Há 29 anos que Carla Araújo atravessa Setúbal de ponta a ponta. Conhece-lhe as ruas, os ritmos e as mudanças. Chegou em 1997, vinda de fora, e acabou por ficar. Atualmente, considera-se setubalense do coração. A sua história é uma entre muitas que ajudam a contar os 100 anos do distrito, um território construído não apenas por datas, mas pela vida quotidiana de quem aqui escolheu viver.
Trabalhava no Poceirão quando decidiu morar na cidade do rio azul, “Resolvi ver os preços das casas em Setúbal e eram muito mais baratos do que na zona onde eu vivia, que era no Feijó. Para além disso, eu já estava um bocadinho farta de viver no Feijó, porque é um dormitório, só prédios. Sempre gostei muito de Setúbal, achava uma cidade muito bonita, com uma envolvente incrível: o rio, o mar, a serra”. Apesar de ter crescido noutra zona, já não sente que seja de lá, mas sim deste concelho, “Curiosamente, tenho exatamente o mesmo número de anos a viver em Setúbal que tive no Feijó. Mesmo assim, considero-me basicamente setubalense”, revela, com um sorriso que se abre como o rio Sado ao mar.
Quando se reformar, gostaria de continuar a morar na cidade sadina, porém, numa parte mais rural, visto que, é uma amante da vida campestre: “Quando me reformar, gostava de viver no campo ou então numa casa nos limites de Setúbal, mais numa zona rural. Não é por não gostar de Setúbal, é por querer uma vida mais calma, com terreno, plantar umas alfaces, umas couves, coisas simples. Mas até lá gosto muito de viver aqui e não trocaria Setúbal por nenhuma outra cidade”. Carla Araújo não consegue imaginar um lugar melhor do que Setúbal para a filha, Rosa, crescer: “Ela adora Setúbal e identifica-se muito com a cidade”, afirma com um brilho nos olhos que traduz orgulho e satisfação. Ver a filha fazer o seu percurso feliz neste território, reforça uma certeza antiga: “Para mim, é uma cidade perfeita para viver”. ”Setúbal tem características únicas: é uma cidade envolvida pelo rio, pelo mar e pela serra, e tem uma das baías mais belas do mundo”, sublinha a setubalense, num tom de alegria.
Para a residente, este concelho é incomparável e distingue-se pela qualidade de vida que oferece, “Não é um concelho saturado de prédios, mantém espaços verdes e uma qualidade de vida muito grande”. Entre o azul que encanta e as oportunidades que ficam por aproveitar, Setúbal vive num equilíbrio delicado. Quando o tema passa da paisagem para o desenvolvimento, o entusiasmo dá lugar à hesitação- “Aí já não tenho uma opinião tão positiva. Setúbal é lindíssimo, mas podia explorar melhor as suas características, sem as estragar, para trazer mais emprego, melhorar a economia e o bem-estar das pessoas”. Reconhece que houve uma evolução, porém, ainda existe um longo caminho para percorrer: “Evoluiu muito nos últimos 20 anos, mas ainda há muito por fazer para atingir outro patamar”.
Se tivesse de definir Setúbal numa só palavra, não hesita: harmonia. Para Araújo, esta característica é um elemento de distinção- a capacidade conciliar a vida profissional com a vida pessoal, sem nunca perder de vista a natureza sadina que existe, “Existe uma harmonia muito boa entre a vida profissional, a vida pessoal e toda a envolvente natural: praias, mar e serra. Setúbal permite esse equilíbrio e bem-estar”. A história de Carla Araújo mostra que esta região não é apenas um sítio. Ao longo dos 100 anos, o distrito foi se construindo entre mudanças e continuidades, feito de escolhas. É uma cidade que acolhe, que se sente e que se faz sentir, onde cada rua e cada bairro contam uma história. Porque, mais do que atravessar, Setúbal é um lugar onde se fica.
Texto publicado por Beatriz Eustáquio na edição especial da revista ‘Per Local’, da ESE-IPS