15 Maio 2024, Quarta-feira

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Os migrantes

Os migrantes

Os migrantes

Com este título, sem um “E” nem um “I” no início da palavra migrante, quero referir-me a todos aqueles que por uma razão qualquer se deslocam aos magotes por uma qualquer razão. Não me refiro aos nossos jovens que depois de adquirirem formação vão procurar empregos num outro país que lhes pagará melhores ordenados e melhores condições de trabalho. Não me refiro igualmente a muitos que procuram paz por no seu país se viver numa guerra sem fim à vista (ucranianos). Não me refiro igualmente a muitos que procuram lugar seguro onde encontrem possibilidade de ter casa, trabalho e segurança. Refiro-me aos bandos, de milhares, que, certamente, por todas as razões enumeradas acima, andam centenas e milhares de quilómetros para sobreviver caindo nas malhas das numerosas redes de traficantes de “carne humana”. Chamo migrante a todo e qualquer que enfrenta até a morte, para sobreviver.
Refiro-me a multidões que caminham da Africa subsaariana com os olhos e as esperanças postas na Europa mesmo sabendo que vão encontrar pela frente o Mediterrâneo (onde milhares já morreram afogados) que os separará dessa Europa. Refiro-me a multidões que das Américas do Sul e Central caminham com os olhos postos nos Estados Unidos da América sabendo que têm pela frente um muro ou uma grade vigiada por militares. Refiro-me a muitos que, transportando-se em frágeis barcos de borracha, cheios até não caber um alfinete, rumam às Canárias, ao sul de Espanha e até ao Algarve correndo o risco certo da ilegalidade e os seus problemas. Falo de muitos que atravessam a França e pretendem atingir a Inglaterra sabendo (julgo que sabem!) que serão enviados à força para um país africano que os receberá ou não. Falo também de muita gente procurando trabalho vinda do Oriente, igualmente manipulada pelos tais traficantes.
Parece-me útil e necessário que saibamos que, por exemplo em África, muitas zonas são dominadas por bandos armados (por acaso) ao serviço dos países ditos ricos e que exploram certas riquezas de metais e pedras preciosa que são necessários ao desenvolvimento tecnológico dos Estados Unidos, da China e da Rússia! Pensamos, por isso, que muita responsabilidade dessas multidões a que chamei de migrantes deve ser atribuída a esses países preocupados com a “enxurrada” que lhes bate à porta. Preocupam-se sim senhor. Fazem reuniões e mais reuniões, mas apertam as possibilidades de entrada desses “migrantes” – maltratam-nos, enxotam-nos, devolvem-nos e não (por surdez minha certamente) ouço falar em soluções reais para evitar tais fugas procurando um “El-dourado”.
Não passará pela cabeça de quem manda nos “países ricos” e exploradores que tudo devia funcionar ao contrário? Esses poderosos, onde até abundam os milionários, dariam início a uma verdadeira solução destas ondas de “migrações” se investissem nesses países e promovessem o seu desenvolvimento. Não seria uma maneira mais lógica e humana de estancar estas hemorragias? E se pensarmos que os tais metais preciosos são necessários especialmente para a indústria de armas e suas munições, confesso que me sinto envergonhado de ser habitante desta parte ocidental da nossa esfera terrestre. As guerras são cruéis – são luta de “galos”. São, para qualquer cidadão que pense no bem estar e no bem comum das populações, uma dor de alma condenável.
O tratamento dado a todos aqueles a que chamei genericamente de “migrantes” é uma vergonha. A ausência dum gesto que seja para tentar solucionar tal problema envergonha-me.
Não passar pela cabeça de nenhum dos “mandantes” dos países verdadeiramente responsáveis por tal desgraça qualquer solução, também me envergonha como cidadão!

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