Primeiro secretário da CIM-PS alerta para a pressão demográfica na península e defende uma estratégia conjunta
O primeiro-secretário da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM-PS), Álvaro Amaro, defendeu a necessidade da região adotar uma estratégia conjunta para responder à pressão demográfica, às alterações climáticas e aos desafios ambientais, sublinhando a importância de articular o ordenamento do território, a habitação e o desenvolvimento económico.
O responsável falava no painel da tarde da conferência “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade na Península de Setúbal”, que decorre durante todo o dia de hoje.
“Há uma enorme pressão demográfica que não vai parar. Vamos precisar de mais gente, de mais mão de obra”, afirmou, alertando para a necessidade de preparar o território para o crescimento populacional e para as novas exigências económicas e sociais.
Na sua perspetiva, esta realidade obriga a uma mudança de visão e de atitude relativamente às questões ambientais. Apesar de reconhecer que a Península de Setúbal dispõe de características territoriais e ambientais próprias, considerou que os municípios têm trabalhado de forma demasiado isolada, defendendo uma maior articulação entre as diferentes entidades.
O responsável destacou os recursos naturais da região, nomeadamente a Reserva da Biosfera, o Estuário do Sado e a Arriba Fóssil, considerando que estes elementos devem ser encarados como fatores de valorização territorial e diferenciação económica. Defendeu que a identidade própria da Península de Setúbal e os seus ecossistemas representam um trunfo que deve ser aproveitado para atrair atividade e investimento.
A adaptação às alterações climáticas foi também apontada como um dos desafios a considerar no planeamento regional, assim como a necessidade de avaliar a ocupação de terrenos que não estão vocacionados para determinadas atividades económicas.
Neste contexto, Amaro defendeu a elaboração de planos de ação para a habitação e para diferentes setores, articulando as necessidades de ocupação do solo com a proteção ambiental.
A gestão dos recursos hídricos mereceu igualmente destaque, com o primeiro-secretário da CIM a alertar para a necessidade de estudar novas soluções para combater a escassez de água. Entre as medidas apontadas estão o aproveitamento de águas residuais para utilização agrícola, a construção de mais reservatórios para responder a períodos críticos e o reforço da capacidade de captação.
Referiu ainda que as perdas de água na rede rondam os 34%, considerando necessário melhorar a eficiência dos sistemas e procurar novas origens de abastecimento. A transferência de água da barragem de Castelo do Bode foi apontada como uma solução que já demonstrou resultados, embora defenda a análise de outras alternativas.
Para concretizar estas medidas, o primeiro secretário considerou essencial garantir financiamento e apostar na aquisição de solo estratégico, de forma a preparar a região para acolher novas atividades económicas e responder às necessidades futuras.
“As soluções existem, estão aqui, são para ser testadas”, afirmou, defendendo que a região deve aproveitar os recursos e as oportunidades de que dispõe para desenvolver respostas concretas aos desafios identificados.
A identidade própria da região foi também apontada como um elemento com potencial para contribuir para a valorização económica do território. Segundo Álvaro Amaro, a identidade cultural da Península de Setúbal constitui um fator de atração que deve ser integrado na estratégia de desenvolvimento regional.
O responsável terminou reforçando a importância de uma abordagem transversal às questões ambientais, envolvendo diferentes áreas de atividade e os vários municípios da região. “O ambiente está ligado a diversos setores, portanto estamos a trabalhar de forma unida”, concluiu.