26 Junho 2022, Domingo
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Comando dos Bombeiros do Montijo diz que socorro está comprometido e acusa direcção da associação

Operacionais não têm Equipamentos de Protecção Individual, que já haviam sido adquiridos mas que a direcção mandou devolver ao fornecedor, diz o Comando

O socorro está comprometido no Montijo. Quem o diz é o próprio Comando dos Bombeiros Voluntários, que acusa a direcção da associação de adoptar “uma postura que neste momento põe em causa a operacionalidade do corpo de bombeiros e, consequentemente, a boa e eficaz resposta ao socorro” da população.

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Em comunicado, o Comando afirma que os elementos da Equipa de Primeira Intervenção não têm Equipamento de Protecção Individual, apesar da associação ter recebido verbas da Câmara Municipal do Montijo para a aquisição do material.

“Está em causa a protecção dos operacionais que prestam socorro. Logo, o próprio socorro. Neste momento, são um total de 16 operacionais que não têm este equipamento. Não podem desempenhar as suas funções por estar em causa a sua integridade física e segurança nas operações, nomeadamente no combate a incêndios estruturais”, denuncia o Comando.

“A nossa estimada população precisa de saber que do esforço dos contribuintes resultou um apoio da autarquia especificamente para a compra de Equipamento de Protecção Individual (EPI) personalizado para a Equipa de Primeira Intervenção, cuja encomenda já havia sido feita pela anterior direcção”, lembra, para responsabilizar de seguida a direcção pela inviabilização da aquisição.

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“O referido EPI já foi entregue pelo fornecedor, mas a direcção em exercício ordenou a sua devolução, alegando falta de provimento para o efeito. O que é falso, pois a autarquia já havia canalizado esforços para o efeito. Isto terá de ser cabalmente explicado, não só aos operacionais, bem como aos munícipes e aos sócios”, revela o Comando dos Bombeiros que se queixa também de ser sistematicamente ignorado pela direcção. “As respostas continuam a não surgir, e os equipamentos solicitados e já pagos pela autarquia para dotar os nossos operacionais da ‘linha da frente’ também não.”

A situação já foi comunicada pelo comandante Pedro Ferreira ao presidente da Câmara Municipal, Nuno Canta. E a direcção da associação acabou por decidir terminar com a comissão de serviços do comandante, que assim deixa de ser assalariado.

“Esgotados os recursos de diálogo internos e como estão envolvidas verbas públicas encaminhadas pela autarquia, o comandante viu-se obrigado a reportar ao presidente da Câmara. Mas, infelizmente, como represália de o ter informado sobre a situação actual do Corpo de Bombeiros do Montijo, recebe o comandante à data de 11 de Abril indicação para cessar a comissão de serviços para com a associação a partir do dia 12 de Maio de 2022”, lê-se no comunicado, que dá também conta de o Comando estar há um ano “ainda incompleto”. “Porque a actual direcção inexplicavelmente e sem argumentação plausível não dá posse a um elemento que já está homologado para o efeito pela Direcção Nacional de Bombeiros e também pela Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil.”

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O Comando acusa ainda a direcção, presidida por Jorge Lopes, de descurar o encaixe financeiro que poderia ser feito com acções de formação por parte dos bombeiros. “Com a formação, igual. Estabelecidos contactos com o comandante para agilizar processos e seleccionar os formadores, esta direcção chama a si essa responsabilidade e em resultado temos acções de formação que foram canceladas por ausência de resposta. O que se traduz em dano institucional por negligência da direcção (simplesmente não respondeu e a formação perdeu-se).”

O Comando – formado pelo comandante Pedro Ferreira, pelo 2.º comandante Ricardo Gonçalves, pelo adjunto Nuno Carvalho e pelo adjunto indigitado Carlos Sequeira – avança ainda com um balanço à actividade do Corpo de Bombeiros. “A partir do segundo semestre de 2021 e até à data, o Corpo de Bombeiros aumentou a resposta operacional em todo o concelho. Temos falta de pessoal para a resposta operacional e agora perante a possibilidade do comandante não estar presente a tempo inteiro para comandar as operações ainda se poderá tornar mais complicado. Esta imposição de cessação de serviço deve-se a uma ‘vingança’ que vem desde Janeiro (data de tomada de posse da nova direcção)”, conclui.

