16 Junho 2024, Domingo

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Poderá haver Páscoa?

Poderá haver Páscoa?

Poderá haver Páscoa?

Eu sei que o Domingo de Páscoa passou há três dias! Eu sei que a Igreja, para o bem ou para o mal, mantem as suas estruturas (ainda) imutáveis. E, como sabemos, desde há muitos séculos. Então qual a razão do título que dou a esta crónica? No mundo cristão (e não só) a Páscoa significa “Esperança “, pois a Ressurreição refere-se mesmo à ressurreição de Jesus Cristo que se considerava – Ele próprio – como Deus. Não é meu propósito vir aqui debater um problema religioso, mas reflectir sobre a “esperança “pois me parece que para os homens de hoje – que vivem no mundo de hoje – há poucos motivos para se falar de “esperança”.
Olhando à nossa volta, vemos o nosso país submerso numa crise económica tremenda, numa crise política muito grave com um Governo a perder credibilidade em demissões e atitudes de governantes muito dúbias, seja no problema da TAP, seja no problema da habitação, seja principalmente no ambiente de tantos processos judiciais envolvendo pessoas importantes de todos os quadrantes sociais e políticos.
Se olharmos para a França, vemos a contestação popular que dura já há mais de 15 dias ameaçando o governo na sua continuidade. Se olharmos para a Grã-Bretanha – saída da União Europeia – vemo-la a braços com ameaças de greves, com o eterno problema das duas Irlandas a agravar-se e com ameaças independentistas da Escócia.
Se pensarmos na União Europeia, vemo-la a braços igualmente com a necessidade de sair debaixo da “asa” dos Estados Unidos e juntando a uma crise energética, uma crise económica e numa corrida armamentista que não é nada tranquilizadora se pensarmos nas duas grandes guerras do passado. E – claro – todos esmagados com as consequências da guerra na Ucrânia invadida pelo Sr. Putin sonhando com os tempos cartistas e com ameaças atómicas.
Se olharmos para os Estados Unidos (o maior vendedor de armas!) vemos as ondas provocadas por um Trump e sentimos os seus problemas hegemónicos com a China “rondando” a Formosa (como nós portugueses lhe chamámos), não definindo bem a sua relação com a Rússia e “incomodada” com a presença americana na zona do Indo-Pacífico.
Se alargarmos o nosso olhar por aqueles lados vemos “um louco” na Coreia do Norte fazendo experiência frequentes com foguetões intercontinentais. E vemos uma India a tornar-se o país mais populoso do mundo, com forte poder económico e com poder atómico.
Rodemos o olhar uns 180 graus e olhemos a América do Sul, com um Brasil dividido ao meio, com uma Venezuela “de rastos” e com outras pequenas nações em graves apuros com multidões a caminhar para o que julgam ser um “El Dourado” que os repele.
Cada vez mais convencidos que não há muitos sinais para ter a tal “Esperança”, ainda temos de olhar para o continente africano com uma Turquia a pôr-se “em bicos de pés”, com um Congo nas mãos de mercenários exploradores, um Sudão dividido e sempre em guerra, com anos de seca quase total e donde fogem multidões a caminho da Europa para se afogarem no Mediterrâneo ou para alimentarem traficantes de seres humanos que os levam para a morte ou para lugares como a ilha de Lesbos – um verdadeiro campo de concentração sem condições.
E são os bancos a falirem, déficits e inflações a provocarem fome e miséria em muitos lados
E se tudo isto não chegar, pensemos nos tufões a aumentarem as suas destruições, as inundações aqui ou ali, os degelos a fazerem subir o nível do mar e, especialmente, a gravíssima ameaça do aquecimento global que muitos técnicos e estudiosos dizem estarmos já numa fase sem retorno ameaçando a habitabilidade da nossa “mãe terra”! Afinal, poderá mesmo haver “Páscoa”?
Um dia disseram a Saramago que ele na sua escrita era um pessimista. E ele respondeu: sou realista! E essa será igualmente a minha resposta!

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