Comboios do terceiro mundo!

Comboios do terceiro mundo!

Comboios do terceiro mundo!

19 Junho 2026, Sexta-feira
Deputada do Chega

Tendo já sido um serviço público de excelência, o transporte ferroviário da Fertagus é, agora, um serviço que não cumpre os mínimos porque, todos os dias, milhares de pessoas são transportadas entre as duas margens do Tejo em condições desumanas. Esta situação já levou, inclusivamente, a Comissão de Utentes a apresentar, este ano, queixa contra o Estado português junto da Comissão Europeia e junto da Provedoria de Justiça devido às condições em que são diariamente transportados, tendo sido criada uma petição pública a exigir a melhoria do serviço.

Em causa estão atrasos frequentes, supressões de comboios, sobrelotação, falhas de climatização, anomalias nas portas e avarias recorrentes do material circulante a ponto de haver relatos de utentes que se sentem mal, obrigando mesmo a uma intervenção dos serviços de socorro. E para quem não acredita nos relatos, basta ver as fotografias e vídeos que os próprios utentes têm partilhado nas redes sociais e nos quais se vê os passageiros esmagados dentro das carruagens ou a não conseguirem entrar porque não cabe mais ninguém. Estas situações não só são indignas como são graves, porque colocam em risco a segurança e a vida das pessoas.

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O partido CHEGA tem acompanhado o tema na Assembleia da República com audições aos peticionários, ao ministro das Infraestruturas e à secretária de Estado com a pasta dos transportes. A este propósito, confesso que me chocou ouvir a senhora secretária de Estado dizer que há pouco que se possa fazer no imediato e que o melhor seria os passageiros começarem a optar pelo barco porque também é uma opção disponível.

Bem sei que os comboios não se compram de um dia para o outro e que a bitola ibérica, que é a utilizada em Portugal, dificulta o processo de aquisição de novo material circulante, mas há uma coisa que é preciso dizer: durante anos, PS e PSD alternaram-se no poder e nenhum dos dois partidos teve a preocupação de pensar mais à frente e perceber que uma tarefa como a de renovar frota ferroviária necessita de anos de preparação.

E pior. Reduziram substancialmente o preço dos passes sem se preocuparem com o planeamento e sobrecarga no sistema ferroviário. A redução do preço dos passes foi uma ótima notícia para os passageiros, mas devia ter sido acompanhada de medidas de planeamento e reforço porque o que agora temos é uma procura muito superior à oferta que resulta na descrição que fiz mais acima.

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No que respeita à Câmara Municipal de Almada não há notícia de reuniões entre o Executivo camarário de Inês de Medeiros e o Conselho de Administração da Fertagus, o que é de lamentar porque os almadenses têm sido muitíssimo afetados por estes constrangimentos, havendo, inclusive, relatos de munícipes que viajam de comboio até Coina para, aí, iniciarem a sua viagem ferroviária até Lisboa, caso contrário não conseguirão entrar nas carruagens em Almada devido à sobrelotação.

Infelizmente, Portugal parece um país de terceiro mundo a vários níveis e este é apenas mais um deles.

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