Autarca está confiante com a edição deste ano, numa festa que espera atrair cada vez mais público jovem
Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, está expectante com a edição deste ano das Festas em Honra de Nossa Senhora do Rosário, também conhecidas como Festas do Barreiro.
A Barrind, o cartaz musical no Palco das Marés, as atividades no Spot da Juventude e a programação do Moinho Pequeno são, para o responsável pela autarquia barreirense, alguns dos grandes destaques das festas que começam a 14 de agosto e só terminam a 23 de agosto.
Com um investimento de cerca de 350 mil euros e uma média de 200 mil visitantes – com base num cálculo que aponta para cerca de 20 mil visitantes diários – Frederico Rosa afirma que o certame está a um passo de se tornar autossustentável. Este é um evento que, diz o presidente, permite investir dinheiro na cidade durante todo o ano.
Satiro é o artista barreirense escolhido para este ano atuar no Palco das Marés – como já tem sido quase tradição. Festa M80, Bandidos do Cante, Irina Barros e Toy são outros dos músicos destacados, num cartaz que se pretende, este ano, que atraia mais jovens.
Em entrevista a O SETUBALENSE o autarca fala da importância do evento, que já se afirma dentro e fora da Península de Setúbal e que atrai milhares de pessoas, para dar a conhecer a cidade à qual muita gente acaba por voltar.
Quais é que são as expectativas para as festas do Barreiro nesta edição de 2026?
As expectativas são sempre altas porque desde que as festas do Barreiro também se começaram a afirmar como uma referência, não só na região, mas muito para além da região, as expectativas são sempre altas, mas o desejo também não muda.
O desejo acima de tudo é que as Festas do Barreiro sejam sempre um ponto de encontro entre amigos, entre gente que durante o ano tem pouco tempo para abrandar e que agora, durante estes dez dias, sabe que tem um grande ponto de encontro, com muita oferta, desde logo com o cartaz musical do palco principal, mas também com o palco da juventude, com as tasquinhas, com a Barrind – que mais uma vez esgotou o número de stands –, com a zona dos bares, com os divertimentos, com aquela programação complementar, por exemplo, que o Moinho Pequeno tem sempre.
As expectativas são altas no que diz respeito a que consigam ser um grande polo de atração de gente para que quem está nas festas e investiu o seu dinheiro para estar presente tenha retorno e sinta mais um ano que vale a pena investir no Barreiro, e para toda a gente que veja um grande ponto de encontro, um ponto de convívio e estes dez dias vão ser, de certeza, isto.
Ainda por cima temos depois umas festas que ficam num local privilegiado, à beira do Tejo, que também é um local único.
A vereadora Sara Ferreira dizia, o ano passado, que as festas já têm um lugar marcado na região. É este o sentimento do presidente da câmara?
Sim porque as festas do Barreiro foram crescendo ao longo dos anos e afirmaram-se como um grande polo de atração de pessoas. A vereadora dizia isso, e bem, porque conseguimos perceber que recebemos pessoas e, mediante o espetáculo, durante estes dez dias, temos uma grande afluência de pessoas da margem norte do rio – e sabemos isso através do número de bilhetes vendidos também de barco às horas das festas, que são verdadeiramente anormais e atípicos tendo em conta o resto do ano.
Recebemos gente bem mais longe do que a península, recebemos gente do Norte, que vem ver determinados espetáculos. Temos essa perceção porque os números dizem-nos isto e muita gente nos procura para dizer isto, que é através das festas que vieram pela primeira vez ao Barreiro.
Também é um dos princípios que um evento com estas característica tem, é que as pessoas voltem novamente para conhecer o resto da cidade e para vir cá visitar.
Qual é que foi a ideia deste ano com a composição do cartaz?
Todos os anos há uma coisa que é sempre a regra, tentamos chegar um bocadinho a todo lado, ou seja, ter um artista de música popular – neste ano vamos ter o Toy –, temos a M80, que é sempre uma festa da família, vamos ter os Bandidos do Cante, que também é muito transversal.
Este ano assumimos que queremos também direcionar muito a programação para um público mais jovem, porque achamos que é importante que eles não tenham só o seu espaço no Palco da Juventude, e este ano vamos ter dois artistas, o Satiro, que é um artista do Barreiro, e a própria Irina Barros, que já passaram pelo Palco da Juventude.
