Vieram de norte a sul do País para participar no Fórum Socialismo, a rentrée do Bloco de Esquerda (BE), a ter lugar este fim de semana na Escola Sebastião da Gama, em Setúbal. A adesão andou à volta de meio milhar de participantes.
“Não tenho números finais, mas diria que andaremos perto ou talvez até excedendo as 500 inscrições”, antecipou José Manuel Pureza, líder do BE, ao final do primeiro dia dos trabalhos.
O bloquista participou pela primeira vez no evento como coordenador nacional dos bloquistas e não escondeu satisfação.
“Sinto isto de uma forma especial, como é evidente pela minha circunstância, mas sinto que acima de tudo e com a maior das franquezas este fórum socialismo vem em continuidade com as experiências dos anos anteriores, no sentido de juntar gente de proveniências políticas diferentes para diálogos, para interlocuções que são imprescindíveis para a formulação de alternativas e para uma análise também mais rigorosa da realidade”, disse.
A iniciativa contou com vários painéis de debate e a participação de elementos de outros partidos, como o PS, que teve Alexandra Leitão, ex-deputada e atual vereadora da Câmara de Lisboa, a debruçar-se sobre os desafios que a esquerda enfrenta atualmente.
A socialista teve a seu lado Marisa Matias, antiga eurodeputada do BE, e ambas realçaram o impacto das redes sociais na disseminação de uma mensagem “populista” que tem catapultado a extrema-direita junto de um eleitorado descontente por ver goradas expectativas.
As redes sociais foram também o foco de Francisco Louçã, um dos fundadores do BE, que alertou para os impactos negativos na formação dos jovens. O efeito nos utilizadores é como o provocado pela droga, pela dependência que cria. E lamentou os resultados constatados ao fim de uma década, traduzidos por “regressão cognitiva”. Para o sustentar citou um estudo que aponta para a existência de estudantes do ensino superior que, fruto deste novo mundo, apresentam a maturidade e literacia de uma criança de 10 anos. E concluiu: “Andamos a formar estúpidos.”
Catarina Martins, eurodeputada do BE, interveio no final deste primeiro dia do evento e abordou também as novas tecnologias, mas para condenar Israel e criticar a União Europeia (UE), que está “dependente” daquele país nos mais diversos domínios. É pela tecnologia, pelo software, que Israel controla todos na Europa. Desde as fronteiras na UE, à segurança interna, à vigilância, até à indústria automóvel e ao sector agrícola, entre outros.
O Fórum Socialismo contou com vários painéis, em simultâneo, durante as manhãs e as tardes destes dois dias, com José Manuel Pureza a encerrar o evento.