23 Maio 2024, Quinta-feira

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Carta aberta ao nosso bispo

Carta aberta ao nosso bispo

Carta aberta ao nosso bispo

Os meios de comunicação desde há muito que pouco se preocupam com os problemas da Igreja, a não ser que “cheirem” a escândalo. Assim aconteceu com os graves problemas dedicados ao sexo – celibato dos padres, problemas da definições da orientação sexual de cada um e – principalmente – os abusos. Fora desses problemas que surgiram em publico bem recentemente, os muitos outros problemas da nossa Igreja “não são notícia”.
No entanto a nossa Igreja está em profundo movimento de transformação. Quem se preocupa com essas questões das Igrejas, da Fé e dos problemas de Deus – e nos nossos meios são poucos e a prova disso está no progressivo esvaziamento das nossas Igrejas, na raridade das discussões públicas do problema de Deus e na diminuição das candidaturas aos seminários, dizendo as estatísticas que alguns ficaram este ano “em branco”, como em Setúbal.
Salva-nos a mediatização do actual Papa Francisco com as suas conferências de Imprensa no avião, de regresso a Roma após as suas visitas – essas também pouco difundidas na Imprensa. Porém, como transparece do que dissemos anteriormente, a nossa Igreja está numa profunda transformação para se aproximar mais correctamente da palavra e da vida do tal Jesus, que para os cristãos viveu e morreu há uns dois séculos na Palestina – agora notícia por causa da tremenda guerra que por lá grassa e pelo perigo de tal conflito se poder generalizar a uma guerra total.
Ora esta profunda modificação que os responsáveis (não muitos, assim parece) e os cristãos “à séria” há muito anseiam – está em curso e a nossa imprensa generalista pouco dá noticia, a não ser quando algo é mesmo “de estrondo”, como aconteceu com a Jornada Mundial da Juventude, que agitou o País e juntou em Lisboa quase dois milhões de jovens cristãos, ora eufóricos de alegria, ora em silêncios de oração, ora tentando dar noticia duma modernização da Igreja nestas Jornadas teve papel preponderante e essencial o nosso actual bispo.
Vendo-o em Setúbal, sem bispo quase há dois anos, sentimos alegria no nosso coração. O Papa Francisco tem estado sempre em movimento e convocou um sínodo com uma rigorosa preparação de uns quatro anos pois queria que esse sínodo discutisse os problemas da nossa Igreja, mas depois de ser ouvido todo o “povo de Deus”. Assim programou que cada paróquia ouvisse os anseios e problemas, depois que essas conclusões se juntassem para um documento que fosse os anseios da Diocese.
As várias dioceses fariam o mesmo, e uma vez juntos os seus documentos reuníamos um documento do País. Isto assim em todos os países, dando origem a documentos de cada continente e, uma vez discutidos estes, teríamos um documento de cada continente e depois de todo o mundo católico – era o verdadeiro “povo de Deus” que iria discutir no tal sínodo constituído por bispos e metade de leigos – homens e mulheres.
Estamos perante uma revolução que Francisco chama “da ternura”. Ora esse sínodo terminou há cerca de um mês e produziu um documento final, que vai voltar às bases e seguir uma metodologia idêntica: das bases para o Vaticano daqui a um ano. Novas discussões e conjunções de pareceres e opiniões. Dessa segunda reunião sairá uma conclusão final de modernização da Igreja, de se conjugar com o avassalador progresso da ciência e da tecnologia.
A necessidade de modernização é urgente, pois a nossa Igreja regia-se por um concílio de 1500, modernizado pelo concílio Vaticano II, que, no entanto, não provocou a necessária actualização.
Os cristãos estão ansiosos por estes resultados e este consenso. Eis que a nossa conferência Episcopal, depois de apreciar o documento final desta primeira parte do sínodo, declara. “Esta assembleia terá a continuação no próximo ano. Até lá o resultado desta sessão, já anunciado à Igreja, será objecto da oração e reflexão dos teólogos especialistas da Igreja em modalidades que estão a ser organizadas a partir das sugestões da Assembleia de Outubro passado”.
E nós – o povo de Deus – estamos ansiosos de iniciar, de novo, os resultados conseguidos nesta primeira parte do sínodo. E muita gente na sua primeira parte ficou de fora por falta de informação.
Em Espanha fizeram inquéritos de rua, ouviram sindicatos, reclusos, etc. – num desejo sincero de ouvir o “povo de Deus”. E entre nós? Daqui esta iniciativa de me dirigir ao nosso novo bispo, que com força e atitude nos dá a certeza de se empenhar nesta verdadeira “reparação” do “velho chassis” que é, ou tem sido, a nossa Igreja setubalense.
Ao dar esta notícia da reunião do CEP, o jornal electrónico “Sete Margens” titulava “Sínodo Católico acabou em Portugal?” Manifestando certamente a decepção de se estar a dar um compasso de espera ao início da segunda parte da consulta ao “povo de Deus” a quem o nosso Papa tanto apela para renovar a Igreja. E o que ele deseja é fazer com que a Igreja, que somos todos os crentes em Jesus, estejamos mudando o mundo em que vivemos, que está a beira do colapso.
Daqui este apelo ao nosso bispo, para que não apadrinhe esta “perca de tempo” que o CEP propõe, e dinamize o seu presbitério. Pelo que deduzimos dos seus comportamentos e das suas palavras e acções estamos confiantes que se preocupa, e muito, com a parcela do “povo de Deus” da sua diocese que vive problemas gravíssimos a que verdadeiramente a Igreja tem estado alheia (ou quase), no meio do panorama apocalíptico do nosso mundo actual.

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