A política exige coragem. Sem ela, sobra a conveniência

A política exige coragem. Sem ela, sobra a conveniência

A política exige coragem. Sem ela, sobra a conveniência

23 Junho 2026, Terça-feira
Vereador do PSD/CDS na Câmara Municipal de Palmela

A aprovação da revisão do PDM de Palmela deixou uma conclusão política difícil de ignorar: o PSD foi a única força política que manteve uma posição clara, coerente e transparente do princípio ao fim.

Desde o primeiro momento, entendemos que a proposta não defendia da melhor forma os interesses do concelho e dos seus munícipes. Por isso, tanto eu, enquanto vereador na Câmara Municipal, como os eleitos do PSD e do CDS na Assembleia Municipal votámos contra. Sem ambiguidades, sem cálculos políticos e sem tentar agradar a todos ao mesmo tempo.

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Importa recordar que esta não foi a primeira vez que a revisão do PDM foi submetida a votação. Em duas ocasiões anteriores, a proposta foi rejeitada graças à convergência dos votos contra do PSD, do Chega e do PS. Nessa altura, toda a oposição considerou que o documento não reunia as condições necessárias para ser aprovado.

O que mudou agora?

O PS votou favoravelmente e garantiu à CDU os votos necessários para fazer avançar uma revisão do PDM que marcará o futuro de Palmela durante muitos anos. Não é uma surpresa. Ao longo deste mandato, tem sido evidente a existência de um entendimento político que permite à CDU aprovar as suas principais propostas com o apoio do PS, que abdicou de ser oposição. Não é que alguma vez o tivesse sido em Palmela, a não ser nas campanhas autárquicas, quando diz aos eleitores o contrário do que faz.

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Mais difícil de explicar é a posição do Chega. Apesar das críticas feitas ao PDM, duas abstenções dos seus eleitos foram decisivas para a aprovação da proposta.

Na política, não basta fazer discursos inflamados ou publicar comunicados a anunciar a mudança do sistema. O que conta é o voto. E quando chega o momento da decisão, uma abstenção que permite a aprovação de uma medida produz exatamente esse resultado: permite que ela avance.

Os munícipes têm o direito de perguntar o que mudou para justificar esta alteração de posição. Se o documento merecia críticas profundas nas votações anteriores, porque deixou agora de justificar o mesmo sentido de voto? E se essas críticas se mantinham, porque não foi demonstrada a mesma firmeza?

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A CDU fez aquilo que era expectável: aprovou a sua proposta. O PS apoiou-a. E o Chega, através de duas abstenções, tornou possível a sua aprovação.

Perante este cenário, o PSD foi a única força política que manteve exatamente a posição em todas as fases do processo. Dissemos aos munícipes o que pensávamos e votámos em conformidade, tanto na Câmara Municipal como na Assembleia Municipal. Num momento decisivo para Palmela, não deixamos dúvidas sobre o lado em que estamos. Não enganamos ninguém. Nem os munícipes que não queriam o PDM, nem aqueles que sempre o quiseram.

A política mede-se pelos atos e não pelas palavras. E os factos são claros: o PDM foi aprovado com o apoio do PS e com duas abstenções decisivas do Chega. O PSD/CDS votou contra.

Os munícipes saberão tirar as suas conclusões.

Afinal, quando chega a hora da decisão, há quem escolha a coerência e há quem escolha a conveniência.

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