A Avenida de Moçambique é um local de atravessamento obrigatório para mim, uma vez que a utilizo com frequência.
Tenho reparado que, de algum tempo a esta parte, as obras pararam, não se verificando a continuação do estreitamento do derradeiro troço até à rotunda do Lidl, nem a conclusão da rotunda na Avenida Rodrigues Manitto.
Não faço a mais pequena ideia do motivo, mas aproveito a ocasião para manifestar alguma ténue esperança de que a situação possa ser revertida.
Senão vejamos: A nova rotunda adjacente à farmácia, localizada no enfiamento entre a Av. Rodrigues Manito e a Av. de Moçambique, é manifestamente estreita, apenas permitindo a utilização de uma só faixa de rodagem.
Por outro lado, os inúmeros autocarros que a utilizarão, irão ter imensas dificuldades em efectuar a referida rotunda, nem sequer permitindo, com o seu imenso volume, que outras viaturas aí circulem autonomamente.
A rotunda devia ter duas faixas autónomas; uma para virar para a Av. de Moçambique; outra para circular na Av. Rodrigues Manitto.
É assim tão difícil de entender?
Estive por diversas vezes no patamar de acesso à farmácia, de onde podemos observar a Av. de Moçambique, em toda a sua extensão.
Sempre que dois autocarros se cruzaram, tiveram de abrandar e desviar-se para não colidirem um com o outro.
São tão estreitas que quase parece uma faixa com sentido único.
A Av. de Moçambique irá ter cerca de 6 metros de largura; logo, 3 metros para cada lado. Um autocarro urbano tem entre 2.50 e 2.55 metros de largura.
Um automóvel pode ter até 2,55 com espelhos. Sobra menos de meio metro de espaço de conforto e de segurança, para circulação.
Com a existência da Rotunda do Lidl, com ligação à Av. Eng.º Henrique Cabeçadas e à Variante da Várzea, com o trânsito previsível dos pais dos alunos da Escola Básica 2,3 de Bocage que acedem ao novo portão de entrada principal, com a existência do Terminal Rodoviário da Várzea, para circulação de autocarros de serviço urbano, localizado na zona norte do Parque Urbano da Várzea e a ligação entre a Av. dos Ciprestes e a Av. de Moçambique, toda esta zona teve um rápido aumento de trânsito rodoviário.
A Av. de Moçambique é uma artéria vital no tecido urbano e enquadramento rodoviário.
Em vez de se manter a Av. de Moçambique uma avenida larga, com quatro faixas de rodagem (duas em ambos os sentidos), como estava (e ainda está no último troço) decidiu-se encolher, ficando somente duas.
Com esta decisão, irão criar um problema grave de engarrafamento de trânsito, numa zona onde não existiam quaisquer problemas de circulação.
Existem várias saídas/entradas em estradas laterais que poderiam circular independentemente de quem se movimenta pela via central. Desta forma, irão circular todos pela mesma faixa.
Com o previsível aumento da circulação rodoviária, associado ao estreitamento, iremos seguramente ter filas de trânsito.
As más experiências decorrentes do estreitamento das avenidas Alexandre Herculano, Guiné-Bissau e Combatentes da Grande Guerra, deveriam fazer os responsáveis camarários ponderar sobre os erros cometidos que estão à vista de todos e procurar inverter estas situações.
O estreitamento de avenidas movimentadas, tornando-as pequenas ruas, colide com o mais elementar bom senso, o que irá provocar fortes constrangimentos no fluxo e na fluidez do trânsito, bem como o aumento dos passeios com largas dezenas metros de largura a mais, que não acarretará seguramente um aumento na circulação de peões.
Aumenta o volume de trânsito; diminuem as faixas de rodagens.
Isto sem falar nos inúmeros autocarros que regularmente a atravessam, em ambos os sentidos, como vimos atrás.
Alguns conceitos que os nossos políticos e técnicos camarários evidenciam sobre circulação rodoviária urbana, merecem-me as mais sérias reservas.
Sinceramente, tenho alguma dificuldade em entender onde vão buscar estas ideias peregrinas.
Quem é que projecta estes estreitamentos? Quem os aprova? Ninguém dá um murro na mesa e se insurge contra estas decisões que colidem com o mais elementar bom senso?
Pegar numa avenida ampla, com bastante movimento e reduzi-la a seis metros de largura, com somente três metros para cada lado, é um perfeito contrassenso.
Fica a (muito ténue) esperança que o estreitamento possa ver revertido.