Professor, refere Refúgio Climático da Várzea como uma das infraestruturas essenciais para mitigar as cheia na cidade de Setúbal
José Carlos Ferreira, professor da Universidade Nova de Lisboa, alertou para a vulnerabilidade do território, sublinhando que a Península de Setúbal é uma região particularmente exposta aos efeitos das alterações climáticas.
O professor, falava durante o painel “Adaptação do Território às Alterações Climáticas”, integrado na conferência “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, que decorre durante todo o dia de hoje no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.
Neste momento sublinhou que é necessário tornar as cidades mais resilientes e adaptadas aos novos desafios ambientais, defendendo que se devem tornar “cada vez mais as nossas cidades permeáveis”.
Entre os principais problemas identificados durante a sua intervenção esteve o risco crescente de inundações. “Temos que resolver o problema das cheias em Setúbal”, afirmou, apontando ainda para a necessidade de investir em soluções de adaptação climática capazes de reduzir os impactos dos fenómenos extremos.
Ferreira explicou que já foram identificadas áreas suscetíveis de acolher novos espaços verdes, estratégia essa que contribuiu para o desenvolvimento do Refúgio Climático da Várzea, um projeto pensado para mitigar os efeitos das cheias e melhorar a gestão das águas pluviais.
No decorrer, destacou igualmente a importância do planeamento no domínio da saúde pública, defendendo uma abordagem integrada da crise climática. Referiu porém que decorrem estudos relacionados com a prevenção e combate a doenças infecto contagiosas, cuja incidência poderá ser agravada pelas alterações climáticas.
Outra das medidas apresentadas passou pelo enchimento artificial de praias, uma solução que visa reforçar a proteção da linha costeira perante os fenómenos de erosão e a subida do nível médio do mar.
Ao longo da sua apresentação o docente referiu que a adaptação climática exige uma visão estratégica de longo prazo, assente na integração das infraestruturas verdes e azuis no planeamento urbano e territorial, de forma a tornar as comunidades da Península de Setúbal mais resilientes perante os desafios ambientais das próximas décadas.