Contactado por O SETUBALENSE, Jorge Lopes, presidente da direcção, remeteu esclarecimentos para mais tarde.

O SETUBALENSE não conseguiu contactar a Câmara Municipal do Montijo, já que os serviços encerraram ao início da tarde.

(Leia abaixo o comunicado na íntegra)

Comunicado do Comando do Corpo de Bombeiros Voluntários do Montijo

Antes de sermos acusados de fazer exatamente o que há pouco mais de um ano o anterior Comando em exercício fez (ao colocar a público problemas internos que nada mais foram que não uma ilegal insurgência contra os corpos dirigentes à data em exercício), permitam-nos esclarecer que não somos iguais.

Este comunicado apenas ocorre porque ao abrigo da defesa dos superiores interesses dos cidadãos que juramos socorrer, e mesmo em favor dos bons princípios da instituição a que pertencemos e ainda em prol dos nossos estimados Bombeiros, não podemos deixar de informar que a actual direcção do Corpo de Bombeiros Voluntários do Montijo, imagine-se, adoptou uma postura que neste momento põe em causa a operacionalidade do Corpo de Bombeiros e consequentemente a boa e eficaz resposta ao socorro dos nossos estimados munícipes.

Porque a par dos regulamentos próprios dos bombeiros está a Lei e o dever moral, os estimados munícipes têm o direito de saber que este Comando está, um ano depois, ainda incompleto, porque a actual direcção inexplicavelmente e sem argumentação plausível não dá posse a um elemento que já está homologado para o efeito pela Direcção Nacional de Bombeiros e também pela Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil.

Tudo isto provoca prejuízo organizacional na estrutura operacional interna, na representatividade do Corpo de Bombeiros a nível local, distrital e consequentemente nacional.

Não confundindo por nunca o respeito institucional a que somos obrigados e que cumprimos escrupulosamente, não podemos estar silenciados, quando nos vemos representados institucionalmente por uma direcção que não respeita a estrutura operacional a ponto de não se dignar sequer a convidar o Comando em exercício para a sua tomada de posse, mostrando precocemente as suas reais intenções para com este.

A nossa estimada população precisa de saber que do esforço dos contribuintes resultou um apoio da autarquia especificamente para a compra de Equipamento de Protecção Individual (EPI) personalizado para a Equipa de Primeira Intervenção, cuja encomenda já havia sido feita pela anterior direcção. Pois, o Comando, que até então estava com esta em parceria estreita, deu obviamente o seu parecer técnico. Com a nova direcção, tudo muda drasticamente, sendo o Comando convidado a abster-se de participar no processo de aquisição de equipamentos.

Com a formação, igual. Estabelecidos contactos com o Comandante para agilizar processos e seleccionar os formadores, esta direcção chama a si esta responsabilidade e em resultado temos acções de formação que foram canceladas por ausência de resposta. O que se traduz em dano institucional por negligência da direcção (simplesmente não respondeu e a formação perdeu-se).

O anteriormente referido EPI já foi entregue pelo fornecedor, mas a direcção em exercício ordenou a sua devolução alegando falta de provimento para o efeito. O que é falso, pois a autarquia já havia canalizado esforços para o efeito. Isto terá de ser cabalmente explicado, não só aos operacionais, bem como aos munícipes e aos sócios.

Desta feita, está directamente em causa a protecção dos operacionais que prestam socorro. Logo, o próprio socorro. Neste momento são um total de 16 operacionais que não têm este equipamento. Não podem desempenhar as suas funções por estar em causa a sua integridade física e segurança nas operações, nomeadamente no combate a incêndios estruturais.

Neste momento, a direcção do Corpo de Bombeiros é liderada por um presidente ausente que tardiamente se digna a responder às questões colocadas pelo Comandante, e por e-mail. Em alternativa, delega constantemente no vice-presidente, Sr. Américo Moreira.

