100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
A Ponte 25 de Abril, inaugurada como Ponte Salazar, completa este ano 60 anos e é diariamente usada por cerca de 300 mil utentes
A inauguração da então Ponte Salazar, hoje denominada Ponte 25 de Abril, a 6 de agosto de 1966, veio facilitar a mobilidade entre as margens sul e norte do rio Tejo. A nova travessia estabeleceu, além de uma ligação rodoviária, também uma passagem ferroviária entre os concelhos de Almada e Lisboa. A necessidade de criar esta ligação remonta a meados e 1800.
O primeiro projeto registado é datado de 1879, e pertence ao engenheiro Miguel Pais. A ideia era criar uma ponte rodoferroviária para ligar a zona oriental de Lisboa ao Montijo, segundo se explica no site oficial da Infraestruturas de Portugal (IP). “Os anos de 1950 foram decisivos no que respeita aos estudos sobre a travessia, tendo culminado com a criação do Gabinete da Ponte sobre o Tejo e com o lançamento do Concurso Público Internacional, na localização atual”, foi por esta época que o processo começou a andar.
As obras tinham começado em novembro de 1962 e foram concluídas antes do prazo inicialmente previsto.
A nova infraestrutura, com 2280 metros de comprimento, foi então considerada a maior ponte suspensa
da Europa, a quinta maior do mundo e a maior construída fora dos Estados Unidos da América. Esta, que foi na época considerada a maior empreitada realizada em Portugal, contou com o envolvimento de cerca de três mil trabalhadores.
A cerimónia de inauguração decorreu em Almada e contou com a presença das mais altas guras do Estado português, entre elas o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, o Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, e o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Mais de 12 mil convidados assistiram ao evento, transmitido em direto pela RTP. Logo após as cerimónias oficiais, a ponte foi aberta à circulação automóvel, e formaram-se filas de carros nos acessos.
O acontecimento teve grande destaque na edição do jornal O SETUBALENSE, por duas vezes, uma das quais sob o título “A inauguração da ponte sobre o Tejo”, onde se dava conta da inauguração da “grande Ponte sobre o Tejo, essa maravilha da técnica moderna, estreitando num abraço metálico as duas margens do grande rio”.
“Lisboa e Almada, alcandoradas em colinas fronteiras, fitavam-se desde há séculos, sorriam de longe no seu casario branco; mas separava-as, implacável, um estuário fundo que os barcos iam sulcando”, lê-se na capa
da edição de 6 de agosto de 1966 (sábado). Na segunda-feira seguinte, dia 8 de agosto, o assunto voltava a ter grande destaque com o título “Foi inaugurada a Ponte Salazar”, numa informação que ocupa a capa inteira dessa mesma edição. Além de uma foto onde se vê “os militares do Regimento de Infantaria N.o11 desfilando perante o Chefe do Estado”, nesta página dá-se ainda conta de que todo o distrito “vibrou” com a visita de António de Oliveira Salazar ao distrito de Setúbal.
O chefe de Estado passou por Corroios, Fogueteiro, Paio Pires, Coina, Azeitão e Quinta do Anjo, antes de chegar à cidade de Setúbal, não sem antes passar por Palmela. “Em Palmela, toda a vila aclamou com entusiamo, o chefe de Estado. No Largo do Chafariz encontravam-se as autoridades locais e ainda representações da Moita, Baixa da Banheira, Arroteias, Alhos Vedros e Sarilhos”, lê-se.
No ano em que se celebram 60 anos da inauguração da via de ligação das duas margens a ponte, que até aos dias de hoje já passou por várias empreitadas com o objetivo de se adaptar à procura, é utilizada diariamente por cerca de 300 mil utentes, por rodovia e ferrovia.