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Local é classificado devido ao seu “excecional valor geológico, geomorfológico e paisagístico”
Ao longo de cerca de 13 quilómetros, entre a Costa da Caparica e a Lagoa de Albufeira, ergue-se uma das mais importantes formações geológicas do país. Com arribas cujos sedimentos remontam a cerca de 15 milhões de anos, este património natural levou o Estado a criar, em 1984, a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica, reconhecendo o seu “excecional valor geológico, geomorfológico e paisagístico”, assim como a necessidade de assegurar a sua preservação.
A classificação, formalizada através do Decreto-Lei n.º 168/84, surgiu também como resposta à crescente pressão urbanística e à intensa utilização da faixa costeira, procurando, por isso, compatibilizar a conservação deste património único com o usufruto público do território. No Decreto-Lei pode ler-se que “as belas formas de erosão que apresenta, as suas características geológicas e a extensão tornam a arriba fóssil da Costa da Caparica exemplo ímpar no nosso país, impondo-se, por isso, a sua eficaz proteção”.
A classificação resultou de uma proposta feita pela Câmara Municipal de Almada, tendo igualmente como parte importante a de preservar a “vegetação autóctone e a existência de espécies raras”. Assim, dentro dos limites desta paisagem protegida e segundo o documento, ficou sujeita “além dos licenciamentos camarários ou outros previstos na lei, à autorização do presidente da comissão instaladora ou do director da Paisagem Protegida” a prática de diversos atos, como “a construção, reconstrução, ampliação ou demolição de edifícios e outras construções de qualquer natureza; aterros, escavações ou quaisquer alterações à configuração do relevo natural; derrube de árvores, isoladamente ou em maciço; abertura de novas vias de comunicação e passagem de linhas telefónicas e elétricas, condutas de água ou esgotos; abertura de fossas, depósitos de lixo ou materiais ou instalação de locais de campismo ou acampamento”.
Classificação garantiu preservação de um “museu ao ar livre”
Mais do que apenas uma arriba voltada para o Atlântico, este espaço é considerado um verdadeiro “museu ao ar livre”, onde é possível observar milhões de anos da história geológica da região.
A arriba chama-se fóssil por, em tempos, ter estado em contacto com o mar e ter funcionado como uma verdadeira arriba. Apesar de ter fósseis de seres vivos, não é por essa razão que a arriba se chama fóssil.
De acordo com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) “foram identificadas 22 comunidades organizadas em 20 habitats naturais, oito dos quais prioritários”, sendo que “a representatividade de habitats prioritários é maior no grupo de comunidades dos Bosques e Florestas Naturais”. Quanto à flora, “as espécies com maior valor de conservação são endemismos lusitânicos, cuja distribuição na área de estudo se confina aos sistemas dunares, nomeadamente, o cravo-das-areias, a Euphorbia transtagana, o zimbro-galego, o tomilho-do-mato, tomilho-das-praias e a erva-de-parede. Já no que diz respeito à fauna, “apesar das dimensões relativamente pequenas da área, foram identificadas 169 espécies de fauna terrestre, incluindo 119 de aves, 23 de mamíferos, 16 de répteis e 11 de anfíbios.
Na Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Caparica estão assim definidas as unidades Terras da Costa, Arriba Fóssil e Orla Costeira e Pinhais da Charneca.