A um dia do início das celebrações, o capitão-de-fragata reflete sobre o impacto e o simbolismo desta semana em que “a Marinha terá sede em Setúbal”
Ingressou na Escola Naval em 1999 e esteve embarcado nos veleiros Creoula e Sagres, no navio hidrográfico Almirante Gago Coutinho e na Fragata Vasco da Gama. Comandou ainda, entre 2022 e 2025, o navio de patrulha oceânico Viana do Castelo.
Em terra, desempenhou funções na Direção de Pessoal e no Estado-Maior da Armada. Integrou também o Estado-Maior da Força de Reação Imediata no ano de 2016.
Pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais, a 3 de fevereiro do ano passado assumiu funções como porta-voz e Relações-Públicas da Marinha Portuguesa e da Autoridade Marítima Nacional.
Em entrevista a O SETUBALENSE o Comandante Ricardo Sá Granja antevê as celebrações do Dia da Marinha, que se celebra entre quarta-feira e domingo, com ações junto da população, espalhadas por toda a cidade.
O que significa o regresso do Dia da Marinha a Setúbal passados 15 anos?
Significa um regresso com um navio que tem o nome da cidade anunciado precisamente há 15 anos, de um navio de patrulha oceânico construído em Portugal, com o nome da cidade de Setúbal.
Isto concretizou-se passados 7 anos, portanto, de 2011 até 2018. O navio é de Fevereiro de 2018, e voltamos aqui passados 15 anos com um navio, o NRP Setúbal, que tem o nome da cidade, e que levamos este nome para os 4 cantos do mundo.
Que papel é que o navio NRP Setúbal desempenha na Frota Nacional?
Os navios de patrulha oceânicos, são quatro, no futuro serão 10, estão em construção mais seis, nos estaleiros de Viana do Castelo e têm uma função primordial, no âmbito das forças permanentes em ação de soberania.
Patrulham o mar territorial, zona económica exclusiva, vigilância, fiscalização, e mais importante de tudo, busca e salvamento. São navios que estão atribuídos, um permanentemente no continente, e temos outro permanentemente atribuído também nos Açores.
Neste momento temos o NRP Setúbal, que colabora nestas atribuições à zona económica exclusiva do continente, portanto, no âmbito das tarefas de busca e salvamento, vigilância dos espaços marítimos, sob soberania ou jurisdição nacional. No âmbito da busca e salvamento já é sobre responsabilidade nacional, portanto, é um espaço marítimo muito mais alargado.
No passado fez outras missões, no âmbito de apoio à política externado Estado, participou nas iniciativas
de Mar Aberto em África, já fez muitas outras missões, mas a sua missão principal é precisamente esta.
Quando o NRP Setúbal foi apadrinhado, Chefe do Estado-Maior da Armada – na altura, o Almirante Saldanha Lopes – referiu que este batismo com o nome da cidade era uma “homenagem aos setubalenses que sempre acolheram carinhosamente a Marinha”. Passados 15 anos, sente que esta frase ainda é atual?
Essa frase é muito atual. Os setubalenses acolhem sempre muito bem a Marinha e acho que, para os setubalenses, é um motivo de orgulho terem um navio com o nome da sua cidade.
Viu-se, há 3 semanas, a quantidade de pessoas que tiveram curiosidade em visitar o NRP Setúbal, precisamente um navio com o nome da sua cidade. É um motivo de orgulho. Portanto, já vi muitos setubalenses, inclusive na televisão, a dizerem isto com orgulho.
Como tem sido a coordenação com a Câmara Municipal de Setúbal para organizar o Dia da Marinha?
A coordenação tem sido excelente. Desde o primeiro momento, a Sra. Presidente da Câmara e todo o executivo apoiaram a cem porcento esta iniciativa e esta vontade da cidade estar presente nas comemorações do Dia da Marinha.
Tem sido dado um apoio excecional por parte de todos os elementos do município. Nesta fase que é mais complicada, que é a fase de preparativos, temos as exposições abertas, os navios atracados, os batismos de mar, a cerimónia militar, a demonstração de atividades. Temos uma série de eventos que vão ocorrer quase em simultâneo, durante quatro dias, em vários espaços aqui do centro da cidade. Precisamos de um apoio muito grande do município, e esse apoio tem sido garantido.
Que retorno esperam do Dia da Marinha em termos de recrutamento?
O nosso primeiro objetivo para as comemorações do Dia da Marinha é dar a conhecer aquilo que é o nosso
trabalho durante todo o ano.
É um dia em que festejamos a Marinha, mas é também um dia em que a Marinha se dá a conhecer aos portugueses. Neste caso, aos portugueses residentes em Setúbal e que queiram visitar Setúbal neste
âmbito.
Como segundo plano, que também é uma prioridade, queremos dar a conhecer aos mais jovens, àqueles
que ainda podem ser recrutados para a Marinha, que connosco podem encontrar um futuro. O concelho de Setúbal é um sítio onde nasceram e vivem ainda muitas pessoas da Marinha.
Portanto, é um bom sítio para recrutarmos pessoal, precisamente pela proximidade àquela que é a nossa principal base do país, que é a Base Naval de Lisboa, em Almada.
Das pessoas que nasceram em Setúbal, nós temos um número redondo, são cerca de 20% entre os militares, militarizados e civis. Se alargarmos ao distrito, vamos ter números muito maiores, próximos dos 80%.