100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
The Navigator Company é hoje a terceira maior exportadora nacional. Mas só passou a ser denominada assim em 2016
Hoje apresenta-se como “a terceira maior exportadora em Portugal e a maior geradora de Valor Acrescentado Nacional”. Representa “cerca de 2,5% das exportações nacionais de bens e mais de 30 mil empregos diretos, indiretos e induzidos”. Afirma-se como “produtor integrado de ”oresta, pasta, papel, tissue, soluções sustentáveis de ‘packaging’ e bioenergia” e dá pelo nome de The Navigator Company desde 2016.
Mas em Setúbal, onde está sediada e conta com fábricas de pasta e papel, ainda ninguém esqueceu a sua denominação anterior – Portucel. “Nos termos da legislação e regulamentação aplicável, e na sequência das deliberações aprovadas na Assembleia Geral anual de 19 de Abril de 2015, da então ainda denominada Portucel, S.A., informamos que na presente data foram registadas junto da Conservatória do Registo Comercial a alteração da firma da sociedade para ‘The Navigator Company, S.A.’ e a redução do respectivo capital social de 767.500.000,00 euros para 717.500.000,00 euros, por extinção de 50.000.000 de acções próprias”, lê-se no comunicado datado de 26 de abril de 2016 que foi enviado pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A constituição da Portucel ocorreu “em 1975 a partir da integração de diversas fábricas portuguesas de produção de pasta, papel e embalagens”, pode ler-se no site da The Navigator Company, cuja história começou na década de 1950. “O marco mais relevante aconteceu em 1957 quando uma equipa de técnicos tornou a fábrica de Cacia a primeira, a nível mundial, a produzir pasta de papel a partir de eucalipto pelo processo kraft. Este foi o ponto de partida de um percurso que viria a transformar uma empresa portuguesa, então chamada Companhia Portuguesa de Celulose, num dos maiores produtores mundiais de pasta branca de eucalipto (BEKP) e papéis nos não revestidos (UWF)”, lembra -se no mesmo histórico, antes de ser destacada a criação da Portucel como um dos principais impulsos para o crescimento da Navigator.
Aquisições decisivas Um crescimento que, à entrada do novo milénio, não só conheceu novo fôlego como também permitiu caminhar para a consolidação, conforme é sublinhado na mesma publicação. “Com a aquisição da Papéis Inapa, em 2000, e da Soporcel, em 2001, a Portucel realiza um movimento de consolidação do sector em Portugal. Estas duas etapas foram decisivas e deram origem à The Navigator Company”.
Depois, em 2004, a maioria do capital social da Portucel é adquirida pela Semapa. “Com este novo ciclo, a empresa consolida a sua posição de liderança nos mercados internacionais, reforçada em 2006 com o anúncio da construção de uma nova fábrica de papel no Complexo Industrial de Setúbal.” A segunda unidade fabril em Setúbal foi inaugurada em 2009. “Designada ‘About The Future’, esta nova fábrica de Setúbal significou não só um dos marcos mais importantes na história da [futura] The Navigator Company, como também um momento marcante na capacidade industrial do País”. Até porque, ainda de acordo com o historial publicado na página da Navigator, com aquele investimento a então ainda Portucel “tornou-se líder europeia na produção de papéis nos de impressão e escrita não revestidos, e uma das maiores a nível mundial”. Nesse mesmo ano regista-se a constituição da Portucel Moçambique, no âmbito de uma aposta na expansão e internacionalização da empresa.
Além disso, mais tarde, em 2015, foi construída nos Estados Unidos da América, na Carolina do Sul, uma fábrica de pellets, que começou a operar ainda em 2016. Com uma capacidade instalada de quase 500 mil toneladas, num investimento então estimado em cerca de 90 milhões de euros, a fábrica acabou por ser vendida, por mais de 107 milhões, no início de 2018 – dois anos depois de a Portucel ter sido renomeada The Navigator Company.
Antes, em 2009 e 2010, a empresa já tinha apostado na produção de energia renovável e na diminuição do consumo de combustíveis fósseis, com o investimento em duas centrais termoeléctricas a biomassa (Cacia e Setúbal), uma central de ciclo combinado (Setúbal) e um turbogerador a vapor (Figueira da Foz). Em 2025, a The Navigator Company teve um volume de negócios de 1.970 milhões euros. Mais de 90% dos seus produtos tiveram como destino 117 países.