No ano passado, por exemplo, tivemos também oferta para todos, e depois, se calhar, direcionado para um público que era de uma faixa etária um pouco mais elevada, tentamos todos os anos fazer assim.
Volta a haver uma aposta, num dos dias da festa, um artista barreirense, neste caso, o Satiro.
Todos os anos temos tentado ter artistas da terra, uns mais conhecidos que outros, como é óbvio, quer dizer, desde o Syro, ao Jimmy P, que são, por exemplo, dois artistas do Barreiro, e que são Barreiros Reconhecidos [galardão].
Há artistas mais novos, como foi o Myles 6ix há dois anos e este ano o Satiro, tentamos ir fazendo também esta evolução, mas fazê-la também nos momentos certos. Porque sabemos que atualmente também é uma responsabilidade para todos ter muita gente à frente, e o que é facto é que tem sido um sucesso, e este ano não vai ser diferente, porque isto também é um corolário do profissionalismo que eles mostram, dos passos que vão dando, e conquistaram também, pelo seu mérito, o estar no palco.
Qual é o investimento para este ano? E qual é a expetativa no número de visitantes?
As festas deste ano, diria que rondam os 350 mil euros de investimento, obviamente depois com retorno, porque todos os espaços que temos nas festas, esgotam.
Acho que as festas estão a caminhar a passos largos para, dentro de pouquíssimo tempo, começarem umas festas autossustentáveis. Se bem que assumimos o investimento nas festas, é um investimento que tem retorno no Barreiro e ao longo do ano todo porque posiciona também a terra.
Hoje é com orgulho que vejo artistas de renome que sempre que chegam ao Barreiro, dizem que já ouviram falar das festas e querem vir, que é uma coisa muito curiosa, ou quando vêm tocar nas festas, especialmente quando é a primeira vez que cá vêm, dizer ‘finalmente depois de ter ouvido tanta gente a falar das festas no Barreiro, estou cá’. Lembro-me o ano passado, os Xutos e Pontapés completamente surpreendidos com o mar de gente que tinham à frente, foi uma coisa extraordinária.
Há uma média que é calculada, que é cerca de 20 mil pessoas por dia, sabemos que há noites que ultrapassa muito isso.
Mas aquilo que não abdicamos, independentemente das pessoas, é que o espaço seja um espaço que as pessoas se sintam bem, que venham com a família e acima de tudo sintam que estão confortáveis e a usufruir de um bom momento.
Isto também de que ser visto como que, no início, era muito importante para atrair mais gente às festas, porque as festas eram praticamente nos fins de semana, tinham muita gente, depois durante a semana tinha uma grande quebra, hoje isso já não acontece. Em todos os 10 dias das festas há cerca de 20 mil pessoas que passam pelo recinto, muitas vezes mais, mas também queremos evoluir, não só ao nível do número, mas também ao nível da qualidade com que a pessoa usufrui dentro do recinto das festas.
E a nossa expectativa é esta, sabemos que vai haver muita gente, de todas as idades, de todos os tratos etários, mas queremos que as pessoas sintam que a oferta tem qualidade, e tem tido, que o espaço tem qualidade, e tem tido.
Se houver algum azar – alguma pessoa que torce o pé –, é imediatamente assistido e temos essa assistência sempre nas nossas festas. E em cima disto dar cada vez mais qualidade, porque a oferta também que depois que nos procura – dos feirantes, das tasquinhas, dos bares, das empresas – também todos os anos tem elevado a qualidade, por isso é esse o caminho que procuramos seguir.
Como será a Barrind deste ano? Com mais expositores?
Diria que deve ser o mesmo número, porque já não conseguimos pôr mais, temos sempre muitos pedidos para ter ainda mais, não conseguimos, por causa das questões das acessibilidades, não podemos tapar vias, e então, por isso o número vai ser o mesmo.
Tivemos anos onde tínhamos expositores que alugavam três ou quatro espaços, temos tentado limitar para que, com o mesmo número de tendas, haja maior número de empresas, e por isso tentar que não aluguem muitos espaços. Tem sido também o reconhecimento que vale a pena, as empresas estarem nas festas do Barreiro também é um investimento que tem retorno, porque têm um contacto direto com 20 mil pessoas por dia do público, que podem dar a conhecer, que podem se posicionar e receber o feedback das pessoas, que são as pessoas que estão no sítio onde eles estão.