Crise da habitação: só nos resta mesmo montar a tenda?

Crise da habitação: só nos resta mesmo montar a tenda?

Crise da habitação: só nos resta mesmo montar a tenda?

, Deputado do LIVRE
21 Outubro 2026, Quarta-feira
Deputado do Livre

A Península de Setúbal não pode tornar-se um lugar onde quem trabalha deixa de conseguir viver. Não basta anunciar desenvolvimento e investimento se uma geração inteira não conseguir construir aqui a sua vida.

Os dados são assustadores: no primeiro trimestre de 2026, o preço mediano por metro quadrado na península aumentou 28,9% face ao mesmo período de 2025, acima da Grande Lisboa (20,5%) e do país (19,8%). No Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal, o preço das casas mais do que triplicou entre 2017 e 2025.

– PUB –

O problema também não termina na península. Em Sines, a renda mediana por metro quadrado dos novos contratos já supera a da Grande Lisboa, segundo dados divulgados em julho. Mandar procurar casa cada vez mais longe não é uma política de habitação, ainda que tenha sido esta a resposta do Ministro da Habitação quando confrontado com estes problemas no parlamento.

As causas cruzam décadas de investimento público insuficiente, dificuldades na construção e reabilitação e uma procura crescente, incluindo internacional e turística, alicerçada em benefícios fiscais e incentivos perniciosos. Por isso, não basta a solução simplista tantas vezes apresentada de construir mais: é preciso perguntar para quem se constrói, a que preço e com que garantias de acesso. De pouco serve construir mais se essa construção for direcionada sobretudo para o segmento de luxo, como já tantas vezes acontece até na Margem Sul.

Também não basta aumentar a capacidade de compra sem uma resposta da oferta. Ainda recentemente o FMI considerou que as garantias e isenções para jovens compradores contribuíram para subir os preços, sem um aumento estatisticamente significativo das transações, numa avaliação ainda preliminar.

– PUB –

Para o LIVRE, uma crise social desta dimensão exige uma resposta do Estado Social. É por isso que propomos um Serviço Nacional de Habitação: com financiamento estável, reforço da habitação pública e cooperativa, mobilização de património público, apoio às autarquias e regulação do arrendamento, articulados num sistema nacional.

Um «SNS para as casas» não deve ser mais uma estrutura sem meios nem uma promessa de casa gratuita para todos. Deve assegurar uma alternativa efetiva a quem não encontra habitação compatível com os seus rendimentos.

Uma sociedade decente não pode aceitar que ter casa se transforme num privilégio, nem que pessoas que trabalham tenham de viver na rua. Uma sociedade decente também não pede paciência eterna a quem adia viver com autonomia ou constituir família.

– PUB –

Nos últimos dias toda uma geração saiu à rua para clamar por respostas. Ouvir esse clamor não é ceder: é perceber a frustração e a revolta de quem carrega o peso das promessas falhadas. E todos os que têm responsabilidades políticas têm obrigação, mais do que escutar, de agir e de construir políticas que devolvam às pessoas a possibilidade de construírem a sua vida. Voltar a falhar-lhes não pode ser solução.

Partilhe esta notícia
- PUB -

Notícias Relacionadas

, Ex-bancário, Corroios
20/10/2026
- PUB -
- PUB -

Apoie O SETUBALENSE e o Jornalismo rumo a um futuro mais sustentado

Assine o jornal ou compre conteúdos avulsos. Oferecemos os seus primeiros 3 euros para gastar!

Quer receber aviso de novas notícias? Sim Não