Presidente da APA abriu a sessão a dizer que a bacia de retenção do Parque Urbano da Várzea é um “projeto magnífico”
A melhoria da qualidade do ar tem sido um desafio. Quem o diz é o secretário de Estado do Ambiente que esteve em Setúbal, esta terça-feira, para encerrar o a conferência “Desafios da Gestão da Qualidade do Ar nas Cidades”, organizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) em parceria com a Câmara de Setúbal, para celebrar o Dia Nacional do Ar.
João Manuel Esteves disse ainda que, comparativamente ao século passado, a qualidade do ar melhorou graças ao investimento do País e da Europa. “A qualidade do ar é hoje um dos grandes desafios ambientais, de saúde pública e de coesão social que enfrentamos no nosso País. É bom reconhecer que o País e a Europa fizeram progressos muito significativos. Graças ao quadro de cooperação internacional no âmbito da Convenção do Ar, e a evolução das políticas europeias, o ar que respiramos é hoje substancialmente mais limpo do que há 30 anos. Não podemos esperar outros 30 anos, mas hoje temos mais consciência do que tínhamos há 30 anos”.
O membro do Governo disse ainda que um dos objetivos é “reduzir em 50% os níveis dos principais poluentes até ao final desta década”, sendo esta uma das medidas impostas pela União Europeia.
“Portugal já iniciou o processo de transposição e até ao final deste ano ela terá de acontecer – com avaliação técnica-financeira em curso e com uma fase de participação alargada já em curso. A ambição europeia é clara, e Portugal não ficará atrás, há três principais responsáveis pela degradação da qualidade do ar: o dióxido de azoto, as partículas em suspensão e o ozono. Qualquer uma delas, e apesar dos avanços, persistem impactos muito relevantes na saúde das pessoas”
Presidente da APA considera “magnífico” o Parque da Várzea
Durante a sessão de abertura o presidente da APA referiu-se ao projeto da bacia de retenção no Parque Urbano da Várzea e elogiou o projeto implementado no concelho de Setúbal. O responsável disse ainda que, durante as intempéries que assolaram vários pontos do País entre janeiro e fevereiro, não recebeu nenhuma chamada relacionada à cidade.
“Na gestão das cheias, aqui por exemplo em Setúbal, temos aqui um projeto magnífico que é o Parque da Várzea que é um espaço verde – podemos passear e usufruir – mas que no inverno se transforma numa grande bacia para guardar a água em excesso. Este ano, uma coisa curiosa, não tive nenhuma chamada aqui de Setúbal [relacionada às cheias]”, expressou José Pimenta Machado.
Para o responsável a mobilidade é o “setor que mais impacta” a qualidade do ar no País, e afirma que a APA está investida em cumprir uma série de objetivos, até 2030, para melhorar a qualidade do ar.
A vice-presidente da Câmara de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, também foi responsável pela sessão de abertura e durante o seu discurso afirmou o investimento que o município está a fazer na melhoria da qualidade do ar.
“A melhoria da qualidade do ar exige uma transformação profunda da forma como pensamos, planeamos e gerimos o espaço urbano. Implica cidades mais centradas nas pessoas, mais verdes, mais interligadas mais seguras e mais sustentáveis. Implica também uma aposta clara em soluções de mobilidade sustentável, na existência energética, na inovação e na articulação de diferentes níveis de governação. Setúbal, enquanto território com uma forte identidade urbana, industrial e cultural, enfrenta a desafios específicos, mas também possui um enorme potencial para afirmar suas práticas e soluções inovadoras neste domínio”.