Há notícias que merecem ser celebradas não apenas pelo que representam no presente, mas sobretudo pelo futuro que ajudam a construir. A decisão de a Câmara Municipal de Setúbal assumir a gestão direta do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS), incluindo a aquisição do edifício onde funciona, na Avenida Luísa Todi, é uma dessas notícias.
Enquanto setubalense, vejo nesta decisão uma oportunidade de valorizar a nossa história, preservar a nossa identidade e aproximar ainda mais a cultura das pessoas.
Um museu não é apenas um edifício onde se guardam peças antigas. É um lugar onde se conserva a memória coletiva, onde as gerações mais novas descobrem as suas raízes e onde uma comunidade reconhece o caminho que percorreu até chegar ao presente. É, por isso, muito mais do que um espaço cultural: é parte da alma de uma cidade e de uma região.
O MAEDS tem um património de enorme importância para Setúbal e para toda a região. O seu trabalho na preservação, investigação e divulgação da arqueologia e da etnografia permite-nos compreender melhor quem fomos, como vivemos e o que deixámos às gerações seguintes. Um legado que merece ser protegido, valorizado e divulgado.
A passagem para a gestão direta da autarquia, acompanhada pela aquisição do imóvel, abre a possibilidade de uma estratégia mais próxima, integrada e ambiciosa para este equipamento cultural. Significa também assumir uma responsabilidade: garantir que o museu tem condições para continuar a cumprir a sua missão e para chegar a públicos cada vez mais vastos.
Naturalmente, uma decisão desta dimensão deve ser acompanhada de uma gestão rigorosa, de um projeto cultural consistente e de uma visão de futuro. Importa assegurar os recursos necessários, valorizar os profissionais que ali trabalham, reforçar a ligação às escolas e às instituições culturais e criar novas razões para que os setubalenses e quem nos visita descubram o museu.
Porque a cultura não deve ser vista como uma despesa dispensável, mas como um investimento na educação, na identidade e no desenvolvimento da cidade. Uma cidade que cuida do seu património demonstra respeito por quem veio antes de nós e responsabilidade perante quem virá depois.
Setúbal tem uma história que não cabe apenas nos livros. Está nas suas ruas, no seu rio, na sua serra, nas tradições das suas gentes e nos vestígios materiais de tantas gerações. Cabe-nos a todos garantir que essa história não se perde, não fica esquecida nem se torna inacessível.
Acredito que esta decisão pode representar um novo capítulo na vida do MAEDS. Um capítulo de maior valorização, de mais proximidade com a comunidade e de renovada ambição cultural.
É uma boa notícia para Setúbal. E é também um lembrete de que construir o futuro implica saber cuidar daquilo que recebemos do passado.
Porque uma cidade que preserva a sua memória sabe melhor quem é …e tem mais razões para acreditar naquilo que ainda pode ser.
Verdade?