São claríssimos os motivos da contestação dos jovens que começou no Porto e que, entretanto, alastrou a Lisboa, Coimbra, Braga, Évora, Funchal e talvez não fique por aqui.
É o efeito, em cheio, do capitalismo. As imorais desigualdades. Os 10% mais ricos concentram 59% da riqueza das famílias em Portugal. Nos últimos 15 anos, essa riqueza duplicou. Depois temos os fabulosos lucros dos principais grupos económicos, da banca, o pessoal dos vistos gold e outros beneficiados estrangeiros e nacionais.
Ou seja, a fina flor dos beneficiados do sistema que é representado pelos respetivos partidos do mesmo: PS, PSD, CDS, IL e Chega. Todos com excelentes casas e muitos deles, investindo também no setor, como os fundos abutre.
Quem ainda conseguiu casa através de cooperativas de habitação que, entretanto, deixaram de ser apoiadas, e no tempo em que havia alguma decência, depois a maioria, é o salve-se quem puder. E quem menos pode, são os jovens. Quem é que tem ordenado compatível com a renda de uma casa com um mínimo de condições para constituir família? Ou com o empréstimo ao banco no caso de compra?
No tempo do fascismo, recorria-se a barracas. Agora, para o regime dar ares de alguma decência, proibia-as. Claro que era uma solução, em tantos casos, deplorável. Mas agora, não menos. Amontoam-se as pessoas em quartos.
Portanto, os motivos da contestação são claríssimos e justificáveis. E a solução? Não. Para já, nem a curto ou a médio prazo. A longo, sim. A solução existe. Até, aparentemente, fácil. Já vimos quem são os culpados e quem são os seus representantes políticos. Bastava que o povo deixasse de votar neles e passasse a votar na oposição. Não é verdade? E, claro, entre a oposição, avaliasse bem qual a mais credível.
Evidentemente que isto tem muito de utopia. O condicionamento e manipulação das classes privilegiadas para com os explorados, tem séculos. Embora, claro, se tenha evoluído. Já lá vai a escravatura e o feudalismo. Mas o capitalismo tem-se adaptado e subsiste. Mas também não será eterno.
Portanto, cabe a cada um de nós, dar a sua contribuição, por muito modesta que seja, para a solução deste grave problema da habitação, como de tantos outros, causados pelo sistema que tudo faz para mantê-los, em benefício escandaloso, de uma minoria à custa da exploração da grande maioria. E quando se diz que tudo o sistema capitalista faz, para manter esta situação imoral, é isso mesmo! A começar pelo condicionamento e manipulação mediática, até à guerra. Recorrem mesmo a tudo. Até à guerra que tantas vítimas provoca e também do ponto de vista económico, como sabemos. Exceto uma coisa, é tudo mau na guerra. Até do ponto de vista ambiental, já para não falar no moral. Mas há o lucro. E não é pouco quem lucre com ela; a indústria do armamento a que eufemisticamente chamam de defesa.
Conclusão, os jovens deram o mote, o que é muito positivo, pode ser moroso o grande empreendimento, mas não impossível.
Mãos à obra!