Revisão do Plano Diretor Municipal de Alcochete termina esta sexta-feira e consolidação da área urbana vai ser tida em conta
Fernando Pinto diz que a revisão do Plano Diretor Municipal, que termina esta sexta-feira, vai ter em consideração as fragilidades associadas às alterações climáticas, sobretudo numa área urbana consolidada que apresenta riscos acrescidos.
O presidente da Câmara Municipal de Alcochete falava durante o painel “Adaptação do Território às Alterações Climáticas”, integrado na conferência “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, que decorre durante todo o dia de hoje no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.
O autarca destacou o crescente interesse de investidores pela região, nomeadamente no setor da habitação e construção, considerando que estes projetos poderão acrescentar valor ao território. Referiu também a expectativa em torno de vários investimentos estruturantes para a Península de Setúbal, entre os quais a regeneração do Arco Ribeirinho Sul, a expansão do Metro Sul do Tejo e futuras ligações de transporte entre as duas margens do Tejo.
Ainda dentro das prioridades identificadas destacou a revisão dos Planos Diretores Municipais (PDM), que classificou como instrumentos essenciais para preparar os territórios para os desafios futuros. “Temos de começar a trabalhar por algum lado e as revisões dos planos diretores são fundamentais”, afirmou, reconhecendo, contudo, que estes processos são demorados e exigem uma capacidade técnica que muitas vezes falta ao País.
O autarca começou por recordar que esta não é uma problemática recente, mas sim uma realidade que se tem vindo a agravar ao longo de décadas devido à falta de decisões estruturais.
Segundo Fernando Pinto, o problema foi sucessivamente adiado. “Empurramos o problema com a barriga até chegar uma altura em que não temos outra solução senão enfrentar a situação de frente”, afirmou. O presidente da Câmara lançou ainda uma reflexão sobre o legado a deixar às gerações futuras, questionando: “Que futuro queremos deixar para os nossos filhos e para os nossos netos? Qual será a realidade do dia de amanhã?”.
O autarca considerou que a resposta às alterações climáticas exige uma forte capacidade de união e cooperação. Na sua opinião, os desafios que se colocam à Península de Setúbal e ao mundo só poderão ser ultrapassados através de uma visão coletiva. “Aquilo que nos une é bastante maior do que aquilo que nos separa”, sublinhou, acrescentando que existem objetivos comuns mais importantes do que qualquer divergência partidária.
O presidente daquela autarquia alertou ainda para as vulnerabilidades da Península de Setúbal, defendendo que a região vive perante uma verdadeira “bomba-relógio” ambiental. Entre as principais preocupações apontou a extensa faixa costeira, o aquecimento dos mares e a necessidade de preservar áreas naturais sensíveis.
A serra da Arrábida foi um dos exemplos referidos. Recordou que, apesar de estar diretamente associada aos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra, os seus desafios dizem respeito a toda a região. Destacou igualmente os riscos associados à extensa mancha florestal existente na serra, recordando a aflição vivida em Palmela durante os incêndios que atingiram o concelho.
Para Fernando Pinto, a literacia ambiental deve assumir um papel mais relevante junto das populações, defendendo também uma maior valorização do poder local.
Como exemplo, apontou uma intervenção realizada em Alcochete, num investimento de cerca de dois milhões de euros. Segundo explicou, mais de metade desse valor foi aplicado em infraestruturas subterrâneas que não são visíveis para a população, mas que são fundamentais para a modernização e resiliência do território.
O presidente defendeu igualmente a necessidade de uma visão estratégica para o país e lamentou a falta de escala da economia nacional. Apesar de considerar que Portugal executa muitos projetos com qualidade, entende que persistem dificuldades ao nível da competitividade. “Fazemos tudo muito bem feito, mas depois não temos escala”, afirmou.