7 Dezembro 2022, Quarta-feira
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“Uma mão cheia de nada”

Nos últimos tempos os políticos de todo o mundo têm andado num afã de reuniões. Compreendemos essas corridas pois o nosso mundo está num caos.  Ele é a guerra na Ucrânia. Ele é a crise económica mundial. Ele é a necessidade de averiguar donde saiu o míssil que atingiu a Polónia, ele são as ondas de refugiados que aos milhares abandonam as suas terras onde não se pode viver pela guerra ou guerrilhas ou pela falta de alimentos para não se morrer de fome, eu sei lá quantas mais razões fazem correr os nosso dirigentes para múltiplas reuniões quase em simultâneo.    São os políticos em Bruxelas, são os vinte mais ricos do mundo  – os G 20,  São os ministros da Defesa (?) que resolvem melhorar os seu potenciais de armamento, é ainda um grupo mais restrito conhecido por G 7, é uma Assembleia de países asiáticos constituindo uma organização espelho da ONU cá no Ocidente,  e foram representantes de mais de duzentos países , no Egito reunidos para discutirem os problemas do que é uso chamar “o problema do aquecimento global”.  Sinceramente , como observador atento aos problemas que afetam as populações do nosso mundo, não me recordo de ter havido em simultâneo tanta reunião de alto nível.  É claro que o perigo da guerra da Ucrânia poder ser uma ameaça duma guerra total que ninguém quere pelo perigo atómico e pelo descalabro económico que atingiria os quatro cantos do mundo, exigia…e exige medidas urgentes. É claro que as grandes potências que querem dominar o mundo (e realmente dominam) medem forças entrecruzando ameaças e discursos – claro que me refiro aos Estados Unidos da América, á China e á Rússia (para não dar importância ao louco da Coreia do Norte) – obrigam a essa quantidade apressada de reuniões.  É claro que problemas “menores” (!!!) como a fome. As ondas de refugiados. As secas ou os tornados e os tufões deixando no seu percurso destruições tremendas também levaram á reunião do Egito sobre as alterações climáticas ( e já é a sétima ou oitava que se realiza por este motivo) Há uns quinze dias o Secretário Geral da ONU fez um dramático apelo sobre a situação das alterações do clima na génese de muitos dos fenómenos acima enunciados mas acentuando que essas alterações do clima estavam a provocar uma situação de quase não retorno  da ameaça dum mundo à beira da sua inabitabilidade para os seres humanos. A atmosfera á beira de se tornar irrespirável, os oceanos subindo e “comendo” ilhas e grandes faixas costeiras, e – na base de tudo isto- as inesperadas inundações aqui e as secas persistentes noutro canto do planeta, as ondas de calor ou o degelo dos polos, as alterações da biodiversidade trazendo vetores de doenças causadoras de milhares de mortes – tudo isto, dada o seu real perigo fazia incidir sobre a reunião no Egito um primordial interesse. As guerras podem ter soluções , difíceis é certo, a hegemonia da potência A ou B terá sempre uma solução diplomática ou com confrontações, os problemas económicos, os déficits ou as inflações são (também difíceis. É certo) emendadas ou substituídas por outras regras, mas as alterações climáticas e suas consequências estão mesmo no limiar de não terem emenda sem medidas radicais já há muito identificadas – daí o altíssimo interesse da reunião do Egito. Eram mais de duzentos países, os estudos eram de ciência certa, os países mais poluentes têm possibilidades reais para “emendar a mão”, e discutiu-se bravamente, aumentou-se até o tempo da reunião, haviam medidas já tomadas (e não cumpridas) na reunião anterior em Paris, e nos últimos minutos das últimas horas, do último dia chegou-se a um consenso sem metas, sem números, sem empenho visível – apenas o compromisso de os mais ricos (os mais poluentes, como dissemos) se comprometem com uma verba para os países mais pobres e sofredores das consequências das tais alterações do clima  afinal – “uma mão cheia de nada ”As inundações, as secas, os milhares de desnutridos e mortes, os furacões, as alterações da biodiversidade e as pandemias – afinal, os gritos da Terra minguem os ouve??

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O poder de dominar o mundo pelo dinheiro ou pelas bombas é afinal invencível?

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