A sessão descentralizada da Assembleia Municipal do Montijo, realizada em Pegões no passado dia 26 de setembro, foi também um momento de clarificação política.
Aproximamo-nos do final do primeiro ano deste mandato. Houve tempo para conhecer os dossiers, organizar, definir prioridades e iniciar o trabalho. O período inicial de adaptação e aprendizagem terminou. É agora tempo de exigir mais execução, mais resultados, mais transparência e maior capacidade de diálogo.
Foi essa a mensagem que o Grupo Municipal do PSD levou a Pegões.
Na Assembleia Municipal extraordinária de 3 de agosto, o Grupo Municipal do PSD votou favoravelmente uma operação de financiamento destinada à rede viária. Assumimos esse voto. Foi uma decisão perante uma proposta concreta e no quadro das circunstâncias então existentes.
A proposta não reuniu, contudo, os votos necessários à sua aprovação. E desse episódio resulta uma conclusão simples: um voto favorável numa determinada matéria não constitui um precedente para o futuro. Um voto favorável ontem não significa um voto favorável amanhã.
Na Assembleia Municipal, os votos necessários à aprovação das propostas não caem do céu. Os consensos constroem-se. E essa responsabilidade cabe, em primeiro lugar, a quem governa.
A Assembleia Municipal não é uma extensão da Câmara Municipal. Tem competências e responsabilidades próprias. Cabe-lhe apreciar, acompanhar e fiscalizar a atividade municipal e deliberar sobre as matérias que a lei coloca na sua esfera de decisão. O mesmo vale para o Grupo Municipal do PSD: as suas posições são formadas no âmbito das competências próprias da Assembleia Municipal.
Há também um contexto político que não deve ser ignorado. As eleições autárquicas de 2025 puseram fim a 28 anos de governação socialista no Montijo.
Os montijenses escolheram abrir um novo ciclo. Um ano depois, importa perguntar quanto mudou realmente na forma de governar. Porque mudar um ciclo político também deve significar mudar práticas. E ninguém quer descobrir que o anunciado novo ciclo é apenas o lado B do mesmo disco.
Nos próximos meses serão apreciadas matérias importantes para o futuro do concelho: decisões financeiras e orçamentais, compromissos com efeitos para os próximos anos e alterações estruturais na organização dos serviços municipais. Nestas matérias exige-se fundamentação, transparência, diálogo e escrutínio.
Foi por isso que em Pegões deixámos uma posição inequívoca: não há cheques em branco nem votos antecipadamente garantidos.
O Grupo Municipal do PSD tem a sua identidade, os seus compromissos e a sua responsabilidade perante os montijenses. É a partir daí que apreciamos cada proposta submetida à Assembleia Municipal.
E, se ainda subsistirem dúvidas, vale a pena repetir aquilo que foi dito em Pegões: o PSD não é, nem será, a bengala permanente do Movimento nesta Assembleia Municipal.
Isto não significa votar contra por princípio, tal como responsabilidade não significa votar a favor por princípio. Significa que cada proposta tem de merecer o voto que pede.
Haverá propostas que merecerão o voto favorável do PSD. Outras poderão justificar a nossa abstenção. E outras poderão merecer o nosso voto contra. Cada uma será apreciada pelo seu mérito, pela sua fundamentação e, acima de tudo, pelo interesse dos montijenses.
Quem governa tem a responsabilidade de apresentar propostas sólidas, explicá-las, ouvir e procurar os consensos necessários à sua aprovação. Os votos dos outros não são um dado adquirido.
Há um antigo provérbio japonês – Toranu tanuki no kawa-zanyō – que aconselha a não fazer contas à pele do tanuki antes de o apanhar.
Talvez seja também uma boa regra para a política.