60. Terrorismo mata à porta de casa e volta a metralhar dois anos e sete meses depois

60. Terrorismo mata à porta de casa e volta a metralhar dois anos e sete meses depois

60. Terrorismo mata à porta de casa e volta a metralhar dois anos e sete meses depois

100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
As FP-25 deixaram rasto sangrento na região: empresário e dissidente “arrependido” foram executados a tiro pela organização

Dois dos atentados de maior repercussão levados a efeito pelas Forças Populares 25 de Abril (FP-25) – organização terrorista de extrema-esquerda que surgiu em 1980 – ocorreram na região. O primeiro foi o assassinato a tiro de Diamantino Monteiro Pereira, administrador da Fábrica de Loiça de Sacavém, à porta da sua residência, em Almada, em 6 de dezembro de 1982. O segundo foi o homicídio de José Barradas, operacional dissidente das FP-25, que foi metralhado em 19 de julho de 1985, na Costa de Caparica.

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Além de se constituírem como duas das principais ações mais violentas e sangrentas do grupo terrorista, cada um destes homicídios ficou ainda marcado por outros motivos nesta página negra da história portuguesa. O homicídio de Diamantino Pereira por ter sido o primeiro assassinato intencional de um empresário planeado e reivindicado pelas FP-25. No local do crime, a organização terrorista deixou um panfleto a assumir a autoria da execução e a justificar (o injustificável): tinha sido uma “resposta” à atuação do empresário, que acusavam de ser “capitalista” e de ser responsável por conflitos laborais na fábrica, que resultaram no despedimento de trabalhadores com ligação a atividades sindicais. Já o homicídio de José Barradas foi por retaliação e para o impedir de testemunhar em tribunal contra a organização que tinha servido.

Barradas foi considerado um “traidor” pelas FP-25, depois de ter decidido colaborar com a Justiça. Era a principal testemunha da acusação – o “arrependido” como passaria a ser tratado quer pelo Ministério Público quer pela Comunicação Social – no megaprocesso (mais de 70 arguidos) contra as FP-25, que foi julgado num tribunal especial criado para esse efeito nas instalações anexas à Cadeia de Monsanto. Mas, a testemunha-chave nunca chegaria a sentar-se no tribunal.

José Barradas foi emboscado quando seguia na sua viatura, que foi abalroada após perseguição automóvel e alvo de uma rajada de metralhadora, na Costa de Caparica, três dias antes do início do julgamento que acabou por ser adiado. Sobreviveu por cerca de um mês aos ferimentos sofridos durante o ataque, depois de ter dado entrada no Hospital de Almada em estado crítico e de ter sido transferido para o Hospital de São José. Em 11 de agosto de 1985 não resistiu mais à gravidade dos ferimentos e faleceu naquela unidade hospitalar de Lisboa. Tinha alojados no corpo pelo menos cinco projéteis e apresentava lesões graves na espinal medula.

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As FP-25 deram-se a conhecer em 20 de abril de 1980, com o rebentamento de centenas de petardos em vários pontos do País e o lançamento de milhares de panfletos intitulados “Manifesto ao Povo Trabalhador”. No folheto constava a sigla da organização e os objetivos a que se propunham: a destruição do Estado burguês, a criação de um exército popular e a instauração do poder popular rumo ao socialismo. Em 6 de dezembro de 1982, as FP-25 promoveram novos rebentamentos de engenhos (petardos) no País, o que, em Setúbal, provocou ferimentos numa criança de 12 anos.

Em 1984, a Operação Orion levou à detenção de vários líderes das FP-25, mas a organização manteve-se ativa até 1987. Apesar de ter anunciado o fim da sua atividade em 1991, a rede estava, à data, praticamente desmantelada com a grande parte dos seus membros presa.

Em 1 de março de 1996, a Assembleia da República aprovou uma amnistia “às infrações de motivação política cometidas entre 27 de julho de 1976 e 21 de junho de 1991”, o que viria a beneficiar as FP-25. Promulgado pelo Presidente da República, o diploma seria publicado como a Lei n.º 9/96, de 23 de março.

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