O Governo da AD aposta numa “contrareforma laboral” apesar das melhorias introduzidas no Código de Trabalho, no âmbito da Agenda para o Trabalho Digno, serem ainda muito recentes, o que dá conta da inquietude do PPD/PSD quanto ao seu posicionamento no quadro politico atual. A validar esta minha afirmação está a abstenção do PSD na votação dessa Agenda, num contexto de maioria absoluta do Governo socialista, o que representa, obviamente, uma concordância.
Acresce que a reforma laboral colocada em cima da mesa não teve antecipação no programa eleitoral. Aliás, e vou-me recorrer de um qualificado artigo de Paulo Marque, – A rigidez que dá jeito -, “ Portugal não precisa de uma reforma laboral feita a partir de rankings escolhidos a dedo”, que justificam tentações e não necessidades.
Foi premente e adequado que o Partido Socialista tenha incluído na agenda política, exatamente neste momento, em contraponto, uma “estratégia centrada na qualificação dos jovens, na reconversão dos trabalhadores e na valorização do ensino profissional como pilares do crescimento económico e da modernização do país”.
José Luís Carneiro, Secretário Geral do PS, tem-se desdobrado em contactos, no âmbito da Rota pelo Ensino e Formação Profissional, deixando, e bem, criticas ao Governo da AD por anotar na agenda nacional uma reforma laboral sem que seja conhecida uma visão com densidade para o desenvolvimento económico do país.
A Rota, que contou com a presença do líder socialista, na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, tem permitido alertar para a importância da capacitação técnica e profissional dos jovens na resposta às verdadeiras carências da economia, exigindo-se uma oferta formativa consonante. Acresce a defesa da qualificação contínua dos trabalhadores, outra condição para um mercado de trabalho robusto.
Nesses propósitos, os estabelecimentos de ensino, no caso particular nas áreas técnico e profissionais, têm que estabelecer uma ligação muito próxima com o tecido empresarial, e este tem de ser mais colaborante, afinal é desta dinâmica formativa que encontra os seus melhores recursos humanos.
A avaliação que faço da deslocação à Escola Tecnológica do Litoral Alentejano, em Sines, é testemunho desta imprescindível colaboração. Trata-se de um bom estabelecimento de ensino a que os grandes empresários da região deviam dar mais atenção, afinal a pujança dessas indústrias tem mais que condições em apostar na ETLA, e dessa aposta retirar resultados. Não será uma disponibilidade sem retorno.
Hoje, quando sair este artigo, os Deputados do PS eleitos pelo Círculo Eleitoral de Setúbal concretizam, para já, a última presença da Rota, na Escola Profissional de Almada. A Escola Técnico Profissional da Moita, outro grande exemplo de qualidade , contou com a nossa visita no final do ano.
Pelo Distrito identificamos várias escolas do ramo profissional, em alguns concelhos, mais de uma, o que me permite considerar um desafio inadiável a ligação de proximidade com a AISET- Associação da Indústria da Península de Setúbal, entre outras , com o IPS – Instituto Politécnico de Setúbal e, também, com as Comunidades Intermunicipais, do Litoral Alentejano e da Península, na avaliação coordenada dos cursos mais exigidos, em particular pela região.
Agora que a Rota está a chegar ao fim, o PS anunciou a apresentação de uma ‘Carta de Compromisso’ para o ensino profissional, aposta que é devida para a sua justa valorização.