O Pacote Laboral é para cair, afirmaram mais uma vez os trabalhadores na semana passada na grande manifestação convocada pela CGTP-IN. Uma jornada de luta marcada pela força, unidade e determinação dos trabalhadores contra o pacote laboral, contra as normas gravosas da legislação laboral, pelo reforço dos seus direitos e por melhores salários. Disseram, tal como já o tinham dito em setembro e novembro do ano passado, na grandiosa greve geral de 11 de dezembro, em fevereiro deste ano e agora novamente em abril.
Uma jornada de luta marcada igualmente pela grande participação dos trabalhadores, de norte a sul do País e ilhas, de diversos setores públicos e privados. Grande participação também dos trabalhadores do Distrito de Setúbal, com um sublinhado particular para o facto de, nesse dia, várias empresas terem parado, com destaque para a Autoeuropa, que não produziu uma única viatura, o que demonstra a consciencialização e a mobilização dos trabalhadores face à brutal ofensiva do Governo com este pacote laboral.
A luta dos trabalhadores já obrigou o Governo a alterar os seus intentos iniciais. A verdade é que o Governo não contava ter de enfrentar a força, unidade e combatividade dos trabalhadores contra a sua proposta. Isso tem-se refletido na chantagem e pressão que tem estado presente nas intervenções quer do Governo, quer do patronato, pretendendo fazer passar pela janela o que não conseguiram fazer passar pela porta.
Os trabalhadores afirmaram “alto e bom som” a rejeição do pacote laboral, e que não aceitam retrocessos. Não aceitam a exploração e precariedade, porque sabem que a precariedade nas relações laborais é a precariedade na sua vida. Não aceitam a desregulação dos horários de trabalho, porque sabem que isso significa que não há articulação entre a vida profissional e pessoal e que não conseguem acompanhar o crescimento dos seus filhos. Não aceitam a facilitação dos despedimentos, porque os trabalhadores não são mais uma peça na fábrica, são homens e mulheres cujos direitos têm de ser respeitados. Não aceitam baixos salários, porque sabem que são os trabalhadores que criam a riqueza neste País e não é justo que esta seja apropriada pelos grupos económicos para aumentar os seus lucros, enquanto os trabalhadores e as suas famílias vivem com cada vez mais dificuldades.
Falam de modernidade, quando o que Governo e patronato pretendem impor o que mais velho há. Qual é a modernidade de trabalhar 10, 12, 16 horas? Ou qual é a modernidade de não saber como será o dia de amanhã, se terá ou não trabalho? Ou qual é a modernidade de poder ser despedido sem justa causa? O que pretendem é a lei da selva com um único objetivo, aumentar a exploração dos trabalhadores, como se os trabalhadores não tivessem direito a ter direitos, estabilidade, condições de vida, tempo para si e para a sua família.
A luta contra o pacote laboral vai prosseguir nos locais de trabalho e nas ruas, no âmbito das comemorações do 25 de Abril e da Jornada de Luta do 1.º Maio. A participação de todos é fundamental para combater retrocessos, para afirmar e defender os direitos conquistados em Abril, consagrados na Constituição, que neste ano se assinala os seus 50 anos, para derrotar o pacote laboral, e lutar por direitos, salários e uma vida digna.
O pacote laboral está rejeitado, há que prosseguir a luta para o derrotar.