Importa referir, que o Sr. vice-presidente é nada mais nada menos do que o anterior Comandante cuja comissão não fora renovada legalmente por limite de idade, mas também por nada de mais ter acrescentado ao Corpo de Bombeiros.

O Sr. vice-presidente já não comanda, talvez seja importante relembrar que por mero respeito aos anos de carreira foi integrado no Quadro de Honra, mantendo-se assim sujeito ao dever de respeito para com a estrutura de Comando em exercício de funções, coisa que não está a acontecer com base nas constantes tentativas de interferência na Área Operacional.

É um facto que este Comando há cerca de um ano “herda” um Corpo de Bombeiros fracturado e com graves problemas de imagem e de equipamento, e que de tudo tem feito para reerguer o mesmo. Ainda não conseguimos dar a resposta que desejávamos, à altura do que os nossos munícipes merecem, mas os números já apresentados à autarquia falam por si.

Temos plena consciência de que estávamos no caminho certo até sermos “atropelados” por uma direcção que teima em reincidir nos velhos hábitos do quero, posso e mando do antigo comandante, ao ponto da direcção assumir em Assembleia de Câmara garantias de cariz operacional que não são da sua competência.

Reiteramos que sempre estivemos dispostos a ter uma proximidade com a direcção em exercício, que nos foi inexplicavelmente negada ao ponto de culminar agora numa coacção ao Comandante (funcionário) para tomar conhecimento que lhe vai ser imposto o terminus do exercício de função enquanto profissional.

Por outras palavras, o único elemento de Comando em permanência funcional na associação que tudo tem feito em prol da operacionalidade da instituição está em vias de ser dispensado. Não é só.

Ponderadamente, a anterior direcção promoveu a formatação de uma estrutura de Comando dotada de elementos com provas dadas em matérias como a disciplina, formação e experiência. Essa estrutura está agora em causa, e consequentemente o bom caminho em que se encontra o nosso estimado Corpo de Bombeiros.

A constante ausência de respostas céleres às necessidades operacionais do nosso Corpo de Bombeiros, obrigaram o Comandante a precaver-se, começando inicialmente a dar conhecimento das solicitações, de modo interno, aos demais órgãos institucionais da associação (presidentes da Assembleia Geral e Conselho Fiscal). A actual direcção mantém até hoje a política do distanciamento ou da delegação de competências no vice-presidente, não dando celeridade às necessidades imediatas do Corpo de Bombeiros.

As respostas continuam a não surgir, e os equipamentos solicitados e já pagos pela autarquia para dotar os nossos operacionais da “linha da frente” também não.

Esgotados os recursos de diálogo internos, e como estão envolvidas verbas públicas encaminhadas pela autarquia, o Comandante viu-se obrigado a reportar ao Sr. presidente da Câmara. Mas, infelizmente, da reunião com esta entidade, como represália de o ter informado sobre a situação actual do Corpo de Bombeiros do Montijo, recebe o Comandante à data de 11 de Abril indicação para cessar a comissão de serviços para com a associação a partir do dia 12 de Maio de 2022.

A direcção também é clara na intenção de querer cessar a comissão enquanto Comandante. Tal não é possível por este depender directamente do Comandante Distrital e teria que ser com base em um processo disciplinar. A menos que se “invente”, não há inequivocamente matéria para tal, mesmo após este comunicado. Durante este primeiro ano em funções, o Comandante e consequentemente o Comando, sempre cumpriu e fez cumprir as normas e os regulamentos.

A partir do segundo semestre de 2021 e até à data, o Corpo de Bombeiros aumentou a resposta operacional em todo o concelho conforme mapas entregues e que a anterior direcção pode validar, pois acompanhou de perto os progressos. Temos falta de pessoal para a resposta operacional e agora perante a possibilidade do Comandante não estar presente a tempo inteiro para comandar as operações, ainda se poderá tornar mais complicado. Esta imposição de cessação de serviço deve-se a uma “vingança” que vem desde Janeiro (data de tomada de posse da nova Direção).

Depois do Comandante, é previsível que irão forçar outras saídas, como por exemplo o 2.º Comandante (voluntário), o coordenador de serviços (que com ele veio aumentar em muito a resposta), e de mais 2 técnicos de emergência médica, fundamentais para o socorro diário. Alegam-se cortes com despesas salariais, mas quer-se poupar com a dispensa dos funcionários mais produtivos e competentes.

