubro desse ano. Durante o seu episcopado, que durou até 2022, foi criado o Tribunal Diocesano de Setúbal e promovidas iniciativas de organização e formação, com o objetivo de consolidar a estrutura da igreja. Este período ficou também marcado pela pandemia da Covid-19, que obrigou a uma adaptação da ação pastoral e limitou o avanço de vários projetos, acabando por exigir novas formas de proximidade e comunicação com os fiéis. Em 2022, com a sua transferência para a Diocese de Leiria-Fátima, seguiu-se um período “difícil” da história, a Sé vacante, que só terminou em setembro de 2023 com a nomeação de D. Américo Aguiar como novo bispo de Setúbal.

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