Ao assinalar o segundo aniversário da governação da Aliança Democrática torna-se evidente que o paradigma político em Portugal sofreu uma alteração estrutural. O foco, repartido entre a urgência da devolução de rendimentos e o rigor nas contas públicas, revelou-se uma simbiose virtuosa. Num mundo fustigado por crises sistémicas, a estabilidade interna tornou-se o principal ativo estratégAico do país.
O indicador mais emblemático deste biénio é a trajetória da dívida pública. Ao quebrar a barreira dos 90% do PIB Portugal enviou um sinal de maturidade aos mercados.
Com a consolidação fiscal, as agências de rating reviram várias vezes a notação do país. O Estado gasta menos dinheiro em juros e mais no financiamento de serviços públicos essenciais. A credibilidade internacional atrai investimento direto internacional que, por sua vez, sustenta o dinamismo económico.
A estratégia económica assentou na premissa que o crescimento deve ser traduzido diretamente no bolso dos cidadãos. Através de uma reforma fiscal, focada na descida progressiva e constante do IRS, foram devolvidos cerca de 2.000 milhões de euros às famílias. O objetivo transcende o alívio imediato: trata-se de estimular o consumo privado e o investimento, gerando efeito multiplicador na economia.
Os dados do mercado de trabalho corroboram esta tese. Com um recorde de 5,3 milhões de pessoas empregadas e um crescimento real dos salários fixado em 6,7% — o mais alto da OCDE — Portugal demonstra que é possível conciliar justiça social com competitividade. A valorização do trabalho tornou-se no pilar central da paz social e da retenção de talento jovem no país.
Não obstante o sucesso interno enfrentamos uma conjuntura geopolítica imprevisível. Os conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, aliados à reconfiguração das rotas comerciais globais, impõem uma pressão constante sobre os preços da energia e das matérias-primas. A inflação deixa de ser uma variável técnica para ser uma ameaça real ao poder de compra.
A resposta passou pela criação de “almofadas de proteção”:
- Excedente da Segurança Social: Projetado em 6,7 mil milhões de euros para 2025.
- Fundo de Estabilização Financeira: Um valor recorde de 48,7 mil milhões de euros.
Estas reservas garantem que, em caso de choque externo ou recessão global, o Estado possui capacidade para intervir sem recorrer a austeridade.
Paralelamente, o investimento em setores estratégicos, como a ferrovia ou a transição energética, visam reduzir a exposição do país à volatilidade do abastecimento em combustíveis fósseis, assegurando uma economia mais verde e menos dependente das importações.
Em conclusão: ao equilibrar, estabilidade, rigor orçamental e valorização dos rendimentos, o país prepara-se para o futuro. O grande desafio será converter o crescimento macroeconómico em melhorias tangíveis na qualidade de vida dos portugueses, mantendo a nau firme perante as tempestades geopolíticas que se perfilam no horizonte.