31 Janeiro 2023, Terça-feira
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A Igreja em putrefação?

Desde que temos no Vaticano um Papa argentino, isto é, um Papa da zona do globo onde a nossa Igreja havia há anos enveredado pela chamada “teologia da libertação”, que a Igreja entrou numa modificação que tem abalado todo o edifício eclesial. Começou este Bispo de Roma por tomar o nome do “povorelo de Assis”, abandonou os ricos aposentos papais e passa a residir, no Vaticano é evidente, mas numa espécie de pensão e toma as suas refeições com os seus colaboradores. Um bom princípio! Pela primeira vez um Papa  (Bento XVI) abdica e passa a “Papa emérito”. Parece que as relações entre os dois altos dignatários da nossa Igreja eram cerimoniosas. Francisco passa a ser um sacerdote que foge das altas dignidades e inicia visitas a Lesbos, campo de refugiado abandonados – um verdadeiro campo de concentração – e os seus apelos à paz são constantes. E numa primeira encíclica fala da Amazónia e da ecologia integral. Numa outra carta apostólica declara que todos somos irmãos (Frateli Tutti). Aceita a comunhão de divorciados e aceita – natural – a homossexualidade. Mas interessa-nos neste comentário destacar a sua posição em relação às mulheres, a quem entrega lugares de chefia e apoia na luta contra os abusos sexuais de sacerdotes que começaram a vir a lume por todo o lado. Mas a sua preocupação é ouvir o povo de Deus! E não apenas a hierarquia há seculos cristalizada nos processos litúrgicos. E marca para 2023 (agora já passou para 2024) um concilio onde os bispos devem levar os temas para discutir formados por audições de cada diocese dum país e depois as conclusões do povo de Deus desse país. Depois os países reunirão por continentes e teríamos no Concilio os problemas do verdadeiro “povo de Deus” e não apenas do clero. Tal projeto vai crescendo muito devagar aqui, assim assim por ali e mais rapidamente algures. Entretanto as igrejas têm cada vez menos fiéis e a história dos abusos afectou gravemente o conceito geral. Algumas “conferencias episcopais” vão cortando o cordão umbilical com Roma.  E apesar do nosso Bispo de Roma declarar, por exemplo, que a política é uma das formas de caridade, os ditos cristãos ficam mudos e quedos perante o descalabro das nossas sociedades.   Uma iniciativa e um modelo de “ser cristão” bem próximo do viver dos primeiros seguidores de Cristo. Apesar da vida de Jesus Cristo só ter uma possível interpretação que é “viver para os outros”, em especial os pobres, os doentes e os excluídos e centrifugados para as periferias das sociedades, não se vêm mudanças na vida dos que se apelidam de cristãos!  O esforço do nosso Papa Francisco não parece estar a entusiasmar os cristão. E, pior ainda, é notória uma surda oposição às mudanças propostas. E, ainda mais grave, depois do falecimento do Papa emérito, parece que muitos cardeais “de peso”, americanos e europeus, não escondem que chegue aos ouvidos de Francisco, a opinião de que deve fazer como Bento e resignar.

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Esta oposição torna-se algo vultuosa, de peso e mais “descarada”. A confusão parece imperar nas estruturas da Igreja pois, por exemplo, Setúbal espera há muitos meses pela nomeação dum bispo.  Apetece-me perguntar, primeiro, como se escolhe um bispo? Não poderá o povo de Deus, mais activo e consciente, juntar-se para discutir este problema? Não poderá participar nessa escolha? Não será este o objetivo final de Francisco? Tal mudança, “para as origens”, não traria uma vida melhor ao mundo?

 

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