100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
No momento da nacionalização a empresa representava cerca de 5% do Produto Interno Bruto nacional e empregava milhares de trabalhadores
A nacionalização da Companhia União Fabril (CUF), formalizada pelo Decreto-Lei n.º 532/75, de 25 de setembro, constituiu um dos momentos mais marcantes do Processo Revolucionário em Curso (PREC), na sequência dos acontecimentos políticos iniciados com o golpe falhado de 11 de março de 1975. Fundada no final do século XIX a partir da união de duas empresas industriais de Lisboa, a CUF instalou a sua primeira grande fábrica no Barreiro em 1907, tornando-se rapidamente um dos principais motores da industrialização do país.
Sob a liderança de Alfredo da Silva e, mais tarde, de Manuel de Mello, o grupo expandiu-se para setores como a indústria química, construção naval, metalomecânica, papel, petróleo, turismo, banca, seguros e transportes, entre muitos outros. No momento da nacionalização, a CUF representava cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e empregava milhares de trabalhadores, não escapando à vaga de nacionalizações desencadeada após 11 de março de 1975. Na altura, a CUF reunia cerca de 150 empresas, empregava aproximadamente 110 mil pessoas e era considerada o maior grupo económico da Península Ibérica e um dos cinco maiores da Europa.
A nacionalização interrompeu um processo de expansão iniciado décadas antes, mas não significou o desaparecimento definitivo do projeto empresarial. Segundo o Público, durante a década de 80, os diferentes ramos da família Mello regressaram a Portugal e reconstruíram novos grupos empresariais, recorrendo às indemnizações atribuídas pelos bens nacionalizados.
A mesma fonte destaca ainda que antigos responsáveis da família consideram que a principal herança da CUF foi o modelo de gestão e a valorização dos recursos humanos, lamentando a perda desse património empresarial após 1975. Pela sua dimensão económica e pela estreita ligação ao Barreiro, a nacionalização da CUF permanece como um dos episódios mais marcantes da transformação política, económica e social vivida no distrito de Setúbal durante o PREC.