2 Março 2024, Sábado
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É urgente mudar de mentalidade

Observemos cuidadosamente o mundo em que vivemos desde há uns séculos e maravilhemo-nos com as intensas e profundas mudanças que as nossas vidas sofreram, essencialmente pelos progressos das ciências.
A inteligência do Homem progrediu, visualizou, criou, inventou mil e uma coisa, a tal ponto que atualmente explora o espaço sideral quase até ao infinito, observa minucias nos meandros do nosso corpo, utiliza todos os recursos da nossa “mãe terra”, gastando-os até à exaustão sem pensar sequer nas consequências desse consumo descontrolado.
Ultrapassou a velocidade do som, fissurou o átomo e tirou disso a capacidade destruidora da energia atómica, completou recentemente a exploração do nosso genoma, levou até quase ao infinito a nossa capacidade de intervenção no interior do cérebro humano possibilitando vê-lo a funcionar e nele intervir modificando o seu funcionamento.
Os meios de observação do infinitamente pequeno começaram nas lentes e nos microscópios eletrónicos cada vez mais potentes. Aprendendo com a Natureza passou a criar em laboratório mil e um medicamentos e a sintetizar praticamente tudo o que for necessário, fabricando em laboratório tudo o que quiser, até carne. Não satisfeito com estas progressivas descobertas e invenções, chega aos computadores e à inteligência artificial.
Todas estas melhorias a partir das capacidades da nossa inteligência foram sendo – era inevitável – acompanhadas de mudanças na nossa maneira de viver, nos nossos gostos, na maneira de nos organizarmos socialmente, nas nossas ambições, nos nossos conceitos filosóficos, etc.. Um homem de hoje é totalmente diferente nas suas maneiras de pensar e de orientar os seus destinos, dum homem de há dois ou três seculos.
O conceito do poder vem mudando com este correr dos tempos e suas inevitáveis mudanças. Mas estamos hoje num mundo melhor? Sentimo-nos mais felizes? Atingimos maior conhecimento e melhor prática dos conceitos religiosos e transcendentes? Qual tem sido verdadeiramente o progresso das vidas humanas hoje em comparação com as de há dois ou três seculos?
Olhemos em volta, ouçamos as informações dos meios de comunicação social, ouçamos os cientistas de muitas disciplinas, muitos artífices destas mudanças e alguns – poucos – dizem que caminhamos para um verdadeiro abismo com guerras (e grandes!) nos quatro cantos do nosso planeta e alguns (mais lúcidos?) declaram perentoriamente que a natureza duramente agredida nos ameaça de alterações climáticas (que é fácil sentir e ver!) ameaçando a sobrevivência das gerações nascidas agora.
Na realidade, nesta caminhada civilizacional (?) só vemos à nossa volta – apesar das invenções extraordinárias – mortes, incompreensões, tribunais cheios, condenações por atentados às leis vigentes, chefes (parece!) preocupados fazendo reuniões nos quatro cantos do mundo, competição agressiva entre os países mais ricos (e “mandões”), multidões em fuga das suas terras procurando um lugar onde haja capacidade mínima para viverem, guerras a sério com centenas de mortes por dia e nem um vislumbre de paz e entreajuda entre os vários países.
E tudo continua no seu andamento com reuniões e mais reuniões e nem um vislumbre de paz! E há quem diga, e eu assim penso também, que é necessário mudar todas as orientações pelas quais nos regemos. Que o que temos presentemente não tem conserto! E que por isso é necessário mudar as regras sob as quais se tem desenvolvido, desde há séculos, estas sociedades em que nos integramos.
Por coincidência há atos eleitorais em vários países, ventos de mudança de linhas de ação, mas dentro das mesmas regras que nos regem! A juventude vai-se apercebendo, pelo menos, dos efeitos desastrosos das alterações climáticas.
Curiosamente, em 1968 os estudantes de Paris revoltaram-se contra as regras da nossa sociedade , empurrados por professores e filósofos, mas sem verdadeiramente saberem o que queriam – apenas sentiam que isto não estava bem e rapidamente o exercito pôs fim ao devaneio, a classe média, no dia seguinte a ter tudo terminado, veio para as ruas agradecendo ao seu Presidente ter acabado com a agitação à qual nem os sindicatos aderiram e a ignorância dos jovens era bem sintetizada num escrito num muro: “A imaginação ao poder!”
Um seculo e meio passados, a situação do nosso mundo e das nossas sociedades está muito pior e tudo e todos parecem conformados com as ameaças que nos envolvem. Será que pode haver uma verdadeira mudança de paradigma, poderá ainda haver uma alteração radical das nossas maneiras de viver?
“Ou vivemos como irmãos ou morreremos todos”, diz o Bispo de Roma, uma voz lúcida que devia ser mais ouvida e seguida!

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