Estamos a quatro dias das comemorações do 52.º aniversário do 25 de Abril. Data maior da nossa história recente, que nos trouxe a Liberdade e com ela eleições livres, o Poder Local Democrático, todos os direitos cívicos: constituição de partidos políticos, igualdade de género, liberdade de expressão e de reunião, o Serviço Nacional de Saúde, enfim, tantas coisas fundamentais que o anterior regime nos negava e impunha o silêncio, a repressão através da polícia política, a PIDE/DGS e a Guerra Colonial.
Portanto, é imprescindível que os mais velhos transmitam aos mais novos o que foi a Revolução dos Cravos, porque é que ela aconteceu, quem foram os seus principais, mas todos os protagonistas, dizer-lhes que muitos e muitas foram perseguidos, presos, torturados e mesmo tantos pagaram com a própria vida para que acontecesse o que, como disse Sophia;” O dia inicial inteiro e limpo/Onde emergimos da noite e do silêncio/ E livres habitamos a substância do tempo”. Para termos o regime que temos e a democracia. Onde, evidentemente, para além do papel fundamental dos tais que arriscaram, sofreram e tombaram, os Capitães de Abril e todos os militares que sob o seu comando, nele participaram.
E aqui chegados, um jovem a quem não tenha sido explicado os ideais de Abril, ou quem já esteja baralhado e desiludido com o país tão assimétrico e injusto que ainda temos, é preciso dizer-lhes que a culpa não é desses ideais que se sintetizam nos famosos três Ds do MFA: descolonizar, democratizar e desenvolver.
O primeiro, apesar das dificuldades inerentes a tão importante, justo e imprescindível empreendimento, foi o mais conseguido dos três. O desenvolvimento podia ter sido mais completo e a democratização implicava e implica, bem mais justiça social. Mas, como sabemos, e apesar de termos uma Constituição (também filha do 25 de Abril) mesmo depois das sucessivas revisões, ser uma das mais progressistas do mundo, estão longe de se cumprirem os ideais do 25 de Abril.
Com a Reforma Agrária e com as Nacionalizações, criaram-se as bases para uma sociedade bem mais justa que a atual. Mas tudo isso foi desbaratado e até o SNS vai nesse sentido.
Os que nunca se conformaram plenamente com o 25 de Abril, acabaram com a Reforma Agrária, privatizaram o essencial da economia, e com o controlo dos principais órgãos da comunicação social, condicionaram e manipularam o povo para que votasse larga e maioritariamente nos seus partidos representativos. E na AR e nos sucessivos Governos, PS e PSD coligados ou não com o CDS, têm cumprido esse papel. Agora reforçado com a Iniciativa Liberal e o Chega. Mas com o que resta do 25 de Abril, e com os partidos à esquerda do PS, sobretudo com o PCP e seus aliados da CDU, a luta dos trabalhadores no ativo, na reforma, e o povo em geral, pode voltar a erguer-se Abril. E só dessa maneira, teremos um país bem mais justo como imaginaram e porque se bateram os seus obreiros.
Portanto, em nome da justiça social e da paz, 25 de Abril sempre!