19 Junho 2024, Quarta-feira

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Uma oportunidade a não perder?

Uma oportunidade a não perder?

Uma oportunidade a não perder?

A Igreja católica anda na boca do povo, nas “manchetes” dos jornais e em todos os telejornais. E, perguntarão os meus leitores, por que razões? A razão mais chocante foram as notícias dos abusos sexuais trazidos a lume por uma comissão credível, nomeada oficialmente pela Comissão Episcopal Portuguesa (CEP), e, diga-se em boa verdade, “empurrada” por um “abaixo-assinado” de centenas de assinaturas de cristãos, tendo sido algo desastrosa a primeira reação das estruturas da nossa Igreja.
Passado algum tempo, a TV emite o programa “Essencial” de Conceição Lino, ainda mais arrasador. Entrevistas esparsas com bispos não “concertaram” o trauma. A CEP reúne-se para tomar uma posição digna e mais convincente, durante uma semana, em Fátima, daí sai uma nova comissão de peritos, sai um pedido de desculpas coletivo às vítimas sumamente com a promessa solene dum verdadeiro apoio às vítimas e aos abusadores. Poucos dias passam e surge das mãos da primeira comissão mais dados, agora nos conventos, colégios, etc.
Tudo tomou o aspeto de sensacionalismo bem negativo. Como sabemos o problema é notícia em todos os países e não apenas em Portugal. Como sabemos igualmente o problema dos abusos não é exclusivo da Igreja e aí estão mais notícias dadas com tom sensacionalista, acusações a membros do professorado universitário – o sexo é um tema que “vende” seja coletivo ou de pessoas em foco nas sociedades – actores, políticos, magistrados, etc.
Mas a nossa Igreja está, entre nós também a “ser notícia” pela realização das Jornadas Mundiais da Juventude que, para além do tremendo esforço (e custos!) da organização, vem trazer a Portugal muito mais de um milhão de jovens de todo o mundo e vai trazer até nós o Papa Francisco – figura que transcende até o âmbito da nossa Igreja.
Como sabemos (quem ainda se preocupa com o problema religioso!) o actual Bispo de Roma convocou um concílio para 2024 em que os bispos irão discutir sobre temas e opiniões, não apenas do clero, mas de todo o “povo de Deus”, assim colocado na centralidade da vida da religião cristã, e como motor dum verdadeiro cristão, ou seja, quem viva de harmonia com os ensinamentos de Cristo – o DEUS incarnado em ser humano – que viveu e morreu há mais de dois mil anos.
Como poderia participar em tão importante processo de consulta, nunca o soube, mas a opinião dos portugueses lá esteve, em Praga, para a elaboração do documento representativo do “povo de Deus” da Europa. O mesmo se estará passando no resto do mundo cristão ! Está em marcha uma revolução – da ternura, diz o Papa Francisco!
Precisamente neste “precioso momento”, muda a presidência da CEP, prosseguindo o bispo Ornelas e verificando-se que duas dioceses esperam bispo há mais de dois anos, que quase metade dos bispos têm ou atingem os 75 anos em um ou dois anos, levando a uma possível renovação do episcopado, estamos perante uma oportunidade de se concretizar uma verdadeira revolução, seja da Ternura (como pede Francisco) ou “violenta da caridade”, como há anos disse Hélder Câmara, bispo de Olinda e Recife!
Porque não participam os cristãos na escolha dos seus Pastores? Perante os problemas dramáticos do nosso mundo, perante a actual “visibilidade” da nossa Igreja, perante um Papa que quer democratizar e modernizar a nossa Igreja, perante uma situação peculiar de vacaturas episcopais à vista, não será mesmo uma oportunidade única dos cristãos – do povo de Deus – assumirem, ou participarem activamente, na condução dos seus destinos? É evidente que continuamos a ter pessoas “consagradas”! Mas não esqueçamos que para conduzir e orientar um rebanho bastam normalmente dois pastores e, às vezes, apenas um pastor e um cão!
A própria sinodalidade, em que Francisco pôs a tónica – e tudo preparou minuciosamente e com antecedência – orienta-nos para que o futuro sínodo de 2024 dê origem a uma Igreja nova, do sec. XXI e não do sec. XVII. Mas embateu contra problemas “de poder” e, em especial, contra problemas dum clero conservador e muitas vezes retrogrado como reação à mudança!
Jesus não ditou regras de organização, S. Paulo tentou uma organização, mas só depois do ano 300 o cristianismo saiu das catacumbas e se organizou copiando a estrutura imperial de Roma. Não é possível regressar ao “vede como eles se amam”? Somos todos irmãos e “ou nos salvamos todos juntos ou morremos todos juntos”. Terá de ser assim? O Espírito Santo não dará energia, força e determinação aos cristãos de hoje para “vergar” as tradições e ressuscitar Cristo nos homens de hoje? A Igreja está na ordem do dia! Que se não perca uma oportunidade como esta!

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