O movimento associativo em Montijo; novos desafios e oportunidades

O movimento associativo em Montijo; novos desafios e oportunidades

O movimento associativo em Montijo; novos desafios e oportunidades

19 Junho 2026, Sexta-feira
Investigador e docente aposentado, membro do Grupo de Trabalho do PCP em Montijo para o movimento associativo

Aulas de ballet, ballet kids, hip hop, kizomba, prática de futebol, futsal, canoagem, escolas de música, grupos corais, aulas de guitarra clássica, guitarra elétrica, cavaquinho, bateria, piano, aulas de karaté e outras práticas marciais, judo, ténis de campo, aulas de ioga, canto e teatro… Tudo isto só é possível com as Coletividades e associações em Montijo. Contudo, paira sobre as Coletividades e associações locais a incerteza do financiamento, novas regras de apoio camarário que se tornarão efetivas já no próximo ano.

Procurando mitigar esta incerteza, a Câmara Municipal de Montijo (CMM) convidou o movimento associativo montijense, e os representantes das Coletividades e associações das diversas Freguesias de Município, para uma reunião geral que teve lugar no dia 2 de junho corrente na sede da AMUT (Associação Musical União e Trabalho) em Sarilhos Grandes. Na reunião estiveram presentes cerca de 80 dirigentes, em representação de aproximadamente 30 de Coletividades e associações locais.

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Na abertura da reunião, o Presidente da Câmara Fernando Caria (eleito pelas listas de Montijo com Visão e Coração/MVC), anunciou a formação de um Gabinete camarário de apoio ao movimento associativo e acentuou a importância das Coletividades e associações locais como pilares do desenvolvimento individual e da comunidade montijense tendo em vista a oferta de atividades de natureza diversa, cultural, desportiva e recreativa.

Já o vereador Ilídio Massacote (MVC) expôs pormenores de recurso do novo regulamento de apoio e financiamento que entrará em pleno funcionamento no próximo ano. Durante a reunião salientou, por diversas vezes, a dupla dimensão identitária/local e universal conferida pela prática cultural e, em especial (dada a sua experiência nesse domínio), pela produção da arte musical. A vereadora Maria do Céu Simões (MVC), por sua vez, acentuou a valência da prática desportiva e expôs novas disponibilidades da Câmara no sentido da divulgação dos eventos e a criação de plataformas (APP) sobre o movimento associativo.

Das várias questões discutidas salientem-se as seguintes iniciativas a desenvolver: a criação de uma Federação ou agência local associativa, a participação direta numa agenda cultural aberta, uma calendarização de eventos que evite sobreposições, o recurso ao mecenato e outros apoios como o devido acompanhamento para concursos nacionais e europeus, a criação de um Museu do Desporto, a definição de critérios de utilização de equipamentos culturais e desportivos (como o Cinema Teatro Joaquim de Almeida, ou pavilhões e campos para práticas desportivas) e o desenvolvimento de um Plano Estratégico de Montijo para a cultura e o desporto.

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Parece um programa ambicioso, e apesar do ambiente expectante e do compromisso comum em prol da cultura e do desporto, afirmando-se o interesse das Coletividades e das associações colaborarem mais entre si, pode também antecipar-se a clivagem que se acentuará, a conflitualidade natural a propósito dos apoios e financiamentos que se perfilam, sob a incerteza do futuro.

Argumente-se que o movimento associativo local é marcado por uma elevada heterogeneidade interna, podendo salientar-se, no essencial, a dicotomia entre atividades culturais e as desportivas, as associações históricas (dispondo de recursos logísticos e patrimoniais mais assinaláveis) e associações recém-criadas (com menos recursos, mas com dirigentes mais jovens e sem os vícios, ou as virtudes, de uma gestão familiar de ordem intergeracional), como também entre as associações localizadas nas Freguesias urbanas e as que investem (todo o seu espírito voluntarista) nas Freguesias rurais.

Aguarda-se que a oportuna abertura para os novos apoios e financiamentos não venha exacerbar, mais uma vez, a concorrência e a rivalidade entre as diversas Coletividades e associações, e realçar a paradigmática diferença (entre elas) quanto ao acesso privilegiado aos decisores camarários locais, que detêm nas suas mãos o poder hipotético da discricionariedade. Montijo tem tudo a perder.

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E tudo a ganhar.

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