Eu sou um europeísta convicto. Para mim, a Europa representa o berço da Democracia, uma referência mundial naquilo que são os seus valores mais importantes: eleições livres, imprensa livre e independente do poder político, justiça social, segurança, habitação, educação e saúde de qualidade, emancipação plena das mulheres, respeito pelos direitos das crianças e dos seniores, liberdade religiosa, filosófica, política e sexual.
E Cultura. Muita. Música, Cinema, Teatro, Literatura, Dança, Pintura, Museus, etc. etc.
Somos uns privilegiados por vivermos nesta Europa das nações, onde as diferenças entre os diversos países que a compõem, devem ser sempre encaradas como factores de enriquecimento das nossas sociedades.
Tudo aquilo que são ditaduras, teocracias religiosas, democracias de fachada, provocam-me uma urticária generalizada.
Olho com muita preocupação para regimes como Rússia, China, Venezuela, Irão, Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua, Bielorrússia, Turquemenistão, Afeganistão, etc.
No Irão e de acordo com duas organizações não-governamentais, as autoridades executaram pelo menos 1639 pessoas em 2025.
Um horror. Quando a religião condiciona a política, nunca advém daí nada de bom.
O regime devia ser removido, mas por dentro e não por fora, como pretendem os EUA.
Donald Trump é aquilo que toda a gente sabe; um indivíduo ignorante, perigoso, inconsequente, sem qualquer noção de História, vivendo apenas acantonado num eterno presente, o que não augura nada de bom.
Move-se por interesses económicos mesquinhos, sem qualquer preocupação com democracia, bem-estar ou segurança das populações.
Estou convicto que Donald Trump irá procurar concorrer de novo às eleições norte-americanas de 2028, tentando alterar a Constituição para fazer o terceiro mandato, invocando os quatro consecutivos de Franklin Roosevelt.
Com Donald Trump e Vladimir Putin a apoiarem entusiasticamente (e Xi Jinping discretamente) Viktor Orbán, confesso que estava expectante para saber qual o resultado das eleições na Hungria.
Recordemos que em 1956 decorreu uma insurreição na Hungria, onde se exigiu democracia e independência, tendo sido violentamente reprimida pelos tanques soviéticos, resultando em cerca de 2.500 mortos e restaurando, de novo, o controlo comunista.
Agora, Viktor Orbán era o “Cavalo de Tróia” de Vladimir Putin, com Trump a fazer o papel de “idiota útil”.
Dividir e enfraquecer a Europa, para reinar.
De acordo com meios de comunicação independentes e jornalistas de investigação alertaram que o agora ex-ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, partilhou informações confidenciais sobre reuniões da UE com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.
Vladimir Putin é um ditador, sem qualquer respeito pela democracia, ou por eleições democráticas. É um produto do regime comunista, gerado e medrado na URSS.
Em 1989, por ocasião da queda do Muro de Berlim, Putin era um agente da KGB, em funções na RDA.
Ao fim de vinte e sete anos de poder e de quatro anos de guerra com a Ucrânia, Putin é um ditador e um criminoso de guerra.
Muitos críticos, tais como dissidentes e jornalistas, têm morrido em circunstâncias suspeitas, incluindo envenenamentos, quedas de andares e acidentes aéreos. O caso mais conhecido, envolveu Alexei Navalny, principal opositor do presidente russo.
Em Fevereiro de 2026, após análises ao seu cadáver, provou-se que Navalny morreu envenenado, o que contrariava a versão oficial russa de que teria morrido de “causas naturais”.
Quanto à guerra na Ucrânia, cerca de 1,2 milhão de soldados russos foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde a invasão desse país, ocorrida há quatro anos.
Por tudo isto, as eleições húngaras eram aguardadas com muita espectativa e as duas opções eram claras; ou a manutenção da ligação à Rússia, ou o regresso ao seio da UE.
A vitória esmagadora de Peter Magyar não deve ter sido do agrado de muita gente, a começar por André Ventura e o Chega, partido com muitas afinidades ideológicas com o Fidesz de Orbán, passando também por Xi, Trump (e JDVance).
Também não agradou nada aos russos. A primeira reacção oficial veio de um empresário ligado a Putin, Kirill Dmitriev, que afirmou que a derrota eleitoral de Viktor Orbán na Hungria iria acabar com a UE em quatro meses.
Por aí se vê a contrariedade dos russos com a falta do seu “Cavalo de Troia”.
Espera-se que Magyar acabe com a corrupção endémica que assola a Hungria e que volte a percorrer os trilhos que nos unem a todos nós, europeus.