21 Junho 2021, Segunda-feira
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Ventos de mudança?

Brecht dizia “é preciso mudar este mundo e depois mudar este mundo mudado” querendo significar que é necessário sempre evoluir e nunca cristalizar.  No mundo tudo é mudança, tudo  – tal como a natureza – está em constante evolução: os usos e costumes, a organização social, o nosso pensamento, a arte, a tecnologia – tudo!

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O que fica estagnado, tal como a água, apodrece e deixa de ter utilidade, Assim aconteceu com o nosso cristianismo, anquilosou-se, ficou séculos mantendo normas, regras, hábitos e organização parados no tempo.

O Papa João XXIII convoca um Concilio, e quando lhe perguntaram qual era o objetivo dirigiu-se a uma janela, abriu a e disse – entrar ar fresco ! E assim nasceu uma reunião magna que durou uns três anos e de onde saíram mudanças enormes que tentaram mudar a Igreja e adapta-la a um mundo moderno. Foi um sobressalto , mas a força dos tradicionalistas não se conformou e aos poucos foi anulando muitas das mudanças que pretendiam levar a nossa Igreja a viver e a pregar a verdadeira Boa Nova – a verdadeira mensagem de Jesus Cristo. E para alem das celebrações  (entre nós) em português e o sacerdote passar a estar face a face  com a assembleia, durante  o papado mais longo do Papa João Paulo II pouco mais se sentiu ! continuou o predomínio da “sacristia” sobre a vida, continuou a posição subalterna dos leigos face aos bispos com “Dom”. O “povo de Deus” ainda continuou a não ser o verdadeiro centro do Cristianismo. Na longa ponta final da vida do Papa, a condução da Igreja foi integralmente exercida pela Curia em Roma. Em boa verdade continuava a haver necessidade de “ar freco”.

E surge um Papa que veio da América do Sul que pela sua linguagem , pelo seu comportamento e pela sua Palavra protagoniza uma verdadeira revolução – uma revolução da ternura como Ele próprio a designa. O mundo admira-o. Mas será que o seu exemplo e a sua Palavra vem modificando a nossa Igreja? Parecia haver uma surdez coletiva ! E entre nós? No inicio da nossa Diocese com o nosso primeiro Bispo – Manuel Martins – um grupo de cristãos ativos tentam uma Igreja mais democrática, dando mais valor à palavra e à ação dos leigos, e o nosso primeiro Bispo organiza uma Assembleia Diocesana formada por representantes eleitos nas paróquias – foi sol de pouca dura pois D. Manuel Martins teve de ceder à pressão dos outros Bispos e a “novidade” foi anulada. Que satisfação teria agora Manuel Martins com a ação e a palavra de Francisco !

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E eis que o nosso atual Bispo proclama em dia de Pentecoste que a nossa Igreja seguirá um caminho sinodal a concretizar no aniversário da nossa Diocese. Eu sei que há muitas resistências a vencer, muita doutrinação a fazer, ,muita coisa a organizar, mas porquê esperar quase quatro anos?

Mas estamos perante a promessa do nosso Bispo de “abrir a janela” para entrar o tal ar fresco que João XXIII queria que entrasse na nossa Igreja e que Francisco vai praticando – uma “Igreja em saída”, uma Igreja que ponha no seu centro ajudar os pobres e os excluidos, desta sociedade de consumo que produz mas não sabe distribuir, que secundariza o trabalho em favor do capital e que agride a nossa “mãe terra” a ponto de a ameaçar de se tornar inabitável em curtas décadas.

Obrigado senhor Bispo por estar “abrindo a janela” !

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