Ao abrigo da poupança “cega”, foi imposto ao Comandante que deixasse de usar o veículo próprio do Comando VCOT (VW Amaroc, mais moderno) nas suas deslocações casa-trabalho (previstas em contrato), e que passasse a usar veículos com mais de 20 anos (Nissan-Patrol) que trazem garantidamente mais despesas de combustível e que comprometem a celeridade e prontidão operacional do Comandante nas deslocações de casa directamente para os “teatros de operações”.

Infelizmente, constatamos que tudo o que estava a ser construído pela anterior direcção é destruído em 4 meses pela actual. Com o índice populacional que servimos, estará na iminência ser difícil colocar 4 ambulâncias de socorro a prestar auxílio, o Comando das operações vai ficar comprometido pois não existirá elemento de Comando em permanência diariamente no quartel.

Entristece-nos o facto de que durante o primeiro ano como Comandante do Montijo, juntamente com os outros elementos de Comando e muitos operacionais, tenhamos conseguido mudar a imagem funcional do nosso Corpo de Bombeiros, constatando que agora em 4 meses tudo cairá apenas por vinganças mesquinhas e de forma inexplicável. Entristece-nos também que pessoas como o anterior Comandante, agora director, que tanto mal fez a alguns operacionais e que nada acrescentou ao bom-nome da associação, seja agora o principal mentor desta vingança.

Também temos que nos lembrar que as EIP, Equipas de Intervenção Permanente, que recebem subsídios de Câmara Municipal (50%) e Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (50%) para o pagamento de salários, estão na dependência directa do Comandante e do presidente da Câmara, o que quer dizer que, se o Comandante não está, como funciona a unidade de Comando nas EIP?

Ao que apurámos, com operacionais na 1.ª pessoa, o anterior Comandante, agora director, retirou constantemente elementos da EIP para efectuar serviços que estão interditados a estes operacionais, nomeadamente serviços de transporte de doentes e outros em pleno horário laboral (consta em documentação).

Esta reincidência já foi tentada pelo Sr. director recentemente e só não aconteceu por intervenção do Comandante. Que responsabilidades podem ser imputadas ao Comandante se de futuro o mesmo não está presente por não ter vínculo profissional com a associação? Tal não acontece agora, pois o Comandante está todos os dias no quartel.

Para finalizar, importa sublinhar que não nos revemos, de todo, nesta forma de agir, mas não podemos deixar de referir que os nossos valores não permitem compactuar com o facto de estarmos de momento a ser representados por elementos que não estão de todo a honrar a nossa prestigiada instituição centenária.

Já éramos Bombeiros antes da vinda deste elenco directivo, e continuaremos seguramente a ser, pois o facto de cumprirmos o dever moral de divulgar sobre a forma como os nossos Bombeiros estão a ser tratados e de divulgarmos sobre a usurpação de que estamos a ser alvo não poderá, por nunca, confundir-se com um acto de indisciplina ou de desrespeito deste Comando (que representa os nossos estimados Bombeiros), para com os corpos dirigentes.

Reiteramos que tal, neste acto de comunicação, não aconteceu, pelo que, qualquer tentativa de acção disciplinar será debatida nas mais altas instâncias, pois só poderá resultar de mais um acto de retaliação.

Como prestador directo de serviços à população podemos sem dúvidas garantir que se mais não fizemos ou fizermos, não será de certeza por falta aos nossos deveres ou por falta de vontade, mas por falta do apoio que nos é devido, em primeira mão pela direcção que não está de todo a cumprir com as obrigações que lhes foram legitimamente confiadas.

“Contamos com os nossos Bombeiros

Servimos a nossa População”

A Bem da Humanidade

“VIDA por VIDA”

Quartel em Montijo, 13 de Abril de 2022

O Comando:

Comandante Pedro A. Ferreira

2.º Comandante Ricardo M. Gonçalves

Adjunto Comando Nuno M. Carvalho

Adjunto Comando Indigitado Carlos G. Sequeira

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