Zona ribeirinha – Cais 3, vinte anos depois

Zona ribeirinha – Cais 3, vinte anos depois

Zona ribeirinha – Cais 3, vinte anos depois

, Professor
27 Abril 2026, Segunda-feira
Professor

Em Setembro de 2007 iniciei as minhas crónicas “Pensar Setúbal”.

Quase 20 anos consecutivos.

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Numa das primeiras crónicas, escrevi o seguinte; “Quanto ao edifício amarelo onde está escrito “Porto de Setúbal”, o referido edifício foi submetido, pelos mesmos motivos invocados anteriormente (o 10 de Junho), a idêntica operação de cosmética, esta mais elaborada. Transformaram a entrada num salão enorme (muito bonito, em boa verdade), com janelas envidraçadas, para a sessão solene. Só que o problema persiste. Este edifício, construído nos anos 40, tem servido basicamente de armazém e apresenta, também ele, um estado de degradação apreciável, está cheio de fissuras, vidros partidos e encontra-se cheio de humidade, uma vez que chove lá dentro. Quem por lá passar de dia, mas sobretudo, de noite e se acercar deste edifício, constata com tristeza a solidão, o silêncio, o abandono e a desolação que varre todo o perímetro, num local privilegiado de animação, como este. 

Sei, através de fonte absolutamente fidedigna, que este edifício foi, nos anos 90, projectado para ser um local onde atracariam navios de passageiros e toda a área seria constituída pelas estruturas de apoio inerentes, com restaurantes e esplanadas, existindo inclusivamente já uma parceria com uma empresa estrangeira que se mostrou altamente interessada no projecto. Estiveram técnicos do LNEC a analisar a estrutura do subsolo, que carece de algumas obras de consolidação e estava tudo bem encaminhado até que o governo de então não deu seguimento ao projecto, com receio que poderia eventualmente fazer concorrência a Lisboa. 

Ou seja: temos uma área onde se poderiam receber barcos de passageiros, restaurantes e esplanadas panorâmicas, sem qualquer utilização. Mas o mais grave é o facto de não se entrever nenhuma solução que tire este edifício do marasmo em que se encontra.”

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O que escrevi há quase 20 anos, mantém-se infelizmente bastante actual. O edifício está na mesma, degradado e abandonado, bem como as suas envolvências.  

Todo este preâmbulo vem a propósito da notícia veiculada pelo “Setubalense” que a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) irá ceder o edifício amarelo denominado Cais 3 para que seja gerido pela Câmara Municipal de Setúbal (CMS).

De acordo com o auto, a cedência é feita por um período de dez anos. A CMS irá promover iniciativas diversas, assumindo também a responsabilidade pela manutenção, conservação e segurança do espaço, valorizando a frente ribeirinha e de aproximação entre a cidade ao rio.

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Setúbal tem estado, ao longo de sucessivas décadas, de costas voltadas para o rio e para o mar. Foi com Maria das Dores Meira que teve início a dinamização da zona ribeirinha.

O Parque Urbano de Albarquel é disso um exemplo. Ainda muito longe das suas reais potencialidades, mas bem melhor do que existia anteriormente.

Em termos gerais, a zona ribeirinha de Setúbal ainda é uma amálgama de espaços anacrónicos, com muito pouca sequencialidade ou coerência. Existem muitos edifícios inoperacionais/abandonados/degradados.

Quem passar pelo Terminal 7, constata de imediato que o edifício, os acessos (pedonais e rodoviários) e as envolvências são uma perfeita vergonha. Eu diria mesmo uma indignidade.

Agora que o Cais 3 está sob a alçada da CMS, permitam-me duas perguntas:

1 – Vamos, ou não, ter a Marina, desde a Doca das Fontaínhas até ao Clube Naval?

2 – Vamos, ou não, ter navios de cruzeiro de média dimensão a entrarem no Rio Sado?

As respostas a estas questões, determinam a tipologia de intervenção a realizar no Cais 3.

Sou da opinião que deveria demolir-se o edifício; mantendo a área e altura, contruir outro mais moderno, funcional, com restaurantes e esplanadas exteriores, salvaguardando a sua vertente cultural.

Tenho perfeita consciência que, como arrendatária, a CMS não pode tomar essa decisão. Mas, para mim, seria a melhor solução. O Cais 3 foi construído nos anos 40/50 para uma finalidade (armazéns); irá ter outra completamente diferente (turismo, cultura e lazer). 

Decidindo-se, ao que tudo indica, pela sua manutenção, o edifício deve sofrer uma intervenção estrutural, de fundo, de forma a operacionalizá-lo definitivamente, uma vez que se encontra muito degradado, decorrente da incúria e do desinteresse a que foi votado, ao longo de décadas. 

E já agora que estamos nessa zona, permitam-me uma observação: o edifício bordeaux adjacente ao Cais 3, encontra-se também abandonado e bastante degradado.

Urge também fazer algo em relação a esse imóvel. Espero que não sejam necessários mais 20 anos.

Ficam aqui as sugestões.    

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