O drama do condicionamento das praias da Figueirinha, Galápos, Arrábida: Uma proposta de solução

O drama do condicionamento das praias da Figueirinha, Galápos, Arrábida: Uma proposta de solução

O drama do condicionamento das praias da Figueirinha, Galápos, Arrábida: Uma proposta de solução

, Professor
8 Junho 2026, Segunda-feira
Professor

Mais uma época balnear se inicia, e mais uma vez, encontramo-nos fortemente condicionados no usufruto das praias compreendidas entre a Albarquel e a Arrábida.

 Antes de nos deslocarmos para essa zona, comecemos por Tróia, que para nós, setubalenses, é um assunto encerrado. A antiga ligação física e afectiva entre Setúbal e uma das suas praias de eleição, terminou.

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O preço individual dos ferrys é de 5,50 euros; automóvel ligeiro de passageiros (um passageiro), 21 euros; cada passageiro a mais, 5,50 euros.

Quanto aos catamarans, duas viagens custam 9,30 euros, pelo que uma família setubalense de quatro pessoas, para ir à praia despende 37,20 euros.

Somente transporte; fora o resto. 

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Estes preços intencionalmente proibitivos que se praticam para efectuar a travessia, são determinantes para o afastamento dos setubalenses.

Resta-nos esta zona compreendida entre a Albarquel, Comenda, Figueirinha, Galápos, Galapinhos, Praia dos Coelhos e Arrábida.

Estas praias estão quase na totalidade localizadas junto aos primeiros contrafortes da vertente Sul da Serra da Arrábida que em muitos troços, apresenta uma orografia instável, irregular e abrupta, caindo a pique precisamente junto às nossas praias.

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A Serra da Arrábida é constituída essencialmente por calcário, que é uma rocha algo friável, ou seja, desagrega-se com a passagem do tempo e dos agentes erosivos.

Toda a extensão da orla marítima, desde o Outão até ao Creiro, apresenta uma apreciável instabilidade, com pedregulhos que se soltaram da vertente Sul e que foram rolando encosta abaixo, até ao mar, ao longo dos sucessivos séculos.

As obras de consolidação da vertente Sul são apenas paliativos, uma vez que basta um inverno chuvoso como aquele que tivemos este ano, para que muito material se solte, com especial perigosidade para os pedregulhos de maiores dimensões.

Em Fevereiro de 2023, por razões de segurança, a Câmara Municipal de Setúbal determinou o encerramento do troço Figueirinha-Arrábida, em virtude de haver o risco de queda sobre a estrada de um bloco rochoso, com cerca de mil toneladas.

Portanto, estamos a falar de três anos consecutivos com muitos acessos proibidos.

O “Arrábida sem carros” não resolve a essência do problema.  

A minha solução passa por encher de areia toda a zona compreendida entre a Figueirinha e o paredão de Galapinhos, colocar duas faixas de rodagem na nova praia, de circulação lenta, com estacionamentos entre elas, e com a colocação posterior de bares e restaurantes.

Recordemos que, nos anos 80, se não tivesse sido construído o pontão da Figueirinha e em 2004, aumentado artificialmente a praia de Albarquel, com areia trazida do rio (cerca 250.000 m3), nunca teríamos estas duas praias que são actualmente as maiores e que nos enchem o olho.

Aqui é o mesmo raciocínio.    

Areia é material que não falta junto à foz no rio Sado. Por exemplo, quando se efectuarem os desassoreamentos do canal de acesso do rio, em vez de se deitarem as areias para um qualquer local no oceano, sugere-se colocá-la em toda essa zona.

Colocar areia também na praia da Arrábida, uma vez que está a perder areal a cada ano que passa.

Com alguma regularidade espacial, construir pontões transversais à linha de costa, para suster as areias. Pedras é material que também existe com abundância em toda essa zona.

 Os acessos a essa Praia Grande com estacionamentos, bares e restaurantes, seriam efectuados através da Figueirinha através de uma rotunda eficaz.

Evitar a utilização de barcos a motor, uma vez que é um local sensível sob o ponto de vista ambiental.

Toda esta zona faz parte do roteiro afectivo dos setubalenses e azeitonenses.

Este espaço balnear e lúdico foi desde sempre frequentado por nós e por quem nos visita; sempre soubemos usufruir e respeitar o património natural.

Ir à praia era encarado com normalidade; hoje é encarado como um forte constrangimento.

Agora chegamos à situação ridícula de só poder aceder à Figueirinha de automóvel quem tiver reserva para almoçar no restaurante.

Entende-se perfeitamente a posição do restaurante que defende muito justamente os seus interesses; o que não se entende é toda esta situação que teima em eternizar-se.

Urge, portanto, encontrar uma solução estrutural que não passe pela proibição e pelo condicionamento.

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