Festival Músicas do Mundo, legado e futuro

Festival Músicas do Mundo, legado e futuro

Festival Músicas do Mundo, legado e futuro

25 Maio 2026, Segunda-feira
Chefe de Gabinete na Câmara Municipal de Grândola

O Festival Músicas do Mundo completou, no ano anterior, a sua 25.ª edição. Momento que foi significativamente assinalado com diversas iniciativas, entre as quais destaco a edição do livro «Espírito de Aventura – Uma História do FMM Sines». Trata-se de uma peça editorial muito bem conseguida, mas que é bastante mais que isso: é um testemunho do legado do FMM.


Ao longo da sua história, o Festival Músicas do Mundo afirmou-se como uma celebração da união dos povos através da linguagem universal da música. O Castelo e a Avenida Vasco da Gama, em Sines, e o Largo Marquês de Pombal, em Porto Covo, são, por aqueles dias de festival, verdadeiros espaços de multiculturalidade, de celebração da expressão cultural, locais de exercício do humanismo.

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O FMM Sines é um festival maduro. A maioria dos festivaleiros está na faixa etária entre os 25 e os 64 anos e é um público essencialmente qualificado, com licenciatura e mestrado. O FMM é, também, um festival que fideliza pela experiência cultural que proporciona. A média de participação do público está nas 9 edições. E sendo o público esmagadoramente nacional, o público com origem em Espanha, Reino Unido, Itália e França é significativo.


Ao longo das suas 25 edições, o FMM recebeu cerca de 30 prémios. Com enorme destaque para os reconhecidos Iberian Festival Awards, sobretudo na categoria de «melhor programa cultural» (7 vezes). A edição de 2019 recebeu a distinção de «melhor grande festival (Portugal)» e foi também vencedora da categoria «melhor promoção turística (Portugal e Espanha)». Em 2017 recebeu o prémio EFFE Award, entregue pela Associação Europeia de Festivais, como um dos seis melhores festivais de artes da Europa.


O legado do Festival Músicas do Mundo tem a impressão digital de um homem extraordinário, o Carlos Seixas, diretor artístico e de produção desde a primeira edição. Um humanista, um homem do Mundo. Se Manuel Coelho, o presidente da Câmara de Sines fundador do FMM, teve essa visão ambiciosa de criar um evento de carácter universal no concelho de Sines, Nuno Mascarenhas garantiu a consolidação da marca do FMM como um evento incontornável na agenda nacional e europeia dos festivais. O FMM tem história coerente, mesmo quando não foi consensual.

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É merecida uma palavra especial a todas e a todos os trabalhadores da Câmara que fazem o FMM acontecer. E fazem-no acontecer, edição após edição, porque o seu sentido de pertença ao festival, à sua história, às suas estórias, a tudo aquilo que representa para os sinienses, ao seu ambiente único, é enorme!


Ao fim de 25 edições é natural que o FMM evidencie uma necessidade de renovação e, sobretudo depois da pandemia, de adequação àquilo que são os novos anseios do público. Mas esse impulso transformador tem de garantir a integridade da personalidade que um festival com estas características, naturalmente, tem.


Os desafios do FMM não se medem, nem se podem medir, por aquilo que representa de despesa pública. O FMM sempre foi um festival de serviço público, integrador, que exige a criação de condições eventuais para a sua realização em 3 ou mais locais. Os desafios do FMM estão, sobretudo, na melhoria das condições de acolhimento dos visitantes, na maximização da receita e no aproveitamento do impacto económico que o festival pode ter no concelho.

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Ainda que muitos dos principais agentes económicos tenham sobre o festival uma atitude cética, desvalorizando o incremento económico do evento, os dados relativos à edição de 2025 são claros. O incremento de visitantes nos dias em que o FMM está em Porto Covo aproxima-se dos 10 mil/dia e em Sines dos 13 mil/dia. O impacto financeiro direto do FMM ronda os 4 milhões de euros, sendo a maioria desta despesa dos festivaleiros em alimentação, compras diversas e alojamento. O impacto ponderado do festival na economia local é de cerca de 6,6 milhões de euros.


Estes dados não são desprezíveis. Bem sabemos que o investimento total para a realização do FMM, em 2025, rondou os 2 milhões de euros. Mas, para se olhar para este número de forma justa, é preciso olhar tanto para as despesas como para as receitas. E ter a consciência de que em 2025 o FMM não contou, por razões alheias à Câmara de Sines, com o apoio do INATEL à realização do FMM em Porto Covo, o que só por si representa um aumento na despesa de cerca de 250 mil euros.


Além da bilheteira e do merchandising, cujas receitas foram crescendo ao longo dos últimos anos, a concessão de espaços públicos para venda de produtos também representa uma receita relevante. E a exclusividade da venda de cerveja representou um encaixe financeiro na ordem dos 70 mil euros em 2025. Os 2 milhões inscritos no orçamento municipal para a realização do FMM não representam um custo de 2 milhões de euros, pois a esse valor temos de retirar cerca de 850 mil euros de receita. Na realidade o Festival representa um investimento para a autarquia de 1,1 milhões de euros. O segredo para conseguir que o FMM se mantenha alinhado com os festivais de referência nacional e europeia, renovando-o, não passa por o nivelar por baixo e introduzir uma racionalidade económica como se de um produto comercial se tratasse. O segredo está na maximização da receita, no aumento dos patrocínios e na captação de novos parceiros, no envolvimento da comunidade, na sua modernização, por exemplo, aprofundando as parcerias média e permitindo que cresça, ainda mais, em impacto mediático.


O que o FMM fez pelo reconhecimento de Sines e de Porto Covo ao longo dos últimos 25 anos é imensurável.
Por isso é que, depois de ter participado ativamente em 6 edições do FMM, tenho a enorme expectativa de que se continue a honrar o seu legado. Passaram pelo FMM mais de 1,6 milhões de. Entre 1999 e 2025 os palcos do FMM receberam mais de 820 concertos e mais de 4200 músicos oriundos de mais de 100 países e regiões.


O FMM é muito mais do que a circunstância, é uma peça bonita da história contemporânea de uma cidade há séculos debruçada sobre o mundo. O Festival Músicas do Mundo é muito maior que Sines e que o seu tempo. É a ponte entre o passado e o futuro de uma Humanidade que, por dias, se celebra sem preconceitos, sem diferenças, e se une em torno daquilo que realmente importa.

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