20 Maio 2022, Sexta-feira
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Os pontos nos is

No passado dia 8 de Maio celebraram-se 77 anos do fim da última grande guerra. Americanos, britânicos e soviéticos punham fim às loucuras de Hitler, que não só rompendo com todas as regras da Sociedade das Nações meteu mãos à conquista de toda a Europa, e fê-lo cometendo crimes de guerra, usando da barbaridade dos “campos de extermínio” onde pretendeu fazer uma verdadeira limpeza étnica.

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E os judeus foram assassinados aos milhões juntamente com ciganos, homossexuais e adversários políticos – uma das maiores vergonhas da Humanidade!

Os nossos meios de informação têm falado durante vários dias e a todas as horas no dia da vitória russa, comemorado no dia seguinte – dia 9 de Maio!

Para quem, como eu, viveu já com algum espírito crítico e alguma informação (muito menor do que a que permitem os actuais meios sofisticados de informação) não “embarca” facilmente nesta obsessão de vitória de Putin.

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Em primeiro lugar passar do dia 8 para o dia 9 foi apenas uma questão de fuso horário. E se então souber que a União Soviética pactuou durante uns dois anos com o poder nazi, em conjunto ocuparam a Polónia e cada um ficou com metade desse país, começo a achar demasiado o “ruído” à volta do tal “dia da Vitória” que Putin proclama com tanto aparato.

Hitler, um verdadeiro maníaco, cometeu o mesmo erro de Napoleão, ao querer levar o seu poder até Moscovo. E não podemos esquecer todo o martírio dos londrinos debaixo de bombardeamentos diários da aviação nazi. Hitler apenas poupou a Península Ibérica por serem igualmente ditaduras.

Enquanto as tropas alemãs caminhavam para Moscovo, o Japão ataca inesperadamente a frota de guerra americana situada no Hawai, forçando a entrada da América na guerra da Europa, e é o seu extraordinário poder industrial e bélico que permite o início de grandes bombardeamentos a cidades alemãs, algumas totalmente arrasadas.

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A sua capacidade industrial posta ao serviço da guerra permite ao fim de algum tempo planear o desembarque na Normandia a partir da Grã Bretanha. A União Soviética (com a ajuda do General Inverno) inicia a sua caminhada sangrenta para atingir Berlim, igualmente consolidada a “testa de ponte” na Normandia.

Dali começou a grande ofensiva dos Aliados, tendo na mente chegar a Berlim e depor o maníaco Nazi. E se os soviéticos perderam muitos milhares de soldados, a ofensiva dos tanques dos aliados, essencialmente americanos, iam tendo as suas baixas, e nas Ardenas, junto à fronteira da França com a Alemanha, há uma intensa batalha com muitos milhares de soldados mortos, e a partir daí começa a verdadeira corrida para Berlim.

Na realidade, os primeiros a chegar a Berlim, totalmente arrasada pelos intensos bombardeamentos aéreos da aviação americana, foram os soviéticos.

A União Soviética não mais abandonou toda aquela parte oriental da Europa, assim sob um regime ditatorial, obrigando até a que a Alemanha ficasse a breve trecho dividida por um muro – mesmo um muro – por onde ninguém passava para o ocidente democrático. Toda esta recordação histórica pretende apenas pôr os “pontos nos is”.

Não foi só a Rússia que ganhou a última grande guerra. Os aliados bombardearam cidades e não consta que mandassem evacuar os civis antes destes bombardeios.

Lembro também que a primeira bomba atómica foi lançada pelos americanos, que as grandes potências, seja a Rússia, seja a China ou a América, todas têm tendência a querer dominar o nosso mundo, sendo por isso necessária alguma prudência no adjectivar de qualquer desencadeado de guerra.

Neste momento temos igualmente um louco no Kremlin e temos um povo agredido apenas por querer viver democraticamente. Será que os homens não sabem viver em paz? Será que a ambição dos homens não tem limites? Será que os seres humanos não conseguem sacudir o poder do “ter” e tudo sacrificam à acumulação de riqueza?

O ser humano não é por natureza mau, pois tem momentos em que desperta para o bem, como se nota agora na tremenda manifestação de solidariedade com o povo ucraniano.

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