Paulo Ribeiro falava no encerramento da conferência “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, que decorreu esta quarta-feira
“Penso que há motivos para termos o maior desenvolvimento territorial dos últimos 50 anos”. Foi assim que o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna começou a sua intervenção na sessão de encerramento da conferência “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, que decorreu durante o dia de ontem no Fórum Cultural José Figueiredo, na Baixa da Banheira, concelho da Moita.
Paulo Ribeiro refere que o nome da conferência, “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, explica bem o que se vive ao dia de hoje na Península de Setúbal. “[Estas são] dimensões que estão profundamente interligadas, que condicionam de forma determinante a capacidade de atrairmos investimento, emprego, e criar melhores condições de vida dos nossos concidadãos”.
O governante entende que a mobilidade sustentável “dentro e fora da península” é uma das grandes apostas necessárias na região, e refere o Passe Navegante como uma das medidas para que esta mobilidade se faça de forma integrada.
Teresa Almeida, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), entende que “não basta organizar a península para atravessar o rio é necessário olhar para dentro”. Quanto à população da península, a responsável revelou que, desde 2021, a região teve um crescimento de 13% – registando agora quase 1 milhão de habitantes.
Já Sara Silva, vice-presidente da Câmara Municipal da Moita, considerou que as infraestruturas devem ser pensadas sobretudo em função das pessoas e não apenas da sua dimensão estrutural. Nesse sentido, afirmou que o município da Moita continua empenhado em encontrar respostas e em promover investimentos estruturantes que contribuam para o desenvolvimento da região.
Carlos Albino entende que este é o momento para falar da região
O presidente da Câmara Municipal da Moita considera que este é o momento ideal para debater as “matérias que vão moldar o futuro” da região.
“Durante muitos anos a Península de Setúbal foi vista como o parente pobre da Área Metropolitana de Lisboa. O desinvestimento a que o território foi sujeito, agravado por um modelo de organização territorial que não refletia adequadamente a sua realidade e que condicionou o acesso a instrumentos de financiamento fundamentais, contribuiu para acentuar desigualdades e atrasar o seu desenvolvimento”, referiu Carlos Albino na sessão de abertura da sessão.
O autarca destacou que, quando for construída a Terceira Travessia do Tejo, o acesso rodoviário à ponte vai ficar situado neste concelho, facto que pode trazer para este município mais investimento. “Isso, por si só, impactará o concelho”.
“Estamos perante um novo horizonte de oportunidades, mas também perante uma responsabilidade acrescida – garantir que a Península de Setúbal está preparada para aproveitar esta nova fase e transformar estas oportunidades em melhores condições de vida para as nossas populações”, referiu ainda.
Reivindicou também a necessidade de se investir em infraestruturas, nomeadamente na Saúde e Educação, assim como nos transportes. “É fundamental garantir uma verdadeira integração dos transportes, reforçar as infraestruturas e equipamentos em áreas essenciais, como a educação e a saúde, e articular esta transformação com a sustentabilidade do território. Se soubermos antecipar os desafios e aproveitar as oportunidades que se abrem à Península de Setúbal, poderemos gerar benefícios económicos, reforçar a competitividade regional e posicionar o território de forma mais afirmativa nos mercados nacionais e internacionais”.
O diretor-geral da Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET) explica que “estamos hoje numa fase de desenvolvimento institucional da nossa península”. Nuno Maia elogiou o trabalho que está a ser desenvolvido pela Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM-PS), e a forma como este organismo está a alavancar o desenvolvimento da região.
Num momento em que se prepara um novo quadro comunitário de apoio por parte da União Europeia, explica o responsável que “os fundos comunitários não são um fim em si mesmo”, mas compreende a necessidade da captação destes financiamentos, considerando que este é também “um veículo para dar o salto que precisamos”.
As pontes – 25 de Abril e Vasco da Gama – e a Autoeuropa foram três das infraestruturas referidas durante o discurso de Nuno Maia. Entende que, desde aí, “passaram 20 anos e que muito pouco se fez” a nível de desenvolvimento económico. Espera por isso contar com o contributo de todos para que, daqui por 20 anos, se possa dizer que a península se destaca nas grandes regiões no País.
Mobilidade e Alterações Climáticas no centro das discussões
Durante a manhã o debate esteve em torno do tema que dá nome a esta conferência. “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade” levou ao fórum da freguesia da Baixa da Banheira alguns dos principais agentes da região.
Vítor Caldeirinha, presidente dos portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, apresentou propostas de investimentos para aumentar a infraestrutura marítima, ferroviária da infraestrutura situada no concelho de Setúbal. Já Nuno Maia, diretor-geral da AISET considera que a região reúne condições únicas para que a indústria seja a principal prioridade para investimentos.
Rui Ribeiro Rei disse que já está a ser feito um estudo para avaliar a criação de uma nova ligação fluvial entre a Moita e o Parque das Nações, em Lisboa, e o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Pedro Dominguinhos, destacou o potencial humano da península, entendendo que este é um dos ativos menos valorizados da região.
A fechar o painel Artur Mendes, diretor coordenador do Banco Português de Fomento (BPF), destacou como prioridades a diversificação das fontes de financiamento, a maturidade dos projetos e uma maior capitalização das empresas.
No período da tarde a discussão fez-se sobre a “Adaptação do Território às Alterações Climáticas”. Neste momento José Carlos Ferreira, professor da Universidade Nova de Lisboa, alertou para a vulnerabilidade do território, sublinhando que a Península de Setúbal é uma região particularmente exposta aos efeitos das alterações climáticas.
O primeiro-secretário da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM-PS), Álvaro Amaro, defendeu a necessidade de a região adotar uma estratégia conjunta para responder à pressão demográfica, às alterações climáticas e aos desafios ambientais, sublinhando a importância de articular o ordenamento do território, a habitação e o desenvolvimento económico.
Já Fernando Pinto, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, diz que a revisão do Plano Diretor Municipal, que termina esta sexta-feira, vai ter em consideração as fragilidades associadas às alterações climáticas, sobretudo numa área urbana consolidada que apresenta riscos acrescidos. O autarca destacou o crescente interesse de investidores pela região, nomeadamente no setor da habitação e construção, considerando que estes projetos poderão acrescentar valor ao território.
A iniciativa, organizada pelo jornal O SETUBALENSE e apoiada pela AISET contou com o apoio da Rádio PopularFM, Câmara Municipal da Moita, Agrupamento de Escolas de Santo António e Come & Vai – Churrasqueira do Rio. A transmissão em direto foi assegurada pela empresa Are&Be, estando a sessão disponível na íntegra no YouTube do jornal O SETUBALENSE e nas redes sociais.