9 Maio 2024, Quinta-feira

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O senhor general

O senhor general

O senhor general

De manhã à noite, os telejornais não falam senão nas comemorações dos 50 anos da “Revolução dos cravos”, desse golpe militar essencialmente de capitães do nosso exército saturado das guerras de África que a teimosia de Salazar e Caetano mantinham, com o sonho dum Império que não ficasse reduzido ao nosso pequeno Portugal, no extremo ocidental da Europa.

Já há alguns anos que as potencias colonizadoras europeias tinham dado asas aos seus múltiplos territórios nas quatro “partidas” do globo – a Inglaterra, a França e até a Alemanha, tinham dado asas aos povos que durante anos foram por elas dominados e explorados, mantendo com eles certas ligações, essencialmente económicas. Mas Salazar, e depois Marcelo Caetano, mantinham obstinadamente uma desgastante guerra com os povos dominados e já a reagirem, em força, com os seus dirigentes muito “alimentados” pela Rússia e pela China.

E essa guerra ia “esgotando” o País e ceifando vidas humanas. E o tal grupo de capitães ia-se reunindo e programando um golpe para derrubar a ditadura – além de pôr termo à guerra –, trazer a liberdade ao povo português e negociar as independências das nossas colónias que Salazar e Caetano teimavam em chamar províncias ultramarinas

E surge o dia 25 de Abril de 1974. Foi há 50 anos! No País fervilhavam na clandestinidade vários grupos chamados da esquerda, essencialmente o Partido Comunista a que se juntaram depois outros grupos ainda mais extremistas. E forma-se o Movimento das Forças Armadas (MFA) e um Conselho da Revolução.

Regressam dos exílios Mário Soares, que fundara o Partido Socialista e Álvaro Cunhal que protagonizara uma audaciosa fuga da prisão de Peniche. A imagem da receção destes dois antifascistas num estádio com milhares de pessoas no primeiro de Maio em Liberdade, com helicópteros deitando cravos encarnados sobre a população é uma imagem icónica e inesquecível.

Só que o PCP rapidamente minou o sul do País e estávamos à beira de se formar um Estado comunista com a revolta militar dos paraquedistas. Não podemos esquecer nomes como Salgueiro Maia, Otelo, Melo Antunes, Alves e muitos outros, Mas esse golpe das esquerdas foi previsto e organizou-se um contra-golpe sob o comando e a orientação de Ramalho Eanes que em 25 de Novembro neutraliza o golpe comunista e estabelece o caminho para a verdadeira Democracia e a verdadeira Liberdade.

Ora, é esse militar de eleição que quero hoje verdadeiramente homenagear. A política evolui e Eanes é general A sua determinante ação na defesa da nossa liberdade e pela sua integridade, é empurrado para a política e é o nosso primeiro Presidente da República legitimamente eleito. Estou a vê-lo numa ação eleitoral e perante apupos da esquerda, de pé sobre o capot do automóvel numa atitude de coragem. Fez duas presidências, um governo de sua iniciativa com M. de Lourdes Pintassilgo e regressa à sua posição de cidadão. Tira um curso universitário e recusa todas as regalias a que tinha direito como ex-presidente, como carro, motorista, promoção a marechal, etc. Eis um homem duma integridade, honestidade e humildade raras. Um verdadeiro cidadão

Nas comemorações da nossa Liberdade é essencial destacar esta personalidade rara do general Ramalho Eanes, pelo muito que verdadeiramente lhe devemos e, essencialmente, cidadão e personalidade íntegra que é. Hoje, isto é cada vez mais raro!  Merece verdadeiramente a nossa maior admiração mesmo saboreando como poucos o valor de ser livre pois fui vitima da censura e  perseguido pela PIDE!

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