Não há nada pior para manchar a boa reputação das forças de segurança do que a existência de elementos que violam os seus deveres de proteção e de zelo das populações e atuam eles próprios, alegadamente, como criminosos, agredindo, violando, humilhando pessoas vulneráveis.
Pelo que sabe, e de acordo com as acusações do Ministério Público, não se terá tratado de um caso isolado, o que já seria gravíssimo, mas de uma atitude grupal, organizada, reiterada, de um grupo que abusava, sodomizava, ofendia, alegadamente perante o silêncio ou mesmo a cumplicidade de superiores hierárquicos.
Não se imagina pior do que alguém entrar numa esquadra, que deveria ser um lugar seguro, e ser torturado.
Não se imagina pior do que ver pessoas sem abrigo serem conduzidas a uma esquadra para verem acrescentar à sua condição vulnerável maus-tratos certamente inesperados.
Pessoalmente, gostaria de continuar a dizer às crianças da minha família que, se alguma vez se perderem, procurem um polícia. Não podemos permitir que gente sem escrúpulos mate a nossa confiança nas forças de segurança.
Defendê-las, neste caso a PSP, não é silenciar, esconder ou encontrar atenuantes para o que é indesculpável. Não se defendem as forças de segurança normalizando comportamentos ilícitos. Defendem-se, elogiando quem cumpre a lei e libertando-as daqueles que se desviam da sua missão e mancham a reputação de uma instituição digna, indispensável à defesa da sociedade e do Estado de direito democrático.
Muito bem esteve o Senhor Ministro da Administração Interna quando afirmou que “não há lugar nas forças de segurança portuguesas para práticas de violência ilegítima, maus-tratos ou qualquer forma de violação dos direitos fundamentais. Sempre que existam indícios desses comportamentos, devem ser apurados e punidos nos termos da lei”.
É assim que se defende a honra das forças de segurança. Admitindo que há trigo e há joio, investigando e punindo aqueles que cometem crimes que envergonham as instituições a que pertencem, mas salvaguardando sempre a honorabilidade da esmagadora maioria dos profissionais que exercem as suas funções no cumprimento das normas legais e éticas que enquadram a sua superior missão.