Aulas de ballet, ballet kids, hip hop, kizomba, prática de futebol, futsal, canoagem, escolas de música, grupos corais, aulas de guitarra clássica, guitarra elétrica, cavaquinho, bateria, piano, aulas de karaté e outras práticas marciais, judo, ténis de campo, aulas de ioga, canto e teatro… Tudo isto só é possível com as Coletividades e associações em Montijo. Contudo, paira sobre as Coletividades e associações locais a incerteza do financiamento, novas regras de apoio camarário que se tornarão efetivas já no próximo ano.
Procurando mitigar esta incerteza, a Câmara Municipal de Montijo (CMM) convidou o movimento associativo montijense, e os representantes das Coletividades e associações das diversas Freguesias de Município, para uma reunião geral que teve lugar no dia 2 de junho corrente na sede da AMUT (Associação Musical União e Trabalho) em Sarilhos Grandes. Na reunião estiveram presentes cerca de 80 dirigentes, em representação de aproximadamente 30 de Coletividades e associações locais.
Na abertura da reunião, o Presidente da Câmara Fernando Caria (eleito pelas listas de Montijo com Visão e Coração/MVC), anunciou a formação de um Gabinete camarário de apoio ao movimento associativo e acentuou a importância das Coletividades e associações locais como pilares do desenvolvimento individual e da comunidade montijense tendo em vista a oferta de atividades de natureza diversa, cultural, desportiva e recreativa.
Já o vereador Ilídio Massacote (MVC) expôs pormenores de recurso do novo regulamento de apoio e financiamento que entrará em pleno funcionamento no próximo ano. Durante a reunião salientou, por diversas vezes, a dupla dimensão identitária/local e universal conferida pela prática cultural e, em especial (dada a sua experiência nesse domínio), pela produção da arte musical. A vereadora Maria do Céu Simões (MVC), por sua vez, acentuou a valência da prática desportiva e expôs novas disponibilidades da Câmara no sentido da divulgação dos eventos e a criação de plataformas (APP) sobre o movimento associativo.
Das várias questões discutidas salientem-se as seguintes iniciativas a desenvolver: a criação de uma Federação ou agência local associativa, a participação direta numa agenda cultural aberta, uma calendarização de eventos que evite sobreposições, o recurso ao mecenato e outros apoios como o devido acompanhamento para concursos nacionais e europeus, a criação de um Museu do Desporto, a definição de critérios de utilização de equipamentos culturais e desportivos (como o Cinema Teatro Joaquim de Almeida, ou pavilhões e campos para práticas desportivas) e o desenvolvimento de um Plano Estratégico de Montijo para a cultura e o desporto.
Parece um programa ambicioso, e apesar do ambiente expectante e do compromisso comum em prol da cultura e do desporto, afirmando-se o interesse das Coletividades e das associações colaborarem mais entre si, pode também antecipar-se a clivagem que se acentuará, a conflitualidade natural a propósito dos apoios e financiamentos que se perfilam, sob a incerteza do futuro.
Argumente-se que o movimento associativo local é marcado por uma elevada heterogeneidade interna, podendo salientar-se, no essencial, a dicotomia entre atividades culturais e as desportivas, as associações históricas (dispondo de recursos logísticos e patrimoniais mais assinaláveis) e associações recém-criadas (com menos recursos, mas com dirigentes mais jovens e sem os vícios, ou as virtudes, de uma gestão familiar de ordem intergeracional), como também entre as associações localizadas nas Freguesias urbanas e as que investem (todo o seu espírito voluntarista) nas Freguesias rurais.
Aguarda-se que a oportuna abertura para os novos apoios e financiamentos não venha exacerbar, mais uma vez, a concorrência e a rivalidade entre as diversas Coletividades e associações, e realçar a paradigmática diferença (entre elas) quanto ao acesso privilegiado aos decisores camarários locais, que detêm nas suas mãos o poder hipotético da discricionariedade. Montijo tem tudo a perder.
E tudo a ganhar.