Mesa do órgão consultivo foi eleita e empossada. É composta por Nuno Maia (presidente), Ângela Lemos (vice-presidente) e José Júlio Alferes (secretário)
Os quatro órgãos que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal estão agora instalados. Foi formalizada, esta segunda-feira, a constituição do Conselho Estratégico, com a tomada de posse de 31 entidades que o integram e a eleição da respetiva mesa, em cerimónia realizada no Fórum Cultural de Alcochete.
Nuno Maia, diretor-geral da Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET), foi eleito presidente da mesa do órgão consultivo e tem a acompanhá-lo, como vice-presidente, Ângela Lemos, que preside ao Instituto Politécnico de Setúbal, e, como secretário, José Júlio Alferes, diretor da NOVA FCT.
Este era o único órgão da CIM que estava ainda por constituir, depois de terem sido instalados o Conselho Intermunicipal, presidido por Frederico Rosa, o Secretariado Executivo Intermunicipal, liderado por Álvaro Balseiro Amaro, e a Assembleia Intermunicipal, presidida por Paulo Lopes.
Nuno Maia diz encarar “com grande entusiasmo” a eleição para a presidência do Conselho Estratégico, o que considera uma “manifestação institucional de emancipação da CIM”.
“É um sinal de maturidade democrática e de capacidade de realização desta nova entidade, que tem grandes desafios pela frente e que necessita de ter um clima de cooperação institucional muito forte entre o setor empresarial, o setor social e os regimes de administração pública, para atingirmos os níveis de coesão territorial e social que a região precisa, face à generalidade dos indicadores que apresenta e que se situam abaixo da média nacional, como é disso exemplo o PIB per capita”, afirma o responsável.
“Temos agora muito que fazer. Todos somos poucos. Temos um calendário apertado para definir prioridades, investimentos, lançá-los e concretizá-los. Dez anos parece muito, mas é pouco”, adianta Nuno Maia, sem deixar de sublinhar que se pretende “uma região capaz de produzir mais e melhor, capaz de criar e distribuir mais riqueza, mais exportadora, com mais emprego, com mais habitação, mais digital e menos carbónica, entre outros”.
Foi ainda aprovado, por unanimidade, o regimento deste órgão consultivo que deverá reunir-se duas vezes por ano. Depois da reunião desta segunda-feira, a próxima “deverá acontecer em setembro ou outubro”, conforme venha a ser agendado pelo Conselho Intermunicipal.
Todos os setores representados
Frederico Rosa realça o “papel fundamental” que compete ao Conselho Estratégico. “Dar um grande suporte à estratégia a definir para a Península de Setúbal”, aponta, ao mesmo tempo que enaltece o perfil da mesa do órgão consultivo. “Não deixa de ser um sinal extremamente positivo que seja presidido pela indústria e coadjuvado pelo ensino superior, pela inovação e pela investigação.”
Além disso, o presidente do Conselho Intermunicipal salienta a representatividade abrangente do Conselho Estratégico. “Temos todos os setores da nossa sociedade representados. São até mais do que 31 entidades, só que algumas não puderam tomar posse e justificaram a ausência. É neste órgão que se vão ouvir todos os ‘players’ da região, onde se vai poder perspetivar tudo, nas mais diversas áreas, desde infraestruturas, habitação, emprego, segurança, entre outras, até ao desporto, para se estabelecer um plano que defina prioridades para catapultar a nossa região”, frisa.
Citado numa publicação do município de Alcochete, Fernando Pinto, presidente da Câmara e anfitrião da cerimónia de segunda-feira, também destaca a importância do Conselho Estratégico. Para o autarca, a criação deste órgão consultivo constitui “um passo decisivo na construção de uma visão estratégica comum”, com vista a uma Península de Setúbal “mais forte, mais coesa e mais preparada para enfrentar os desafios do futuro”. Daí ser de capital importância que o novo órgão funcione como “um espaço de diálogo aberto, de cooperação genuína e de construção partilhada”.
A CIM foi constituída em 15 de dezembro último e integra os nove municípios que compõem a Península de Setúbal.
Álvaro Amaro “Esta é a peça que faltava… vem reforçar a legitimidade e ambição da CIM”
Álvaro Balseiro Amaro, primeiro-secretário executivo da CIM, sublinha que a constituição do Conselho Estratégico Intermunicipal “é a peça que faltava na orgânica, para que a CIM comece a estar devidamente articulada nos objetivos comuns”.
Para o responsável, este “é um órgão determinante, com elevada relevância para a afirmação territorial da Península de Setúbal”. “Apresenta uma composição plural, tecnicamente muito qualificada e que deve ser valorizada por estar perfeitamente enraizada no nosso território. Vem reforçar a legitimidade e a ambição da CIM, porque vai funcionar como espaço de reflexão, de orientação e até de validação estratégica dos passos que pretendemos dar”, explica.
Álvaro Amaro considera ainda que o Conselho Estratégico representa “um contributo insubstituível, pela competência, pela experiência acumulada e, sobretudo, pela ligação direta ao tecido empresarial, às organizações institucionais, ao mundo académico e à comunidade”. Isto, reforça, é “essencial para garantir que as decisões estratégicas reflitam as necessidades reais da Península de Setúbal e definam o seu futuro”. “O Conselho Estratégico é decisivo para empoderar as decisões da CIM”, conclui.